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11 de fevereiro de 2026 - 11h54
SAÚDE

SBPC entrega Prêmio Carolina Bori a pesquisadoras de destaque no Dia das Mulheres na Ciência

Professora da USP referência em pesquisas sobre HPV está entre as homenageadas da edição 2026

11 fevereiro 2026 - 10h00Agência Brasil
Luísa Lina Villa é referência internacional em pesquisas sobre HPV e vacina contra o vírus.
Luísa Lina Villa é referência internacional em pesquisas sobre HPV e vacina contra o vírus. - (Foto: Arte SBPC)

No Dia Mundial das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado nesta quarta-feira (11), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) entrega, em São Paulo, o Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher a pesquisadoras com trajetória de destaque nas áreas de Humanidades; Ciências Biológicas e da Saúde; e Engenharias, Exatas e Ciências da Terra.

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A data foi instituída em 2015 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de reforçar a importância da igualdade de gênero na produção científica.

Entre as homenageadas deste ano está a professora Luísa Lina Villa, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e colaboradora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), reconhecida na categoria Ciências Biológicas e da Saúde.

“Estou nessa categoria e me sinto muito orgulhosa e feliz por estar sendo homenageada pela Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência, sobretudo porque há muitas mulheres no nosso país merecedoras desse prêmio”, afirmou à Agência Brasil.

Luísa destacou que recebe a homenagem com gratidão e como reconhecimento coletivo. Segundo ela, o prêmio também pertence aos alunos, colaboradores e colegas que a acompanharam ao longo da carreira.

Referência internacional em HPV

A trajetória científica da pesquisadora começou ainda na infância, quando observava o mundo com uma lupa. O interesse por microrganismos a levou à carreira acadêmica e à consolidação de uma linha de pesquisa sobre o Papilomavírus Humano (HPV), vírus associado ao câncer do colo do útero e à infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo.

“Desde muito jovem, eu tinha vontade de fazer pesquisa. Eu me interessava muito por micróbios, queria aprender mais sobre vírus. E finalmente, após passar por um doutorado, onde estudei leveduras, passei a estudar os HPVs já no começo dos anos 80”, afirmou.

Ao longo de quase 30 anos no Instituto Ludwig, voltado à pesquisa sobre câncer, e posteriormente na Faculdade de Medicina da USP, Luísa aprofundou estudos sobre o comportamento do vírus, suas formas de transmissão e os fatores de risco associados ao desenvolvimento de tumores.

Um dos marcos de sua carreira foi a participação em pesquisas que comprovaram a segurança, imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o HPV.

“Um dos principais aspectos do meu trabalho que foram considerados para que eu alcançasse esse prêmio foram os estudos com o HPV e a participação nas pesquisas que demonstraram a segurança, a imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o vírus”, destacou.

Segundo ela, o grupo foi um dos primeiros a demonstrar que infecções persistentes por HPV são as que apresentam maior risco de evolução para tumores malignos, especialmente no colo do útero.

As pesquisas também analisaram a infecção em homens. “Os estudos em homens permitiram que descobríssemos quais são as taxas de HPV entre homens, que são ainda mais elevadas que em mulheres”, explicou. Eles podem transmitir o vírus e também apresentam risco aumentado de desenvolver lesões no pênis, canal anal e orofaringe.

Impacto em políticas públicas

Os estudos contribuíram diretamente para a formulação de políticas de prevenção. Atualmente, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, meninas e meninos, além de pessoas imunossuprimidas, transplantados e pacientes oncológicos entre 9 e 45 anos.

A vacina começou a ser aplicada nos Estados Unidos em 2006 e passou a integrar o calendário brasileiro em 2014.

“Isso tem levado a uma redução das infecções e doenças por HPV, inclusive de câncer de colo de útero em vários países e, no Brasil, isso também já começa a ser observado”, afirmou. Segundo a professora, após uma década de implementação em diversos países, já há queda significativa de verrugas genitais e de lesões precursoras do câncer.

Outras homenageadas

Na 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher, também foram reconhecidas a professora emérita da USP Ana Mae Tavares Bastos Barbosa, na categoria Humanidades, e a professora da Unicamp Iris Concepcion Linares de Torriani, em Exatas e Ciências da Terra.

Três pesquisadoras receberam menção honrosa: Maria Arminda do Nascimento Arruda (USP), na área de Humanidades; Marilia Oliveira Fonseca Goulart (UFAL), em Exatas e Ciências da Terra; e Nísia Verônica Trindade Lima (Fiocruz), em Ciências Biológicas e da Saúde.

Ao destacar trajetórias consolidadas, a premiação reforça o papel das mulheres na ciência brasileira e evidencia como a produção científica impacta diretamente a vida da população.

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