
A fiscalização contra medicamentos falsificados e irregulares foi intensificada em Mato Grosso do Sul com a deflagração da Operação Visa-Protege, que resultou na apreensão de mais de R$ 1 milhão em produtos clandestinos. A ação, que envolveu a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Polícia Civil, SES/MS (Secretaria de Estado de Saúde), CRF/MS (Conselho Regional de Farmácia) e os Correios, ocorreu entre 2 e 4 de fevereiro de 2026, e focou no combate ao contrabando de medicamentos, como as canetas emagrecedoras, provenientes do Paraguai e distribuídas através de remessas postais.
A operação teve início no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios em Campo Grande, e encontrou cerca de mil unidades de medicamentos, que custam entre R$ 800 e R$ 1.600 cada. Estes produtos, que chegam a custar até R$ 2.400 no mercado negro, representam um risco grave à saúde dos consumidores, uma vez que não possuem registro sanitário, rastreabilidade ou controle de qualidade. Medicamentos como a tirzepatida e a substância retatrutida, ainda em fase de testes, são vendidos de forma clandestina e podem causar danos severos à saúde, incluindo câncer, insuficiência renal e pancreatite aguda.
A crise das "soluções milagrosas" - O aumento da comercialização de "soluções milagrosas", especialmente medicamentos injetáveis para emagrecimento, é um dos maiores desafios para a saúde pública no Brasil. A Anvisa tem intensificado a fiscalização para proibir a venda desses produtos, como o Retatrutida, que é comercializado clandestinamente com promessas de emagrecimento rápido, mas sem qualquer comprovação científica de eficácia e segurança. Esses produtos, além de serem falsificados, muitas vezes têm embalagens sofisticadas que tentam enganar os consumidores, apresentando falsamente sua origem como de países como Alemanha ou Reino Unido.
Os medicamentos clandestinos apreendidos durante a operação não oferecem garantia de doses seguras e estão diretamente relacionados a diversos problemas de saúde em consumidores que fazem uso de forma indiscriminada, muitas vezes sem acompanhamento médico.
A SES/MS, por meio da Coordenadoria de Vigilância Sanitária, anunciou que a Operação Visa-Protege será uma ação contínua e deverá se expandir para outros pontos críticos de trânsito de mercadorias, como transportadoras, aeroportos e rodovias federais e estaduais. Matheus Pirolo, gerente do Sistema Estadual de Vigilância Sanitária, explicou que a escolha pelos Correios para o início da operação se deve à relevância da instituição pública, e reforçou a importância da proteção contra o uso de um equipamento de valor social para fins ilegais.
Fiscalização nas fronteiras - A fiscalização nas rodovias estaduais de Mato Grosso do Sul também foi intensificada após o aumento do contrabando de canetas emagrecedoras que chegam do Paraguai. Em janeiro, a polícia já havia identificado uma explosão no tráfico desses medicamentos, especialmente a substância retatrutida, que se tornou uma "sensação" no mercado clandestino, embora ainda não esteja legalmente disponível no Brasil.
A Anvisa alerta sobre os riscos do consumo desses medicamentos e reforça que, sem a devida avaliação médica, o uso de produtos clandestinos pode levar a consequências graves para a saúde. A previsão é que o Retatrutida só esteja disponível legalmente no mercado em 2027, caso seja aprovado.

