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29 de janeiro de 2026 - 19h04
SENAR
COOPERATIVISMO MÉDICO

'Saúde é uma coisa só' afirma presidente da Unimed Campo Grande sobre papel da saúde suplementar

Presidente do Conselho de Administração da Unimed Campo Grande destaca integração com o SUS, investimento em prevenção, tecnologia e estrutura própria para atender mais de 100 mil beneficiários

29 janeiro 2026 - 17h50Iury de Oliveira e Carlos Guilherme
Com olhar voltado para o futuro da saúde suplementar, o Dr. Eduardo Kawano lidera a Unimed Campo Grande em investimentos em estrutura própria, inovação e cuidado integral ao beneficiário.
Com olhar voltado para o futuro da saúde suplementar, o Dr. Eduardo Kawano lidera a Unimed Campo Grande em investimentos em estrutura própria, inovação e cuidado integral ao beneficiário. - (Fotos: Douglas Vieira)

O presidente do Conselho de Administração da Unimed Campo Grande, Eduardo Kawano, resume em uma frase a visão que orienta a cooperativa médica em um cenário de custos crescentes e alta demanda por atendimento: “Saúde é uma coisa só, não é diferente no sistema público e no privado”.

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Para ele, a saúde suplementar cumpre um papel estratégico ao desafogar o SUS, desde que mantenha foco em qualidade assistencial, prevenção e gestão responsável dos recursos, especialmente em uma operadora que hoje atende mais de 100 mil beneficiários em Campo Grande.

Ao jornal A Crítica, Kawano detalhou as principais ações realizadas em 2025, o cenário da saúde suplementar no país, os investimentos em tecnologia, a importância da medicina preventiva e os desafios de fazer saúde com qualidade em um ambiente regulado e altamente dinâmico.

Ao comentar o papel dos planos privados no sistema de saúde brasileiro, o presidente da Unimed Campo Grande afirma que a saúde suplementar não é um “mundo à parte”, mas parte do mesmo ecossistema de cuidado.

“Saúde é uma coisa só, não é diferente no sistema público e no sistema privado. A saúde suplementar, para quem tem condições de ter, realmente desafoga o sistema público, porque, se não tivesse o plano, essa pessoa estaria no SUS”, afirma.

Atualmente, cerca de um quarto da população brasileira possui plano de saúde, o que representa aproximadamente 52 milhões de usuários com assistência médica privada, segundo dados recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Esse contingente cresce ano a ano e ajuda a distribuir a demanda entre o SUS e o setor privado, especialmente em grandes centros urbanos.

Na visão de Kawano, a Unimed Campo Grande cumpre esse papel ao absorver perto de 30% do público que busca assistência em saúde no seu universo de atuação. “Nós conseguimos absorver essa população e dar o devido tratamento”, pontua.

Dr. Eduardo Kawano, presidente do Conselho de Administração da Unimed Campo Grande, durante entrevista sobre os desafios e perspectivas da saúde suplementar no Brasil - (Foto: Douglas Vieira)

Um 2025 de aproximação com o beneficiário - Ao olhar para 2025, Kawano classifica o ano como “bastante produtivo” para a Unimed Campo Grande. Uma das iniciativas mais simbólicas foi a realização do primeiro fórum de experiência do cliente, focado em ouvir, de forma estruturada, o beneficiário.

“Foi a primeira vez que fizemos um fórum de experiência do cliente, onde pudemos ouvir os beneficiários sobre demandas, críticas, sugestões e elogios. Foi inovador”, avalia. A proposta da iniciativa é trazer o usuário para o centro das decisões, tornando mais ágil a identificação de gargalos e oportunidades de melhoria na jornada do paciente.

Além da escuta ativa, a cooperativa ampliou sua rede de cuidados ao firmar parcerias estratégicas com a Maternidade Cândido Mariano e com o Hospital São Julião, fortalecendo tanto a assistência em ginecologia e obstetrícia quanto o cuidado a pacientes crônicos e paliativos. Essas parcerias ampliam o alcance dos serviços, permitindo que a rede atenda desde o ciclo gravídico-puerperal até casos de maior complexidade clínica.

Outro marco foi a expansão da estrutura laboratorial. “Conseguimos entregar um laboratório Unimed fora do Hospital Unimed. Então ele está na rua, em contato diretamente com o público, na Avenida Zahran e também na Avenida Afonso Pena”, relata. A estratégia de levar o serviço para pontos de maior fluxo na cidade aproxima os beneficiários e facilita o acesso a exames, etapa fundamental tanto na prevenção quanto no acompanhamento de doenças crônicas.

Essas ações se somam à trajetória consolidada da cooperativa, que completou 52 anos de atuação em 2025, com investimento em recursos próprios, como hospital, laboratório e programas de atenção à saúde.

O cenário da saúde suplementar no Brasil é marcado por aumento de custos, pressões inflacionárias específicas do setor, envelhecimento populacional e maior utilização dos serviços. Kawano lembra que se trata de um ambiente fortemente regulado: “A saúde suplementar é uma saúde regulada. Para as pessoas físicas, quem faz a determinação do valor de aumento da mensalidade é a Agência Nacional de Saúde, que tem critérios próprios”, detalha.

No caso dos planos coletivos empresariais e por adesão, que representam a maior parte dos contratos no país, os reajustes são definidos a partir de negociações entre operadoras e contratantes, levando em conta o uso do plano e a sinistralidade, que é a relação entre o custo assistencial e a receita obtida com as mensalidades.

Segundo o presidente, esse é um contexto “extremamente difícil e desafiador”, em que o uso excessivo ou inadequado de serviços impacta diretamente no bolso do beneficiário. “A saúde é muito dinâmica. Existe o uso e também o uso, às vezes, desnecessário, sem a devida tratativa. Isso aumenta o custo e acaba gerando aumento para o usuário”, explica.

Para enfrentar essa realidade, a Unimed Campo Grande investe em protocolos clínicos baseados em evidências, que padronizam condutas e evitam exames e procedimentos redundantes. “Temos investido em protocolos clínicos e em inovações tecnológicas, fazendo com que isso seja benéfico tanto para a Unimed Campo Grande quanto para os beneficiários”, afirma Kawano.

Ele também destaca o combate a fraudes na saúde suplementar e a busca por melhores negociações com prestadores, sempre dentro das regras estabelecidas pela ANS, como fatores importantes para manter o equilíbrio econômico-financeiro da operadora sem comprometer a qualidade assistencial.

À frente da Unimed Campo Grande, o Dr. Eduardo Kawano destaca a importância da prevenção, da tecnologia e do cooperativismo médico na construção de um sistema de saúde mais eficiente - (Foto: Douglas Vieira)

Estrutura própria e atenção integral ao beneficiário - Para dar conta dos beneficiários, a cooperativa aposta em uma robusta rede de recursos próprios e credenciados. Além de um hospital bem estruturado, a Unimed Campo Grande conta com laboratório próprio, serviço de SOS Unimed, pronto atendimento e unidades voltadas à promoção da saúde.

“A gente investe bastante em recursos próprios. Temos um hospital bem estruturado, um laboratório próprio também bem estruturado, o SOS para atender as demandas que são exigidas”, descreve Kawano.

Um dos destaques é o Viver Bem, unidade de atenção primária à saúde que atua com foco em prevenção, acompanhamento contínuo e gestão de condições crônicas. “Temos aqui o Viver Bem, que trata da atenção primária à saúde”, resume.

A cooperativa também mantém uma clínica de diagnóstico e tratamento para o transtorno do espectro autista (TEA), referência no cuidado a esse público. “É uma referência para a gente dar o devido tratamento e condução para esse público, que hoje está bastante em alta”, afirma. A existência de uma unidade específica para TEA está alinhada à crescente demanda de famílias por atendimento especializado e multidisciplinar.

Além dos recursos próprios, a Unimed Campo Grande opera com uma rede credenciada extensa, composta por clínicas, consultórios e especialistas em diversas áreas, o que amplia as opções de atendimento e oferece capilaridade à assistência.

Cirurgias, acesso e experiência do paciente - Um dos pontos sensíveis na percepção da população sobre o sistema de saúde é o tempo de espera para realização de cirurgias. Nesse aspecto, o presidente diferencia o contexto da saúde suplementar do SUS.

“Fila não existe, não é igual ao sistema público, onde a demanda é muito maior do que a nossa”, afirma. Segundo ele, as cirurgias eletivas transcorrem com maior tranquilidade, em sua maioria realizadas no próprio Hospital Unimed, com apoio de hospitais parceiros quando necessário.

Essa organização da rede, aliada ao dimensionamento da demanda, contribui para manter prazos mais curtos e previsíveis para os beneficiários, especialmente em comparação com a realidade do sistema público, que historicamente convive com filas significativas em diversas regiões do país.

Outro eixo central na fala de Kawano é a importância da medicina preventiva. Ele cita as campanhas de outubro rosa e novembro azul, realizadas pela Unimed, com exames a preços acessíveis, como instrumentos de conscientização.

Dr. Eduardo Kawano, presidente do Conselho de Administração da Unimed Campo Grande, fala sobre os desafios da saúde suplementar e o compromisso com a qualidade assistencial - (Foto: Arte A Crítica)

“Essas campanhas servem principalmente para conscientizar de que é necessário fazer uma medicina preventiva, para que não se pague um preço maior, principalmente com a própria vida lá na frente”, ressalta. Para o presidente, ações como essas lembram as pessoas da necessidade de exames periódicos, especialmente aqueles recomendados anualmente.

Embora não seja simples medir numericamente o impacto dessas campanhas em termos de redução futura de doenças graves, a literatura médica e as diretrizes nacionais reforçam que o diagnóstico precoce de câncer de mama e de próstata aumenta as chances de tratamento bem-sucedido e reduz custos a médio e longo prazo.

“Quem pratica a medicina preventiva evita uma série de desdobramentos negativos lá na frente. É um autocuidado com a própria saúde. Às vezes a pessoa se esquece, relaxa, e a gente lembra que ela precisa se cuidar”, resume Kawano.

Com a rápida evolução da tecnologia na área da saúde, desde novos equipamentos até terapias avançadas e soluções digitais, a pressão por incorporação de inovações é constante. Kawano, no entanto, enfatiza a necessidade de cautela. “A tecnologia evolui muito mais rápido do que as próprias regras que a gente estabelece. Às vezes, uma tecnologia nova surge e, antes de entrar nela, a gente estuda bastante para ter certeza de que o investimento seja perene, sustentável e benéfico para o cliente”, explica.

Nem toda novidade, reforça ele, se traduz em ganho real para o usuário. “Trazemos inovações, tecnologias novas, mas com bastante critério, para que não façamos um avanço tecnológico apenas por fazer, porque ela custa caro", aponta.

O presidente da Unimed Campo Grande, Dr. Eduardo Kawano, reforça que ‘saúde é uma coisa só’ e defende a integração entre a saúde suplementar e o SUS - (Foto: Douglas Vieira)

Na prática, isso significa avaliar custo-efetividade, impacto na qualidade de vida, evidências científicas e aderência às normas da ANS antes de incorporar novos procedimentos ou equipamentos, mantendo o equilíbrio entre modernização e sustentabilidade financeira.

Desafios da qualidade e a força da cooperação médica - Questionado sobre os principais desafios para fazer saúde com qualidade, Kawano destaca a combinação entre equipes qualificadas e gestão da expectativa do beneficiário. “É uma combinação em que tem que ter bons profissionais, especialistas em cada área, aliados à expectativa do beneficiário”, sintetiza.

Do ponto de vista do modelo de negócio, ele reforça a importância do cooperativismo médico. “Para os cooperados, a gente tem a certeza de que a cooperativa traz muitos benefícios, muita segurança para o seu trabalho. A cooperativa tem como premissa trazer trabalho médico e renda para ele, em cima de uma estrutura adequada”, afirma.

Hoje a estrutura do Hospital Unimed está distribuida com pronto atendimento, emergência e centro cirúrgico, laboratórios próprios no hospital e nas avenidas Zahran e Afonso Pena, serviço de SOS 24 horas, Unidade de Terapias Especiais, programa Viver Bem, atendimento domiciliar do Unimed em Casa, espaços exclusivos na Maternidade Cândido Mariano e no Hospital São Julião e, ainda, o PA Digital.

Em um ambiente que ele define como “bastante mercantilizado”, Kawano enxerga a cooperativa como um dos últimos bastiões de valorização do trabalho médico em regime coletivo. “A gente entende que o trabalho coletivo é muito bom, é prevalente”, diz.

Para os beneficiários, a mensagem é de compromisso com a entrega assistencial. “Eles podem ter certeza de que a entrega da assistência é feita com profissionais e estruturas adequadas. Acompanhamos as inovações e as transformações que acontecem na saúde suplementar”, conclui.

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