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29 de janeiro de 2026 - 09h31
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SAÚDE

Entenda quando procurar UBS, UPA, hospital ou SAMU no atendimento pelo SUS

Organização da rede de saúde ajuda a evitar filas, agiliza o cuidado e garante atendimento adequado

29 janeiro 2026 - 07h30Maria Edite Vendas
Conhecer a porta de entrada e o papel de cada serviço evita filas, agiliza o atendimento e fortalece a rede de saúde
Conhecer a porta de entrada e o papel de cada serviço evita filas, agiliza o atendimento e fortalece a rede de saúde - (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Saber onde buscar atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) quando surge um problema de saúde pode fazer toda a diferença para receber o cuidado correto, no tempo adequado. Embora o sistema seja reconhecido pela universalidade e gratuidade, muitos usuários ainda têm dúvidas sobre qual serviço procurar em cada situação, o que acaba sobrecarregando unidades e atrasando atendimentos.

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O SUS é estruturado a partir das Redes de Atenção à Saúde (RAS), que integram Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), hospitais, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e outros pontos de cuidado. Cada serviço tem uma função específica, mas todos atuam de forma articulada. No centro dessa organização está a Atenção Primária à Saúde, responsável por coordenar o cuidado e orientar o acesso aos demais níveis do sistema.

Consultas, vacinação e controle de doenças crônicas fazem parte da rotina nas Unidades Básicas de Saúde. ( Foto: Arquivo/SES)

Para a secretária-adjunta de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul, Crhistinne Maymone, compreender e respeitar esses fluxos é essencial para o bom funcionamento da rede. “Quando o cidadão procura o serviço adequado, a rede funciona de forma mais equilibrada, garantindo prioridade a quem mais precisa, melhor uso dos recursos públicos e maior resolutividade no cuidado. Esse é um compromisso permanente do SUS com o acesso qualificado e com a eficiência da gestão”, afirma.

Criado a partir da Constituição Federal de 1988, o SUS é considerado um dos maiores e mais complexos sistemas públicos de saúde do mundo. Ele garante atendimento universal, integral e gratuito para toda a população brasileira, acompanhando o cidadão ao longo de toda a vida. Desde ações de promoção e prevenção, como vacinação e acompanhamento de doenças crônicas, até procedimentos de alta complexidade, como cirurgias especializadas e transplantes, o sistema atua de forma contínua.

Para dar conta dessa diversidade, o SUS é organizado por níveis de atenção e funciona com responsabilidades compartilhadas entre União, estados e municípios. Conhecer essa estrutura ajuda a evitar filas desnecessárias, acelera o atendimento e fortalece toda a rede de saúde.

UBS é a principal porta de entrada

A Atenção Primária à Saúde é o primeiro contato da população com o SUS e, na maioria dos municípios, está concentrada nas Unidades Básicas de Saúde. As UBSs ficam próximas às residências e devem ser procuradas para o cuidado rotineiro e o acompanhamento contínuo da saúde.

Segundo a superintendente de Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Karine Cavalcante, é na UBS que o cuidado começa e se mantém ao longo do tempo. “A Atenção Primária acompanha o cidadão em todas as fases da vida. É na UBS que a população encontra orientação, prevenção, acompanhamento contínuo e o encaminhamento adequado quando há necessidade de outros serviços”, explica.

Nas UBSs são realizadas consultas de rotina, acompanhamento de crianças, gestantes e idosos, controle de doenças crônicas como diabetes e hipertensão, além de atendimentos médicos, de enfermagem e multiprofissionais. As unidades também oferecem vacinação, pré-natal, atendimento odontológico, distribuição de medicamentos e ações coletivas de vigilância em saúde.

Esses espaços ainda realizam testes rápidos de HIV, sífilis, hepatites virais e gravidez, exames de rastreamento de câncer e ações de planejamento reprodutivo, como a distribuição de preservativos e a inserção de DIU. “Mais do que resolver demandas pontuais, a Atenção Primária conhece o território, cria vínculo com a população e coordena o cuidado dentro da rede”, destaca Karine Cavalcante.

Quando há necessidade de consultas especializadas, exames ou atendimento hospitalar, é a equipe da UBS que faz o encaminhamento adequado, garantindo a continuidade do cuidado.

Quando buscar uma UPA

As Unidades de Pronto Atendimento devem ser procuradas em situações de urgência que precisam de avaliação rápida, mas que nem sempre exigem internação hospitalar. As UPAs funcionam 24 horas por dia, todos os dias da semana, e integram a Rede de Atenção às Urgências e Emergências.

Casos como febre alta, acima de 39°C, dor intensa, falta de ar, crises convulsivas, fraturas leves, ferimentos com sangramento persistente e urgências clínicas, traumáticas ou psiquiátricas são exemplos de situações atendidas nessas unidades. O atendimento segue o protocolo de classificação de risco, que prioriza os casos mais graves, independentemente da ordem de chegada.

Com estrutura de complexidade intermediária, as UPAs resolvem grande parte das urgências. Quando o quadro exige internação ou atendimento especializado, o paciente é encaminhado para outro ponto da rede. Nos casos menos graves, após o atendimento inicial, o usuário é orientado a continuar o acompanhamento na UBS de referência.

Os hospitais fazem parte dos níveis de média e alta complexidade do SUS e são destinados a atendimentos que exigem maior estrutura, como internações, cirurgias, exames especializados e cuidados intensivos.

De acordo com a superintendente de Atenção à Saúde da SES, Angélica Congro, o acesso aos hospitais ocorre de forma organizada, por meio da regulação. “Os hospitais atendem os casos que realmente precisam de internação, cirurgias ou exames especializados. Quando há indicação clínica, a equipe avalia o caso e faz o encaminhamento para o hospital mais adequado. Esse fluxo garante mais segurança ao paciente, evita deslocamentos desnecessários e contribui para que o SUS funcione de forma mais eficiente”, afirma.

Estruturas hospitalares são acionadas quando o quadro exige exames especializados ou cuidados intensivos. (Foto: Bruno Rezende/Secom)

Esse modelo segue o princípio da hierarquização do SUS, no qual cada serviço é acionado conforme a complexidade da necessidade apresentada pelo paciente.

Quando acionar o SAMU

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência deve ser acionado em situações graves e emergenciais, quando há risco imediato à vida e necessidade de atendimento rápido no local ou durante o transporte até uma unidade de saúde.

O SAMU atua de forma integrada à rede de urgência, prestando os primeiros socorros e encaminhando o paciente para a UPA ou hospital, conforme a gravidade do caso.

O SUS opera como uma rede articulada, na qual UBSs, UPAs, hospitais e serviços de urgência trabalham de forma integrada para garantir cuidado integral à população. Ao procurar o serviço adequado para cada situação, o cidadão contribui para um atendimento mais ágil, eficiente e resolutivo.

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