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SAÚDE

Fundação do Câncer orienta substituição do Papanicolau por teste de HPV

Nova edição traz mudanças na vacinação e detalha a adoção gradual do exame molecular no SUS

8 janeiro 2026 - 07h30Agência Brasil
Nova versão do guia orienta a substituição gradual do Papanicolau pelo teste molecular de HPV no SUS.
Nova versão do guia orienta a substituição gradual do Papanicolau pelo teste molecular de HPV no SUS. - (Foto: João Risi/MS)

A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8) a versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, iniciativa que integra as ações do Janeiro Verde, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da doença. A atualização reflete mudanças recentes nas políticas públicas de vacinação e rastreamento, com foco na transição gradual do exame Papanicolau para o teste molecular de DNA-HPV no Sistema Único de Saúde (SUS).

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A primeira edição do guia foi publicada em 2022, quando as principais estratégias de prevenção estavam centradas na vacinação contra o HPV e no rastreamento por citologia. Desde então, avanços científicos e decisões regulatórias alteraram esse cenário, exigindo a atualização das orientações voltadas aos profissionais de saúde.

Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa, as mudanças se intensificaram especialmente a partir de 2024 e 2025. “Tanto a vacinação quanto o método de rastreamento passaram por transformações importantes. Houve ampliação do público-alvo da vacinação contra o HPV e a incorporação dos testes moleculares ao SUS”, explicou.

O novo guia já incorpora as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que preveem a substituição progressiva do Papanicolau pelo teste de DNA-HPV.

De acordo com a Fundação do Câncer, os testes moleculares para detecção do HPV oncogênico começaram a ser incorporados ao SUS em 2024. O processo de implementação teve início em setembro do ano passado, coordenado por um núcleo da Secretaria de Atenção Especializada em Saúde, do Ministério da Saúde.

Inicialmente, municípios de 12 estados foram selecionados para dar início à adoção do novo método. Eles se encontram em diferentes estágios de implantação. Agora, o ministério já iniciou conversas com outros 12 estados para ampliar a cobertura. Onde o teste molecular ainda não estiver disponível, seguem valendo as regras do rastreamento citológico tradicional.

O cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, explica que a principal vantagem do novo exame está na detecção mais precoce. “Enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares já instaladas, o teste de DNA-HPV detecta a infecção, ampliando a efetividade da prevenção”, afirmou.

O público-alvo do rastreamento permanece o mesmo no Brasil: mulheres entre 25 e 64 anos. Segundo Flávia Corrêa, a decisão de manter essa faixa etária evita a convivência de dois métodos diferentes em uma mesma unidade de saúde. “As duas técnicas não podem coexistir, porque isso pode gerar confusão e até a realização desnecessária de dois testes na mesma mulher”, alertou.

Outra mudança importante está na periodicidade. No modelo antigo, o Papanicolau era anual até dois resultados negativos consecutivos e, depois disso, passava a ser feito a cada três anos. Com o teste molecular, o intervalo é ampliado para cinco anos quando o resultado é negativo, já que o exame tem alta sensibilidade e segurança.

Nos casos em que o teste identifica os tipos HPV 16 ou 18, responsáveis por cerca de 70% dos cânceres de colo do útero, o encaminhamento para colposcopia é imediato. Para outros tipos oncogênicos, considerados de risco intermediário, é feita uma citologia reflexa no mesmo material coletado. Dependendo do resultado, a mulher pode ser encaminhada à colposcopia ou repetir o teste em um ano.

O Brasil aderiu à Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a eliminação do câncer do colo do útero, que estabelece metas até 2030: vacinar 90% das meninas até os 15 anos, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das pacientes diagnosticadas.

Flávia Corrêa destaca que a vacinação é o pilar mais eficaz da prevenção. “Sem infecção por HPV, o câncer não ocorre. Essa é a prevenção primária”, afirmou. Após queda na cobertura durante a pandemia e com o avanço de movimentos antivacina, o Programa Nacional de Imunizações passou a realizar, desde o fim de 2024, a busca ativa de adolescentes entre 15 e 19 anos que não receberam a vacina.

A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no SUS desde 2014 e protege contra os tipos mais associados ao câncer do colo do útero. Atualmente, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única.

Além da vacinação e do rastreamento, o terceiro pilar da estratégia é o tratamento oportuno. “Não basta identificar a lesão. Se não houver tratamento adequado, a prevenção se rompe”, explicou a médica, ressaltando a necessidade de uma rede de cuidado estruturada.

A vacinação gratuita também está disponível no SUS para grupos prioritários, como pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de abuso sexual e usuários de PrEP, entre 9 e 45 anos. Mulheres de 20 a 45 anos fora desses grupos podem se vacinar apenas na rede privada, em esquema de três doses, mediante decisão compartilhada com o profissional de saúde.

Para Flávia Corrêa, a atualização do guia reforça a importância de alinhar ciência, políticas públicas e prática clínica. “A mudança do teste aproxima o Brasil de países que já conseguiram reduzir drasticamente a incidência da doença”, afirmou.

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