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SAÚDE PÚBLICA

Pagamento encerra paralisação e enfermeiros da Santa Casa retomam atividades

Quitação de salário de dezembro e do 13º afasta greve após pressão sindical e repasse emergencial

9 janeiro 2026 - 14h28Douglas Vieira
Enfermeiros da Santa Casa suspenderam paralisação após confirmação do pagamento de salários e do décimo terceiro.
Enfermeiros da Santa Casa suspenderam paralisação após confirmação do pagamento de salários e do décimo terceiro. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O pagamento do salário referente ao mês de dezembro e da segunda parcela do décimo terceiro salário dos enfermeiros da Santa Casa de Campo Grande foi confirmado nesta sexta-feira (9). Com a regularização, o indicativo de greve da categoria foi suspenso, encerrando o movimento de paralisação que mobilizou parte dos trabalhadores do hospital.

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A confirmação foi feita pelo Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul). Segundo o presidente da entidade, Lázaro Santana, os valores foram creditados nas contas dos colaboradores por volta das 12h30. “O dinheiro caiu na conta dos trabalhadores no início da tarde, o que garantiu o encerramento da paralisação”, informou.

Na manhã desta sexta-feira, enfermeiros e funcionários do setor administrativo participavam de assembleia geral para decidir sobre a deflagração de greve. Durante a reunião, a categoria cobrava o pagamento do salário atrasado de dezembro e a confirmação do repasse da segunda parcela do décimo terceiro salário, que havia sido dividida em duas partes de 50%. Cerca de metade dos trabalhadores havia aderido ao indicativo de paralisação caso os valores não fossem pagos ao longo do dia.

Após a aprovação do indicativo, a Prefeitura de Campo Grande afirmou que os repasses previstos pela administração municipal e pela gestão estadual seriam efetuados ainda nesta sexta-feira. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou que os recursos de responsabilidade do município e do Estado estavam programados para pagamento no mesmo dia.

“A Sesau informa que os repasses de responsabilidade do Município e do Estado estão programados para serem efetuados nesta sexta-feira (9)”, comunicou a pasta.

Mesmo com a confirmação dos valores, parte dos trabalhadores chegou a suspender atividades na manhã de hoje. Aproximadamente 50% dos funcionários cruzaram os braços em protesto pelo não pagamento dos salários dentro do prazo legal, situação que se repetiu em outros momentos ao longo dos últimos meses.

Reforço financeiro emergencial - Após mais um episódio de paralisação, a Prefeitura de Campo Grande formalizou um reforço financeiro emergencial para a Santa Casa e prorrogou a vigência do convênio que garante o atendimento à população. O extrato do aditivo foi publicado no Diário Oficial do Município (Diogrande) desta sexta-feira (9).

O atraso nos salários, segundo a direção da Santa Casa, ocorreu por falhas nos repasses da Prefeitura, incluindo dificuldades técnicas no sistema bancário e mudanças administrativas na Secretaria de Fazenda.

O aditivo ao convênio prevê um acréscimo pontual de R$ 54.181.702,00 para reforçar o financiamento da instituição entre janeiro e abril de 2026. O valor será dividido entre recursos municipais, estaduais e federais.

Do total, R$ 15.117.702,00 serão aportados pelo Município, com parcelas programadas entre janeiro e abril de 2026, incluindo repasses mensais de R$ 1,3 milhão e duas parcelas extras de R$ 5 milhões e R$ 4,917 milhões. O Estado deverá contribuir com R$ 23.064.000,00, também em parcelas mensais no mesmo período. Já o Governo Federal destinará R$ 16 milhões, oriundos de emendas parlamentares, com repasse previsto até o fim de março de 2026.

O reforço financeiro integra um acordo mediado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em 29 de dezembro de 2025, que também redefiniu a vigência do convênio da Santa Casa para o período de 31 de janeiro a 30 de abril de 2026.

Crise financeira se arrasta - A Santa Casa de Campo Grande enfrenta uma crise financeira prolongada, com déficits acumulados que comprometem a manutenção de serviços essenciais e resultam em atrasos frequentes no pagamento dos profissionais de saúde. No fim de 2025, novos protestos já haviam sido registrados, quando trabalhadores paralisaram atividades para cobrar o pagamento do décimo terceiro salário.

Representantes dos funcionários avaliam que as paralisações refletem a insegurança recorrente quanto ao cumprimento de direitos trabalhistas básicos e à previsibilidade dos salários, cenário que segue pressionando a gestão hospitalar e o poder público.

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