
O mês de janeiro é tradicionalmente marcado pela campanha Janeiro Branco, movimento nacional que chama a atenção para a importância do cuidado com a saúde mental e emocional. Em Campo Grande, esse atendimento é realizado de forma contínua ao longo do ano por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), que conta com uma rede estruturada para acolher e tratar pacientes de acordo com a complexidade de cada situação.
Na Capital, o cuidado em saúde mental é organizado pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que integra diferentes serviços e níveis de atenção, garantindo acolhimento humanizado e encaminhamento adequado. Ao contrário do que muitos imaginam, o atendimento não se restringe aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
A porta de entrada para o cuidado em saúde mental também está nas Unidades de Saúde da Família (USFs) e no Ambulatório de Saúde Mental, que atuam de forma articulada para atender desde casos leves até situações mais complexas.
De acordo com a médica psiquiatra e coordenadora do Ambulatório de Saúde Mental, Maria Letícia Nantes, as unidades básicas exercem papel central nesse processo. “A unidade básica também faz parte da rede de atendimento psicossocial, justamente porque a equipe do território já conhece o histórico do paciente”, explica.
Ao perceber sinais de sofrimento emocional, o paciente deve procurar a USF de referência da região onde reside. Nesse primeiro contato, ele é acolhido pela equipe de saúde e passa por uma avaliação clínica, que irá definir o encaminhamento mais adequado, considerando a gravidade do quadro apresentado.
Nos casos classificados como leves, o acompanhamento ocorre na própria unidade básica, com o médico de saúde da família e comunidade. Nesse contexto, o paciente pode receber orientações, acompanhamento contínuo e, quando necessário, prescrição de medicamentos. Em unidades que contam com equipes e-MULTI, o cuidado é ampliado com atendimento psicológico, conforme a necessidade individual, fortalecendo o vínculo com a comunidade.
Quando o quadro é considerado moderado, o paciente é encaminhado, por meio do sistema Sisreg, para atendimento especializado em um dos ambulatórios de saúde mental do município. Nesses locais, são oferecidos acompanhamentos psicológico e psiquiátrico, com foco na estabilização e no cuidado contínuo.
Já os casos graves ou situações de crise são atendidos diretamente nos Centros de Atenção Psicossocial. Segundo a médica, o acesso ao CAPS não exige encaminhamento prévio. “O CAPS é destinado para aqueles pacientes que apresentam um quadro grave ou que estão em crise. O atendimento é por demanda espontânea e funciona 24 horas”, afirma Maria Letícia Nantes.
Campo Grande conta atualmente com sete unidades de CAPS. Destas, duas são voltadas ao atendimento de pessoas com dependência de álcool e outras drogas, uma é exclusiva para crianças e adolescentes, e as demais atendem adultos com transtornos mentais graves e persistentes.
A estrutura reforça o compromisso do município em garantir atendimento integral em saúde mental, alinhado aos princípios do SUS e às diretrizes da campanha Janeiro Branco, que busca ampliar o debate e reduzir o estigma relacionado ao cuidado emocional.
Endereços dos CAPS em Campo Grande
CAPS AD IV
Rua Theotônio Rosa Pires, 19 – Jardim São BentoCAPS AD III
Avenida Manoel da Costa Lima, 3272 – GuanandiCAPS III Margarida
Rua Itambé, 2939 – Vila RicaCAPS III Vila Almeida
Rua Marechal Hermes, 854 – Vila AlmeidaCAPS III Afrodite Doris Contis
Rua São Paulo, 70 – São FranciscoCAPS III Aero Rancho
Avenida Manoel da Costa Lima, 3272 – GuanandiCAPS III Infanto-Juvenil
Rua São Paulo, 70 – São Francisco

