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Vacina em teste contra o câncer reduz em até 49% risco de volta do melanoma

Imunizante com tecnologia de mRNA foi testado em 157 pacientes com câncer de pele avançado, mas dados ainda são preliminares

21 janeiro 2026 - 15h55Andreza de Oliveira
O estudo acompanhou, por cinco anos, 157 pessoas com melanoma em estágio 3 ou 4, ou seja, em fases mais avançadas da doença, depois da retirada cirúrgica completa do tumor.
O estudo acompanhou, por cinco anos, 157 pessoas com melanoma em estágio 3 ou 4, ou seja, em fases mais avançadas da doença, depois da retirada cirúrgica completa do tumor. - (Foto: Divulgação)

Uma vacina em desenvolvimento contra o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, mostrou reduzir em até 49% o risco de recorrência ou morte pela doença em um estudo de fase 2. O resultado anima pesquisadores, mas ainda não é suficiente para falar em “cura” ou mudança imediata na rotina dos pacientes.

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O estudo acompanhou, por cinco anos, 157 pessoas com melanoma em estágio 3 ou 4, ou seja, em fases mais avançadas da doença, depois da retirada cirúrgica completa do tumor.

Metade dos voluntários recebeu a vacina experimental, chamada intismeran, feita com tecnologia de mRNA, em associação ao remédio pembrolizumabe (nome comercial Keytruda). O grupo de comparação foi tratado apenas com o medicamento já aprovado.

A pesquisa foi patrocinada pelas farmacêuticas Moderna e Merck (no Brasil, MSD), responsável pelo pembrolizumabe. Os dados, por enquanto, não passaram por revisão de outros cientistas em revista científica, etapa considerada obrigatória antes de qualquer mudança em protocolos de tratamento.

Vacina contra câncer não é novidade, mas ainda gera dúvidas

Vacinas terapêuticas – usadas em quem já tem câncer, e não para prevenir a doença – existem há mais de 40 anos, lembra o oncologista Antonio Buzaid, cofundador do Instituto Vencer o Câncer.

“Elas são aplicadas por via intramuscular e atuam estimulando o sistema imunológico, utilizando uma estratégia semelhante à empregada nas vacinas contra a covid-19”, explica Buzaid.

Na avaliação dele, os novos dados são promissores, mas precisam ser vistos com cautela.

“Se um estudo de fase 3 confirmar esses resultados, esse tipo de vacina terapêutica deve ser aprovado para melanoma e, possivelmente, para outros tipos de câncer”, afirma o oncologista, que não participou da pesquisa.

Buzaid lembra que, até agora, não há evidência conclusiva de que vacinas terapêuticas aumentem a sobrevida global de quem teve melanoma.

Segundo as farmacêuticas, o recrutamento de pacientes para o estudo de fase 3 – etapa que envolve um número maior de pessoas e tem peso decisivo para aprovação – já foi concluído. Outros ensaios também estão em andamento para verificar se o imunizante pode funcionar em outros tipos de câncer.

O que é o melanoma - O melanoma é a forma mais rara, porém mais agressiva, de câncer de pele. Ele começa nos melanócitos, células que produzem a melanina, pigmento que dá cor à pele, e tem alta chance de metástase, quando o tumor se espalha para outros órgãos.

A doença pode aparecer em qualquer região do corpo, na pele ou em mucosas, geralmente como uma mancha, pinta ou sinal que muda de aspecto ao longo do tempo.

Para ajudar na identificação precoce, o Ministério da Saúde usa a regra do “ABCDE”, que destaca alterações que precisam ser avaliadas por um médico:

A – Assimetria: uma metade da pinta ou mancha é diferente da outra.

B – Bordas irregulares: contorno mal definido, “serrilhado” ou torto.

C – Cor variável: presença de mais de uma cor na mesma lesão (preta, marrom, branca, avermelhada ou azul).

D – Diâmetro: tamanho maior que 6 milímetros.

E – Evolução: mudanças visíveis no tamanho, forma ou cor ao longo do tempo.

Qualquer alteração desse tipo deve ser examinada por um profissional de saúde, especialmente em quem já tem histórico pessoal ou familiar de câncer de pele.

Mesmo com os avanços em tratamentos, a orientação dos especialistas continua a mesma: a melhor arma contra o melanoma ainda é a prevenção.

Evitar a exposição excessiva ao sol, principalmente nos horários de maior intensidade, usar protetor solar, chapéu, óculos e roupas que cubram melhor a pele são medidas fundamentais desde a infância. “O dano é cumulativo, por isso o cuidado deve começar cedo”, reforça Antonio Buzaid.

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