
Um detalhe observado dentro da casa do Big Brother Brasil levou o tema para as redes sociais: o aspecto esbranquiçado na língua de um dos participantes. A repercussão reacendeu um alerta importante. Embora muitas vezes seja ignorada no dia a dia, a aparência da língua pode revelar sinais relevantes sobre a saúde bucal e até sobre o estado geral do organismo.
Participantes conversam na casa do BBB em momento que gerou repercussão nas redes sociais - (Foto: Reprodução)
De acordo com a cirurgiã-dentista Suyana Carneiro, da Hapvida, a chamada língua branca costuma ser resultado do acúmulo de bactérias, restos de alimentos e células mortas que ficam retidos nas papilas gustativas. “Essa alteração acontece principalmente pelo acúmulo de bactérias, restos de alimentos e células mortas que ficam presas nas papilas gustativas”, explica.
Segundo a especialista, o problema não deve ser visto apenas como questão estética. “Pode ser um indicativo de várias condições, que vão desde uma simples presença de resíduos alimentares ou falta de higiene adequada até situações que merecem maior atenção de um profissional de saúde”, alerta.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que doenças bucais afetam cerca de 3,5 bilhões de pessoas no mundo. A higiene oral inadequada está entre os principais fatores associados a alterações na cavidade oral. A superfície irregular da língua favorece o acúmulo de resíduos e a formação da chamada saburra lingual.
Outras causas - Além da higiene insuficiente, a língua branca pode estar relacionada à boca seca, desidratação, tabagismo, uso de antibióticos, respiração pela boca, consumo excessivo de café ou álcool e uso de medicamentos, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras. Baixa imunidade, estresse, alterações hormonais, problemas gastrointestinais e diabetes descompensada também estão entre os fatores associados.
“A higiene é um dos principais fatores, mas não é o único. Nem sempre significa que a pessoa escovou errado; às vezes é o corpo dando um sinal de que algo não está equilibrado”, destaca Suyana.
Na maioria dos casos, trata-se de uma condição benigna. Quando a camada é leve, sai com escovação ou raspagem e não há dor, ardência ou odor intenso, geralmente não representa risco. Já placas espessas que não desaparecem facilmente, além de dor, queimação, feridas, manchas vermelhas, febre ou mal-estar, são sinais de alerta.
Uma das condições associadas é a candidíase oral, infecção fúngica mais comum em pessoas com baixa imunidade ou que fazem uso prolongado de antibióticos e corticoides. “Placas brancas com aspecto de leite coalhado, que deixam a região vermelha e sensível quando raspadas, além de ardência ou gosto metálico, podem indicar infecção e precisam de avaliação profissional. A língua é quase um espelho da saúde. Não é diagnóstico sozinho, mas é um sinal importante”, afirma.
A alteração também costuma estar ligada ao mau hálito, já que a camada acumulada concentra bactérias responsáveis pela produção de compostos sulfurados, que causam odor desagradável.
Limpeza correta - A orientação é higienizar a língua diariamente após a escovação dos dentes, utilizando raspador lingual ou escova macia, com movimentos suaves de dentro para fora, sem aplicar força excessiva. Produtos caseiros abrasivos, como bicarbonato puro, sal grosso ou limão diretamente na língua, devem ser evitados para prevenir irritações e ferimentos.
A recomendação é procurar avaliação odontológica se a alteração persistir por mais de duas semanas ou vier acompanhada de sangramento, dor constante, manchas que não desaparecem, feridas ou dificuldade para engolir.
Crianças e idosos merecem atenção redobrada. Nos pequenos, a imunidade ainda em desenvolvimento e o uso frequente de antibióticos podem favorecer o problema. Já nos idosos, boca seca causada por medicamentos, uso prolongado de próteses e limitações motoras aumentam a predisposição.
Carnaval e cuidados - Durante o Carnaval, período marcado por maior contato físico e troca de beijos, os cuidados devem ser reforçados. Infecções como herpes labial, candidíase oral e outras doenças transmissíveis podem ser disseminadas pelo contato direto com a saliva, especialmente quando há feridas ou lesões na boca.
Evitar beijar pessoas com sinais visíveis de lesões, manter boa higiene e hidratação são medidas importantes. O consumo de bebidas alcoólicas, comum nessa época, pode favorecer a boca seca, aumentar o mau hálito e intensificar a formação de saburra lingual.
Caso surjam dor, feridas persistentes ou placas que não desaparecem após o período festivo, a orientação é buscar avaliação odontológica para diagnóstico adequado.
