
Dourados, a 250 km de Campo Grande, deu o primeiro passo para se tornar referência no tratamento do câncer em Mato Grosso do Sul. A Prefeitura formalizou apoio à implantação de um Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU/UFGD), unidade que hoje já integra a rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
A decisão foi confirmada durante reunião entre o prefeito Marçal Filho, o secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, e a direção do HU/UFGD. O projeto prevê que pacientes tenham todo o atendimento oncológico em um único local, desde o diagnóstico até o tratamento completo, sem a necessidade de deslocamento para outros estados.
Segundo o superintendente do hospital, Hermeto Macario Amin Paschoalick, a construção do centro já está incluída no planejamento da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), da UFGD e do Ministério da Saúde. "A expectativa é que a licitação do projeto e da obra aconteça ainda no primeiro semestre deste ano, com prazo estimado de 36 meses para conclusão", avalia.
Marçal, Márcio Figueiredo, Hermeto Macario, Cláudia Gonçalves de Lima e Danielly Capoano durante reunião no Gabinete para assinatura do termo de Gestor Pleno. Foto: A. FrotaA estrutura planejada inclui a construção de um novo bloco no hospital, com 60 leitos de internação, laboratório de anatomia patológica e ampliação dos centros cirúrgicos. O objetivo é garantir atendimento integral em áreas como cirurgia oncológica, quimioterapia, radioterapia, oncologia clínica, hematologia, oncologia pediátrica, além de cuidados paliativos e controle da dor.
De acordo com o prefeito Marçal Filho, o centro vai acabar com o chamado tratamento fracionado, quando o paciente precisa buscar atendimento em diferentes cidades ou estados. “O paciente poderá fazer todo o tratamento em Dourados, no mesmo ambiente, com mais conforto e dignidade”, destacou.
Atualmente, os dados mostram a dimensão do problema. Entre 2019 e 2024, 45% dos pacientes da macrorregião Cone Sul precisaram sair de Mato Grosso do Sul para tratamento oncológico hospitalar, principalmente para Paraná e São Paulo. O cenário se repete em procedimentos ambulatoriais: 46% das sessões de quimioterapia e 51% das de radioterapia foram realizadas fora do Estado.
Além da assistência, o Cacon também terá impacto direto no ensino e na pesquisa. Como hospital universitário, o HU/UFGD ampliará a formação de profissionais de saúde, com a possibilidade de criação de residências em oncologia clínica, cirúrgica e multiprofissional, além do fortalecimento de pesquisas e estudos clínicos.

