
A busca por um corpo mais saudável e definido deixou de ser exceção e passou a integrar a rotina de muitas pessoas. No entanto, estratégias adotadas sem orientação adequada continuam sendo um obstáculo para quem tenta mudar a composição corporal sem comprometer a saúde. Nutricionistas e endocrinologistas alertam que resultados sustentáveis dependem de equilíbrio, acompanhamento profissional e atenção aos sinais do próprio organismo.
Segundo a nutricionista esportiva Gabriela Yoshimura, do Espaço Einstein de Reabilitação e Esporte, do Hospital Israelita Albert Einstein, a alimentação deve ser estruturada desde o início, com foco em escolhas conscientes e rotina organizada. A especialista destaca que entender o que comer, em quais horários e em quais proporções é essencial para que a alimentação funcione como aliada do treino e da saúde.
A base desse processo inclui refeições distribuídas ao longo do dia, alinhadas aos horários de treino, priorização de alimentos in natura e minimamente processados e a presença equilibrada de todos os grupos alimentares, como vegetais, frutas, cereais integrais, leguminosas e proteínas magras. Sem esse suporte nutricional, até a prática de exercícios pode gerar efeitos negativos.
A seguir, veja os quatro erros mais comuns cometidos por quem está em busca do chamado 'shape ideal'.
1. Avaliar a saúde apenas pela aparência
Um dos equívocos mais frequentes é usar apenas o espelho como critério para definir se o corpo está saudável. De acordo com especialistas, indicadores mais relevantes incluem bom funcionamento do metabolismo, ausência de deficiências nutricionais, bom desempenho físico e recuperação adequada após os treinos.
Aspectos como disposição ao longo do dia, qualidade do sono, estabilidade do humor e menor ocorrência de dores e fadiga também devem ser considerados. Para Gabriela Yoshimura, um corpo saudável vai além da estética e está diretamente ligado ao funcionamento pleno do organismo.
2. Fazer dieta sem acompanhamento profissional
A busca por resultados rápidos leva muitas pessoas a adotarem dietas extremamente restritivas ou a excluir grupos alimentares inteiros, sem orientação especializada. Segundo a nutricionista, esse tipo de prática compromete o equilíbrio calórico necessário para manter energia, rendimento nos treinos e perda de peso de forma sustentável.
A falta de acompanhamento pode provocar fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração, queda no desempenho físico e maior risco de lesões. A longo prazo, há chances de surgirem deficiências nutricionais, anemia, osteoporose, perda de massa muscular e redução do metabolismo basal, condição associada ao efeito sanfona.
Gabriela alerta que dietas com promessa de resultados rápidos costumam gerar perda inicial de peso associada principalmente à eliminação de líquidos, e não de gordura corporal.
3. Ignorar sinais do corpo
Quando dieta e exercícios não geram os resultados esperados, mesmo com disciplina, o problema pode estar relacionado a alterações hormonais ou metabólicas. Nesses casos, a avaliação médica é indicada, principalmente diante de sintomas como cansaço excessivo, alterações de humor e sono, queda de cabelo, mudanças no ciclo menstrual ou palpitações.
Entre os fatores que interferem na composição corporal estão disfunções da tireoide, excesso de cortisol e deficiência de hormônios sexuais. A endocrinologista Claudia Schimidt, também do Einstein, chama atenção para o impacto da privação de sono, que pode aumentar a fome, reduzir a disposição para exercícios e alterar o equilíbrio hormonal.
4. Usar medicamentos para emagrecer sem indicação
A popularização dos medicamentos agonistas do GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, também entrou na lista de preocupações dos especialistas. Essas substâncias são indicadas para casos de obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, e não para fins estéticos.
O uso sem indicação médica aumenta o risco de perda de massa muscular, especialmente em pessoas com menor excesso de gordura corporal. Além disso, doses inadequadas e falta de acompanhamento elevam a chance de efeitos adversos.
Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos no Brasil passou a exigir retenção de receita nas farmácias. A medida busca coibir o uso indiscriminado de substâncias como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida.

