Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
26 de janeiro de 2026 - 18h06
ALERTA SANITÁRIO

Índia confirma casos de vírus Nipah e reforça vigilância após internação de enfermeiras

Infecção tem alta taxa de letalidade e é considerada prioridade pela OMS, mas apresenta baixa transmissibilidade

26 janeiro 2026 - 16h45Isabela Moya
Autoridades da Índia reforçaram medidas de vigilância após confirmação de novos casos do vírus Nipah.
Autoridades da Índia reforçaram medidas de vigilância após confirmação de novos casos do vírus Nipah. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

Autoridades sanitárias da Índia confirmaram, no último dia 13, dois casos de infecção pelo vírus Nipah. As pacientes são duas enfermeiras de um mesmo hospital, que seguem internadas com um quadro grave de encefalite — inflamação do cérebro — associado à rápida evolução para insuficiência respiratória.

Canal WhatsApp

Segundo o governo indiano, o vírus é considerado “altamente fatal, mas de propagação limitada”. Ainda assim, o Nipah integra a lista de doenças prioritárias da Organização Mundial da Saúde (OMS) por seu potencial de provocar uma emergência de saúde pública. A taxa de letalidade estimada varia entre 40% e 75%.

Em nota, o Ministério da Saúde da Índia informou que adotou medidas imediatas para conter o avanço da infecção. “Ações coordenadas foram iniciadas, incluindo apoio laboratorial, vigilância reforçada, gestão de casos, controle de infecção e orientação especializada”, destacou a pasta.

Como ocorre a transmissão - O vírus Nipah pode ser transmitido aos seres humanos por meio de animais infectados, alimentos contaminados ou diretamente de pessoa para pessoa. A transmissão interpessoal ocorre principalmente pelo contato próximo com fluidos corporais ou gotículas respiratórias, especialmente em ambientes domiciliares e hospitalares.

Os hospedeiros naturais do vírus são morcegos da família Pteropodidae, conhecidos como morcegos frugívoros. Outros animais, como porcos e cavalos, também podem ser infectados e atuar como intermediários. Um dos principais fatores de risco para humanos é o consumo de frutas ou sucos contaminados com urina ou saliva de morcegos, já que esses animais se alimentam de frutas.

A infecção pelo vírus Nipah pode variar de casos assintomáticos a quadros graves. Entre os sintomas mais comuns estão febre, dor de cabeça, tosse, dor de garganta, dificuldade para respirar e vômitos.

Em situações mais severas, a doença pode evoluir rapidamente para encefalite, com sonolência, confusão mental, convulsões e coma, em um intervalo de 24 a 48 horas. O vírus também provoca doenças graves em animais, especialmente em porcos, gerando impactos econômicos significativos.

Tratamento e prevenção - Até o momento, não existem vacinas, medicamentos ou tratamentos específicos aprovados para a infecção pelo vírus Nipah. O tratamento é exclusivamente de suporte, voltado para o controle dos sintomas e das complicações.

Medidas preventivas incluem higienização frequente das mãos, evitar contato com morcegos, porcos doentes ou seus abrigos, além de não consumir frutas ou seiva de palmeiras que possam estar contaminadas.

“Uma das recomendações da Organização Mundial da Saúde é higienizar bem as frutas, verificar se há sinais de mordida de morcego e retirar a casca”, explica a infectologista Kamilla Moraes, da UPA Vila Santa Catarina, unidade pública gerenciada pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
“O tratamento é apenas de suporte. Não há nenhuma medida preventiva farmacológica”, acrescenta.

De acordo com especialistas, muitos pacientes se recuperam totalmente, mas cerca de 20% podem apresentar sequelas neurológicas permanentes, como crises convulsivas e alterações de personalidade. Há ainda relatos raros de recaídas ou de encefalite de início tardio.

O vírus Nipah já causou surtos em diversos países asiáticos. Em 2024, um adolescente de 14 anos morreu na Índia após contrair a infecção. O primeiro surto reconhecido ocorreu na Malásia, com casos também em Singapura, onde a maioria das infecções humanas esteve associada ao contato direto com porcos doentes.

Em episódios posteriores registrados em Bangladesh e na própria Índia, a principal fonte de infecção foi o consumo de frutas ou derivados contaminados por morcegos infectados. A transmissão entre humanos também foi documentada, especialmente entre familiares e profissionais de saúde que cuidaram de pacientes infectados.

Risco para o Brasil - Segundo a infectologista Kamilla Moraes, apesar da preocupação global com a disseminação de doenças emergentes, não há registro de casos de vírus Nipah no Brasil. “Existe uma atenção mundial por conta da globalização, mas, no Brasil, não há nenhum alerta. É um momento de monitoramento, não de alarme”, afirma.

As autoridades sanitárias brasileiras acompanham a situação internacional, mas, até o momento, não há indicação de risco iminente de introdução do vírus no país.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop