Grupo Feitosa de Comunicação
(67) 99974-5440
(67) 3317-7890
22 de janeiro de 2026 - 15h46
SEGOV IPVA
SAÚDE

Governo quer usar Enamed como exame para liberar exercício da medicina

Proposta prevê que registro profissional dependa do desempenho na avaliação e ainda será debatida no Congresso

22 janeiro 2026 - 14h40
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defende uso do Enamed como critério para exercício da medicina.
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defende uso do Enamed como critério para exercício da medicina. - (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O Governo Federal pretende encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta para que o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) passe a funcionar também como exame de proficiência, determinando se médicos recém-formados estão aptos a exercer a profissão. Pela ideia apresentada, o registro profissional dependeria do desempenho do candidato na avaliação.

Canal WhatsApp

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o Executivo pretende aproveitar o debate já em curso no Legislativo sobre a criação de um exame de proficiência médica para apresentar o Enamed como uma alternativa mais ampla e estruturada. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro.

De acordo com Padilha, a principal diferença do Enamed em relação a outras propostas está no formato da avaliação. O exame é aplicado em diferentes etapas da graduação. “Primeiro porque ele vai ser feito no segundo, no quarto e no sexto ano da faculdade, ou seja, ele avalia o progresso. E ele é feito pelo Ministério da Educação, que tem como interesse principal a formação médica, e não por outra entidade que possa ter qualquer outro interesse com relação a isso”, afirmou o ministro.

O titular da Saúde explicou que a mudança só poderá ser adotada após alteração na legislação brasileira. Por esse motivo, a proposta não teria efeito imediato e não valeria para a edição de 2025 do Enamed, cujo resultado foi divulgado nesta semana. Caso seja aprovada, a nova regra passaria a valer apenas para edições futuras do exame.

Padilha também contestou avaliações de que os dados do Enamed revelariam um cenário generalizado de colapso na formação médica no país. Segundo ele, o desempenho dos estudantes foi majoritariamente positivo. “A grande maioria dos estudantes teve um resultado muito positivo e mesmo nas instituições que foram mal avaliadas, você tem alunos que tiveram um resultado muito positivo”, disse.

Para o ministro, o foco principal deve estar na melhoria das instituições que apresentaram desempenho insatisfatório. Ele defendeu medidas mais rígidas para essas faculdades. “Mais importante que o Enamed são as medidas para melhorar essas instituições. Se elas não melhorarem, não vão poder fazer mais vestibular, não vão poder ampliar vagas e talvez não possam nem mais funcionar”, afirmou.

O Enamed, segundo Padilha, faz parte de um conjunto de ações adotadas pelo governo para aprimorar a formação médica no Brasil. Entre elas estão a aprovação de novas diretrizes curriculares e a criação do Exame Nacional de Residência (Enare), que unificou o acesso aos programas de residência médica no país. A partir deste ano, o Enare passou a aceitar a nota do Enamed como critério de ingresso.

A discussão sobre o uso do Enamed como exame de proficiência ganhou força após posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM). A entidade defende que o exame já aplicado em 2025 seja utilizado para impedir o registro profissional de formandos com nota insuficiente. Para o CFM, os resultados apontam um problema estrutural grave na formação médica, já que cerca de um terço dos cursos avaliados teve desempenho considerado insuficiente, a maioria ligada à rede privada ou municipal.

Em sentido oposto, a Associação Brasileira de Médicos Pós-Graduados (Abramepo) criticou a proposta do CFM. Para a entidade, usar o Enamed já realizado como prova de proficiência configuraria usurpação de funções e oportunismo. Em nota, a Abramepo afirmou que, embora os números revelem fragilidades na formação médica, não cabe a uma autarquia de classe criar barreiras adicionais ao exercício profissional.

“A reprovação de 30% dos cursos de medicina e o baixo desempenho de milhares de formandos confirmam um cenário de precarização do ensino e a necessidade urgente de vigilância estatal mais rígida. O que não se pode admitir é que uma autarquia de classe atue como um segundo filtro acadêmico, extrapolando suas atribuições”, declarou a associação.

O tema deve seguir em debate no Congresso Nacional e envolve interesses de estudantes, instituições de ensino, conselhos profissionais e do próprio governo, que busca um modelo de avaliação capaz de garantir qualidade na formação médica sem criar insegurança jurídica para os futuros profissionais.

Assine a Newsletter
Banner Whatsapp Desktop