
O jejum intermitente virou pauta popular nas redes sociais, entre celebridades, influenciadores e, cada vez mais, dentro dos consultórios de nutrição. Mas, ao contrário do que muitos pensam, não se trata de uma “dieta milagrosa”, tampouco é indicado para todos os perfis. O alerta é do nutricionista Emerson Duarte, que concedeu entrevista ao Giro Estadual de Notícias na sexta-feira (16).
“Jejum intermitente não é dieta. É um protocolo nutricional que deve ser feito em situações específicas, por períodos curtos e com acompanhamento profissional”, pontuou Duarte. Segundo ele, o maior erro está na adoção indiscriminada da prática, feita diariamente e sem critério. “Muita gente faz por conta própria e passa mal. Diabéticos, por exemplo, não devem jejuar. O risco de hipoglicemia é real”, destacou.
Ficar horas sem comer não é sinônimo de emagrecimento - Duarte explica que o jejum começa a fazer efeito real a partir de 14 horas sem ingestão de alimentos que estimulem liberação de insulina. Durante esse período, o corpo passa a queimar reservas, o que pode favorecer a perda de gordura. Mas há detalhes importantes: não pode haver consumo de nada calórico – nem mesmo um limão espremido ou refrigerantes zero.
Além disso, o nutricionista alerta para o efeito rebote, comum em quem jejua todos os dias. “O corpo interpreta o jejum constante como ameaça e começa a armazenar gordura como defesa. É por isso que muitas pessoas que dizem jejuar estão acima do peso. Se fosse tão simples, estariam magras”, ironizou.
Duarte explica que o jejum começa a fazer efeito real a partir de 14 horas sem ingestão de alimentos que estimulem liberação de insulina - (Foto: Rafael Rodrigues)Duarte foi didático ao orientar o público sobre como começar. “A última refeição antes do jejum precisa ser rica em proteína e gordura boa – como carne magra, ovos, azeite ou abacate. Nada de carboidrato. E o mesmo vale para quebrar o jejum: não adianta passar 16 horas sem comer e depois atacar arroz e feijão. Todo o esforço é anulado”, explicou.
Segundo ele, o protocolo básico para iniciantes é simples: jantar às 19h, pular o café da manhã e almoçar ao meio-dia. “Isso dá umas 17 horas de jejum, já com bons resultados se feito em dias alternados. Associar a atividade física leve pode potencializar a queima de gordura”, completou.
Canetas emagrecedoras e imediatismo: o perigo da pressa pelo corpo ideal - Durante a entrevista, o nutricionista criticou o uso descontrolado das chamadas canetas emagrecedoras, muitas vezes obtidas de forma clandestina. “As pessoas injetam algo que nem sabem o que é, sem controle, sem orientação e acham caro comer ovo, tomate, banana. É o imediatismo. Querem o corpo perfeito, a qualquer custo, e esquecem da saúde”, lamentou.
Ele ainda explicou que, sem acompanhamento, essas substâncias causam efeito sanfona e podem levar a quadros graves de ansiedade e compulsão alimentar. “A pessoa emagrece, para de usar, volta a engordar e entra num ciclo que termina em frustração – e, em casos extremos, em internações”, alertou.
O jejum intermitente, embora seja milenar, como lembrou Duarte, não é para todo mundo. “Diabéticos, hipertensos, pessoas com transtornos alimentares, ansiedade ou em uso de medicações não devem fazer jejum sem liberação médica. Os riscos superam os possíveis benefícios”, reforçou.
Segundo ele, o ideal é que o paciente tenha acompanhamento individualizado, com metas realistas de perda de peso – como 2 ou 3 quilos por quinzena – associando bons hábitos alimentares a atividades físicas regulares. Mais informações podem ser acessadas no perfil @nutriemersonduarte no Instagram.

