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ADULTIZAÇÃO INFANTIL

Especialistas alertam para os riscos das redes sociais no desenvolvimento das crianças

Pediatras e psiquiatras da Unimed Campo Grande destacam impactos emocionais e psicológicos causados pela exposição precoce a comportamentos adultos, como no caso do influenciador Felca

30 agosto 2025 - 09h35Da Redação
Especialistas alertam para os perigos da adultização infantil, que afeta a saúde emocional e física das crianças.
Especialistas alertam para os perigos da adultização infantil, que afeta a saúde emocional e física das crianças. - (Foto: Feepik)

O avanço das redes sociais e a busca incessante por engajamento nas telas estão encurtando a infância das crianças. O conceito de adultização infantil - quando as crianças adotam comportamentos, linguagem e aparência de adultos - voltou a ser discutido após recentes controvérsias envolvendo o influenciador Felca.

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Especialistas alertam para os danos emocionais e psicológicos causados pela exposição precoce a esse mundo de adultização, que afeta diretamente o desenvolvimento saudável das crianças. A pediatra Kamilla Moussa, da Unimed Campo Grande, destaca que esse problema não está limitado à aparência, mas afeta profundamente a autoestima e o desenvolvimento emocional dos pequenos.

Kamilla Moussa explica que, além do risco de exposição a predadores sexuais, a adultização acelera o processo de distorsão da autoimagem.
“Crianças adultizadas passam a buscar reconhecimento apenas por curtidas e interações digitais, o que prejudica a formação de uma autoestima saudável e o entendimento correto de seu valor”, afirma a médica.

Ela também destaca que o brincar - essencial para o desenvolvimento emocional e social das crianças - está sendo deixado de lado. “A infância é feita de brincadeiras. Quando isso é substituído por telas, muito do aprendizado emocional e das descobertas naturais se perde”, acrescenta.

O psiquiatra Marcos Estevão alerta para os efeitos psicológicos da adultização precoce. “Crianças e adolescentes não estão preparados para assumir responsabilidades e comportamentos de adultos, o que pode prejudicar seu desenvolvimento emocional e físico”, afirma. Ele ressalta que as fases naturais da infância, como a brincadeira e o aprendizado, não podem ser puladas sem trazer consequências graves.

Segundo o psiquiatra, as seqüelas psicológicas da adultização precoce podem se prolongar pela vida adulta, incluindo estresse, ansiedade, baixa autoestima e transtornos psicológicos. "Essas crianças podem precisar de acompanhamento psicológico e psiquiátrico", alerta Estevão.

Os especialistas enfatizam que os pais têm um papel fundamental em identificar mudanças no comportamento dos filhos. Alterações na linguagem, na roupa, no repertório musical e na forma de expressão podem ser sinais de que a criança está sendo influenciada por comportamentos adultos. Essas mudanças, muitas vezes, passam despercebidas, mas são sinais de alerta que não podem ser ignorados.

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