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14 de janeiro de 2026 - 16h01
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SAÚDE PÚBLICA

Ministério da Saúde mantém fora do SUS vacina contra herpes-zóster para idosos e imunocomprometidos

Decisão publicada no Diário Oficial aponta alto impacto financeiro e custo estimado de R$ 5,2 bilhões em cinco anos

14 janeiro 2026 - 14h15Andreza de Oliveira
Vacina contra herpes-zóster segue disponível apenas na rede privada após decisão do Ministério da Saúde
Vacina contra herpes-zóster segue disponível apenas na rede privada após decisão do Ministério da Saúde - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O Ministério da Saúde decidiu não incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra herpes-zóster para pessoas imunocomprometidas a partir dos 18 anos e para idosos com 80 anos ou mais. A decisão foi oficializada por meio de portaria da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, publicada na segunda-feira (12) no Diário Oficial da União.

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A medida mantém o posicionamento apresentado no relatório preliminar da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), divulgado em julho do ano passado. Após a publicação do documento, o tema foi submetido a consulta pública entre setembro e outubro, período em que foram registradas 8.797 contribuições da sociedade. Mesmo após a análise dessas manifestações, o parecer final seguiu pela não incorporação do imunizante.

Na avaliação técnica, a Conitec reconheceu que a vacina é eficaz na prevenção do herpes-zóster, mas apontou que o custo atual inviabiliza a inclusão no SUS sem comprometer o orçamento da saúde pública. O relatório destaca que, para viabilizar a incorporação, seria necessária uma negociação significativa de preços.

O estudo de impacto orçamentário considerou uma oferta máxima de três milhões de doses por ano, suficiente para vacinar 1,5 milhão de pessoas anualmente, dentro de um universo estimado de 5.456.211 indivíduos elegíveis. Segundo os cálculos apresentados, apenas no primeiro ano, o custo para vacinar 1,5 milhão de pacientes chegaria a R$ 1,2 bilhão.

No quinto ano de implementação, quando restariam cerca de 471 mil pessoas a serem vacinadas, o gasto estimado seria de R$ 380 milhões. Ao final de cinco anos, o investimento total alcançaria R$ 5,2 bilhões. Diante desses números, a comissão concluiu que a vacina não apresenta custo-efetividade para o sistema público de saúde.

O imunizante avaliado foi a Shingrix, produzida pela farmacêutica GSK. A vacina recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2021 e é indicada para adultos com mais de 50 anos ou para pessoas acima de 18 anos com risco elevado de desenvolver a doença, como pacientes imunocomprometidos.

A proposta analisada pela Conitec previa a oferta da vacina exclusivamente para idosos com mais de 80 anos e para imunocomprometidos a partir dos 18 anos. Com a decisão final, o imunizante segue disponível apenas na rede privada de saúde.

Atualmente, o SUS oferece vacinas relacionadas ao vírus varicela-zóster apenas na infância. Fazem parte do Programa Nacional de Imunizações (PNI) a vacina contra a varicela, conhecida como catapora, e a tetraviral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

A herpes-zóster, popularmente chamada de cobreiro, é causada pelo mesmo vírus da catapora. Após a infecção inicial, o vírus permanece adormecido no organismo e pode ser reativado anos depois, especialmente em pessoas idosas ou com o sistema imunológico comprometido, como pacientes com câncer ou HIV.

Entre os sintomas mais comuns estão dor intensa ao longo dos nervos, dor de cabeça, mal-estar e o surgimento de manchas avermelhadas na pele, que evoluem para bolhas. Também são frequentes coceira, sensação de queimação, aumento da sensibilidade no local afetado e febre baixa. Tronco, face, região lombar e pescoço estão entre as áreas mais atingidas.

No SUS, o diagnóstico da doença é feito por avaliação clínica. O tratamento busca controlar a dor e impedir a progressão das lesões. Em casos leves, o cuidado é sintomático, com uso de medicamentos para dor e orientações de higiene das lesões. Já pacientes com maior risco de complicações recebem tratamento com o antiviral aciclovir.

O Ministério da Saúde aponta que a prevenção da doença envolve, além da vacinação, medidas como a higienização das mãos após contato com lesões, o isolamento de pessoas doentes e a desinfecção de objetos contaminados por secreções de pacientes com varicela.

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