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Protetor solar em bastão não garante proteção adequada, alertam dermatologistas

Especialistas explicam que o formato é útil para retoques durante o dia, mas exige cuidado com a quantidade aplicada

23 janeiro 2026 - 07h35Andreza de Oliveira
Usado de forma isolada, o protetor solar em bastão é insuficiente para proteger a pele, dizem dermatologistas.
Usado de forma isolada, o protetor solar em bastão é insuficiente para proteger a pele, dizem dermatologistas. - Foto: Boryanam/Adobe Stock

O protetor solar em bastão se tornou um dos produtos mais populares entre quem busca praticidade na rotina de cuidados com a pele. Fácil de aplicar e de transportar, ele aparece com frequência em bolsas, mochilas e até bolsos. No entanto, dermatologistas alertam que, quando usado de forma isolada, o bastão pode não oferecer a proteção necessária contra os raios UVA e UVB.

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De acordo com diretrizes internacionais, um protetor solar só atinge o nível de proteção indicado no rótulo quando aplicado na quantidade correta. A recomendação é de 2 miligramas de produto por centímetro quadrado de pele. Apenas para o rosto, isso representa cerca de 0,8 grama, considerando uma área média de 400 centímetros quadrados.

Essa regra vale para todos os tipos de protetor, independentemente da forma de apresentação. Seja em creme, líquido, spray ou bastão, a quantidade necessária para garantir a proteção é a mesma, explica o dermatologista Ivan Silva. Segundo ele, o problema está na forma como o produto em bastão costuma ser usado no dia a dia.

“No bastão, a quantidade liberada a cada passada é pequena. Para atingir o volume ideal, seria necessário passar várias vezes no mesmo local, o que geralmente não acontece”, afirma o médico. Na prática, a maioria das pessoas aplica o produto apenas uma ou duas vezes, o que reduz significativamente a eficácia da proteção.

Silva chama atenção para outro ponto que ajuda a ilustrar o problema. Um protetor solar em bastão com cerca de 15 gramas deveria durar poucos dias se fosse utilizado na quantidade correta. “Quando o produto dura semanas ou até meses, é um sinal claro de que está sendo aplicado menos do que o necessário”, observa. Para ele, as indústrias deveriam informar de forma mais clara nas embalagens a quantidade recomendada para garantir a proteção prometida.

Apesar das limitações, os especialistas não consideram o protetor em bastão um produto ineficaz. O dermatologista Fábio Rebucci, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia de São Paulo, explica que ele pode ser um aliado importante, desde que usado da forma correta.

“O ideal é aplicar primeiro um protetor solar em creme ou líquido e usar o bastão apenas por cima, para retoques ao longo do dia”, orienta. Segundo Rebucci, o bastão funciona melhor como complemento, não como única barreira contra o sol.

Ivan Silva faz a mesma recomendação. Ele indica aplicar o filtro solar tradicional, aguardar cerca de 10 minutos para a secagem e, só então, passar o bastão. Dessa forma, cria-se uma camada extra de proteção sobre a pele.

Quando utilizado como camada final, o bastão ajuda a manter a proteção contra queimaduras solares, envelhecimento precoce e câncer de pele. Além disso, sua textura costuma ser mais cerosa, formando uma película mais resistente na superfície da pele.

“Esse tipo de formulação tende a resistir melhor ao suor e a sair menos com o atrito, o que pode ser vantajoso em atividades físicas ou em eventos longos ao ar livre, como festas e períodos de calor intenso”, explica Silva.

Protetor solar com cor
Outra característica comum dos protetores em bastão é a versão com cor. Embora também não sejam indicados para uso isolado, esses produtos podem oferecer uma proteção adicional.

Segundo Rebucci, além dos filtros químicos, os protetores com cor possuem pigmentos que funcionam como uma barreira física parcial contra a radiação solar. Em especial, o óxido de ferro presente na fórmula ajuda a proteger contra a luz visível, fator associado ao surgimento e à piora de manchas, como o melasma.

Esses produtos também contribuem para uniformizar o tom da pele, o que faz com que muitas pessoas passem a usá-los no lugar da base ou do protetor tradicional. No entanto, o volume aplicado costuma ser menor do que o necessário.

“Se aplicarmos a quantidade correta de um protetor com cor, a pele fica muito pigmentada. Por isso, a tendência é usar menos produto, o que compromete a proteção”, explica Silva. A recomendação, portanto, segue a mesma lógica: usar o protetor com cor como complemento, nunca como única forma de proteção solar.

Reaplicação

E independentemente do tipo de protetor escolhido, a reaplicação é parte fundamental da proteção solar. Rebucci explica que, no caso do bastão, quanto mais camadas forem aplicadas, melhor, tanto na primeira aplicação quanto nos retoques ao longo do dia.

Em situações sem exposição direta intensa ao sol, o ideal seria reaplicar o protetor a cada três horas. Como isso nem sempre é viável, o dermatologista sugere uma aplicação pela manhã e mais duas ou três reaplicações ao longo do dia para manter uma proteção adequada.

Já em casos de exposição direta ao sol, como praia, piscina ou atividades ao ar livre, Ivan Silva lembra que a regra dos 2 miligramas por centímetro quadrado também vale para a reaplicação. Nesses casos, o intervalo recomendado é de duas horas.

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