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SAÚDE

Prisão de ventre nas férias é comum e pode ser evitada com ajustes simples na rotina

Mudanças de horários, alimentação e hidratação explicam por que o intestino costuma funcionar diferente durante viagens

3 janeiro 2026 - 08h20Estadão
Sair da rotina é um dos gatilhos para o intestino 'travar'
Sair da rotina é um dos gatilhos para o intestino 'travar' - ( Foto: Iryna/Adobe Stock)

Viagem costuma ser sinônimo de descanso e quebra da rotina, mas, para muitas pessoas, o período de férias traz um efeito colateral incômodo: a prisão de ventre. A mudança de hábitos, mesmo que temporária, interfere diretamente no funcionamento do intestino e pode provocar desconforto justamente nos dias reservados para relaxar.

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Dados epidemiológicos recentes, publicados em artigo do Medscape, indicam que a constipação afeta cerca de 12% da população mundial, sendo mais frequente entre mulheres e idosos. Nessas faixas etárias, alterações na alimentação e no ritmo diário explicam por que o intestino tende a “travar” durante viagens.

Antes de caracterizar o problema como constipação, especialistas alertam que cada pessoa possui um ritmo intestinal próprio. Segundo a gastroenterologista Perla Schulz, da Rede de Hospitais São Camilo, evacuar três vezes ao dia ou ficar até dois dias sem evacuar pode estar dentro da normalidade, desde que não haja desconforto.

“O que precisa ser observado são as mudanças no padrão habitual”, explica a médica. Alterações na consistência das fezes, dor, presença de sangue ou necessidade excessiva de esforço ao evacuar são sinais que merecem atenção.

A principal causa está na quebra da rotina. Horários irregulares para refeições e sono, alimentação diferente, menor consumo de água, pressa para aproveitar passeios e até o simples fato de estar em um ambiente desconhecido afetam o funcionamento intestinal.

Na prática, a constipação não surge por um único motivo, mas pela soma de vários fatores que acontecem ao mesmo tempo. A gastroenterologista Débora Poli, do Hospital Sírio-Libanês, explica que o intestino depende de regularidade. “Horários definidos, ingestão adequada de fibras e alimentação equilibrada são fundamentais para manter o padrão intestinal”, afirma.

Segundo Débora, algumas medidas simples ajudam a aliviar ou evitar o problema. A principal delas é priorizar alimentos ricos em fibras, como aveia, farelos, pães e massas integrais, grãos, verduras, legumes e frutas.

A hidratação também é essencial. “Não é preciso exagerar na água, mas manter uma boa ingestão ao longo do dia ajuda a evitar que as fezes fiquem ressecadas”, orienta a especialista.

A prática de atividade física é outro fator importante. Mesmo durante as férias, caminhadas leves ou alguns minutos na esteira, quando disponíveis, já estimulam o funcionamento do intestino.

Quando a alimentação não colabora, a suplementação de fibras pode ser uma alternativa. “É especialmente útil em viagens longas, quando não conseguimos manter uma dieta adequada”, explica Débora.

Embora o uso de laxantes seja comum na prática médica, os especialistas alertam que o recurso deve ser utilizado com orientação profissional, principalmente quando a constipação não é crônica.

“Cada tipo de laxante tem indicações e efeitos colaterais diferentes”, explica Débora. Entre as opções mais conhecidas estão os emolientes, como o óleo mineral; os osmóticos, que aumentam a quantidade de água no intestino; e os irritativos, que estimulam a motilidade intestinal.

Em geral, o tratamento começa com alternativas mais leves e só avança para opções mais potentes quando necessário, sempre de forma individualizada.

Não há necessidade de medidas preventivas antes da viagem. A orientação é se organizar. “Vale montar uma pequena farmacinha com suplementos de fibras ou medicamentos já conhecidos e levar alimentos ricos em fibras que sejam fáceis de transportar”, aconselha Débora.

Alterações intestinais durante viagens ou períodos de estresse costumam ser temporárias e, na maioria dos casos, não indicam problemas graves. No entanto, alguns sinais exigem avaliação médica, como dor intensa, sangramento, anemia, perda de peso, fraqueza ou persistência dos sintomas.

“Qualquer situação em que a constipação interfira na qualidade de vida já é motivo suficiente para buscar orientação médica”, finaliza a especialista.

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