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CASO SHEIZA

Morte de estudante sul-mato-grossense potencializa debate sobre cirurgia plástica

A morte de Sheiza Ayala despertou a atenção nacional em torno do assunto

26 setembro 2020 - 10h40Iury de Oliveira
A estudante Sheiza Ayala
A estudante Sheiza Ayala - (Foto: Reprodução)
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A morte da estudante Sheiza Ayala, 22, na última semana, após aplicar hidrogel nos glúteos em uma clínica clandestina no Paraguai chamou atenção para o assunto cirurgias plásticas e procedimentos estéticos em clínicas clandestinas.

Ao portal A Crítica, o cirurgião plástico Cezar Benavides alega que algumas pessoas vão a clinicas clandestinas iludidas pelo preço. “As pessoas são atraídas pelo preço baixo e pela promessa de resultados milagrosos”, relata.

Segundo o cirurgião, é consenso entre especialistas o não uso do hidrogel. “Esse produto se mal aplicado pode interferir nos nervos, causar necrose e até a perda do órgão, e nem sempre e na hora, às vezes o problema vem depois de anos. E até a remoção é arriscada por conta do risco de cair na circulação”, alertou.

O Brasil é o que mais realiza cirurgias plásticas no mundo segundo Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS). De acordo com o levantamento divulgado em 2019, foram mais de 1 milhão 498 mil cirurgias plásticas estéticas em nosso país, além de mais de 969 mil procedimentos estéticos não-cirúrgicos realizados em 2018.

Para a psicóloga Raquel Almirão, algumas mulheres acabam condicionando à felicidade a beleza e por isso procuram esses procedimentos. “Existe uma obsessão pela beleza. Elas acham que vão ser muito mais felizes após a cirurgia e acabam muitas vezes se frustrando” alega.

Plásticas em adolescentes - De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP),  nos últimos dez anos houve um aumento de 141% nos procedimentos em jovens de 13 a 18 anos.

Para a psicóloga, isso se deve ao fato de muitos adolescentes não receberem o tratamento ideal no período da adolescência. “A adolescência é o período em que o ser começa construir sua independência e assumir seus desejos e muitos adultos os desencorajam. Quando um adolescente faz coisas como beber e fumar, ele é tratado como adulto mesmo sem ter formado seu juízo”, coloca.

Para a profissional isso os forma tendo a imagem de que são imperfeitos. “A beleza o faria sair da imperfeição e por isso a procura por esses procedimentos”, finaliza.

O caso Sheiza Ayala - A estudante morreu no último dia 18 em Ponta Porã, a 295 km de Campo Grande, cinco dias após aplicar hidrogel nos glúteos em uma clínica clandestina no Paraguai. A médica teria indicado a paciente a tomar café e Coca-Cola, pois o mal estar poderia ser ansiedade.

Ela teria aplicado a substância altamente perigosa no sábado (12) e precisou ser internada 48h após o procedimento.  No mesmo dia, ao longo da tarde, ela avisou à suposta médica responsável pela clínica que estava com falta de ar e febre, segundo relata a família de Sheiza.

Os sintomas permaneceram, e Sheiza deu entrada na segunda-feira (14) no Hospital Regional de Ponta Porã, com o quadro de saúde bastante debilitado. Em uma tomografia, os médicos constataram tromboembolismo pulmonar — bloqueio de uma ou mais artérias pulmonares. Além disso, houve hemorragia interna.

A imprensa paraguaia afirma que a médica que aplicou o hidrogel responde por homicídio culposo, em razão de uma paciente de 28 anos ter morrido em 2019 pelo mesmo motivo, em Pedro Juan Caballero.

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