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SAÚDE PÚBLICA

Diagnóstico precoce garante cura da hanseníase e ajuda a vencer o preconceito em MS

História de professora curada reforça importância da informação e da busca por atendimento médico

5 janeiro 2026 - 08h20Osvaldo Júnior
Hospital São Julião oferece tratamento de hanseníase pelo SUS
Hospital São Julião oferece tratamento de hanseníase pelo SUS - (Foto: Assessoria de imprensa)

“É hanseníase.” A frase dita com convicção por uma médica foi suficiente para desestabilizar Simone Oliveira Ortiz. Aos 21 anos, a jovem não conseguiu aceitar o diagnóstico e reagiu de imediato: negou. As dores nas articulações, os nódulos na pele e o cansaço constante ainda não haviam sido associados, por ela, a uma doença historicamente marcada pelo preconceito. Sete anos depois, aos 30, Simone está curada, leva uma vida normal e mantém uma rotina intensa como professora de Educação Infantil.

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Simone, que enfrentou e venceu a luta contra a hanseníase, tem hoje uma rotina normal e trabalha como professora de Educação Infantil

Simone, que enfrentou e venceu a luta contra a hanseníase, tem hoje uma rotina normal e trabalha como professora de Educação Infantil. (Foto: Reprodução ALEMS)

A trajetória da professora evidencia um ponto central no enfrentamento da hanseníase: o diagnóstico precoce. Foi ele que possibilitou o sucesso do tratamento e evitou sequelas permanentes. A história também ajuda a dimensionar a relevância da Semana Estadual de Conscientização, Prevenção e Combate à Hanseníase e à Verminose, instituída pela Lei nº 4.436/2013, em Mato Grosso do Sul. A iniciativa soma-se ao Janeiro Roxo, campanha nacional realizada em referência ao Dia Nacional e ao Dia Mundial de Combate à Hanseníase, celebrados em 26 de janeiro e no último domingo do mês.

A proposta das campanhas é ampliar o acesso à informação, estimular a identificação precoce dos sintomas e combater o estigma que ainda cerca a doença. Para o deputado estadual Zé Teixeira (PSDB), autor da lei, o preconceito segue sendo um dos principais entraves. “Muitas pessoas escondem os sintomas e adiam a procura por atendimento. Esse silêncio leva a diagnósticos tardios, quando a doença já causou danos irreversíveis”, avalia.

O parlamentar destaca que, quanto mais cedo a hanseníase é identificada, maiores são as chances de cura e menores os riscos de sequelas e de transmissão. Em relação às verminoses, ele chama atenção para os impactos no desenvolvimento físico e nutricional, especialmente de crianças que vivem em áreas com deficiência de saneamento básico. “A campanha também mobiliza ações simples e eficazes, como higiene, tratamento adequado e educação em saúde”, afirma.

Antes da confirmação da hanseníase, Simone passou quase um ano tratando os sintomas como alergia. Exames eram feitos, medicamentos prescritos, mas sem respostas. “Nem os médicos conseguiam dizer o que eu tinha”, relembra.

A virada ocorreu em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), quando foi atendida por uma médica que havia atuado no Hospital São Julião, referência no tratamento da doença. Ao observar os nódulos na pele, a profissional levantou a suspeita. Simone, ainda descrente, procurou o hospital especializado na mesma semana. A confirmação veio após avaliação clínica e biópsia.

Naquele momento, a professora enfrentava dores intensas, coceira persistente — principalmente à noite —, nódulos nos braços e pernas e cansaço extremo. Com o organismo debilitado, desenvolveu anemia severa em razão da medicação inicial e precisou ficar internada por cerca de um mês. Depois, seguiu em tratamento ambulatorial, com acompanhamento contínuo.

Hoje, Simone afirma levar uma vida completamente normal. “O atendimento foi humano, cuidadoso. Eu sentia que não estava apenas indo ao médico, mas sendo cuidada”, relata. Ao compartilhar sua experiência, ela destaca a necessidade de informação para reduzir o preconceito. “Não é uma doença que exige isolamento. Hoje existe tratamento, existe cura”, reforça.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o Brasil registrou 22.129 novos casos de hanseníase em 2024, ficando atrás apenas da Índia. Juntos, os dois países concentram 71% dos casos globais. Proporcionalmente à população, o cenário brasileiro é considerado o mais grave do mundo.

Segundo o Datasus, de 2016 a agosto de 2025, o Brasil contabilizou 290.041 novos casos. No mesmo período, Mato Grosso do Sul registrou 4.376 notificações. Apenas em 2025, até agosto, foram 192 casos no Estado.

Para o dermatologista e hansenólogo Augusto Afonso de Campos, da Unimed Campo Grande e do Hospital São Julião, os números ainda não refletem a totalidade da realidade. “Vivemos uma endemia oculta. O número de casos notificados está abaixo do que realmente existe”, explica. Segundo ele, a maior dificuldade está no reconhecimento clínico da doença. “Não há um exame que certifique a hanseníase. O diagnóstico depende do conhecimento médico”, afirma.

Médico Augusto Afonso explica sobre sintomas e tratamento. (Foto: Assessoria de imprensa)

O tratamento é eficaz, gratuito e oferecido pelo SUS. Quando iniciado precocemente, garante a cura e interrompe a transmissão. Sem tratamento adequado, a doença pode causar danos aos nervos, perda de sensibilidade e deformidades permanentes.

Além da hanseníase, as verminoses seguem como um desafio de saúde pública, sobretudo entre crianças. De acordo com Augusto de Campos, a prevenção passa por hábitos simples: lavar as mãos, consumir água tratada, higienizar alimentos, usar calçados e evitar contato com solo contaminado. A destinação correta do esgoto, a coleta de lixo e a vermifugação orientada pelas unidades de saúde também são medidas essenciais.

Serviço

Pessoas com manchas na pele, nódulos, perda de sensibilidade ou outros sintomas suspeitos devem procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Em Mato Grosso do Sul, o Hospital São Julião é referência no diagnóstico e tratamento da hanseníase pelo SUS.

Endereço: Rua Lino Villacha, 1250, Campo Grande
Telefone: (67) 3358-1500

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