
O aumento do fluxo de viagens internacionais durante as festas de fim de ano reacendeu o alerta das autoridades de saúde para o risco de reintrodução do sarampo. No início de dezembro, dois casos da doença foram identificados em aeroportos dos Estados Unidos — no Newark Liberty International Airport, em Nova Jersey, e no Aeroporto Internacional de Logan, em Boston —, o que voltou a colocar o vírus no radar de vigilância epidemiológica em diversos países, incluindo o Brasil.
Em Nova Jersey, o Departamento de Saúde confirmou que um viajante infectado passou pelo Aeroporto de Newark Liberty. A partir da identificação do caso, autoridades orientaram que pessoas que estiveram no local ou tiveram contato com o paciente evitassem circular por outras regiões e procurassem orientação médica antes de ir a hospitais ou unidades de saúde. Medidas semelhantes foram adotadas após o segundo caso, registrado em Boston, quando um homem foi diagnosticado com sarampo logo após desembarcar no aeroporto de Logan, em 24 de dezembro.
O sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida pelo ar, capaz de permanecer ativo por até duas horas em ambientes fechados após a saída da pessoa infectada. Em um cenário de aeroportos cheios e intensa circulação de pessoas, o risco de disseminação do vírus aumenta significativamente.
Nos Estados Unidos, a doença chegou a ser considerada praticamente erradicada, mas a queda nos índices de vacinação ao longo das últimas décadas favoreceu o retorno de surtos. Somente em 2025, o país registrou 2.065 notificações de sarampo, segundo dados oficiais.
No Brasil, apesar de o país ser reconhecido como área livre da circulação endêmica do vírus, foram confirmados 37 casos de sarampo em 2025. De acordo com o Ministério da Saúde, a maioria das ocorrências tem origem importada, sem transmissão sustentada em território nacional. Os registros mais recentes ocorreram em Primavera do Leste, no estado de Mato Grosso, vizinho de Mato Grosso do Sul. Em dezembro, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo também emitiu alerta após a confirmação do segundo caso da doença no estado.
Em Mato Grosso do Sul, não houve casos confirmados de sarampo ao longo de 2025. Ainda assim, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) contabilizou 108 notificações suspeitas, das quais 105 foram descartadas e três permanecem em investigação. A preocupação aumenta pelo fato de a Bolívia, país que faz fronteira com o Estado, ter registrado um surto com mais de 60 infecções recentes.
Diante desse cenário, a SES intensificou ao longo de 2025 as ações de prevenção e vigilância. Em articulação com os municípios, as estratégias tiveram como foco a identificação precoce de casos suspeitos, o fortalecimento da resposta dos serviços de saúde e a ampliação da cobertura vacinal.
Até outubro, Mato Grosso do Sul alcançou 97,16% de cobertura na primeira dose da vacina Tríplice Viral e 83,65% na segunda dose. Além da vacinação de rotina, o Estado promoveu a campanha “MS Vacina Mais: Sarampo”, que mobilizou os 79 municípios sul-mato-grossenses. A iniciativa ampliou o acesso à imunização por meio de busca ativa de pessoas não vacinadas e varreduras territoriais, atingindo diferentes faixas etárias.
Segundo o gerente de Imunização da SES, Frederico Moraes, o trabalho desenvolvido em 2025 teve como principal objetivo antecipar riscos e fortalecer a vigilância epidemiológica. “O sarampo é uma doença altamente transmissível e, por isso, exige atenção permanente. O Estado atuou de forma preventiva, reforçando a vacinação e a capacidade de resposta dos serviços de saúde para manter a população protegida”, afirmou.
Além da imunização, a SES investiu na capacitação das equipes de saúde, com treinamentos presenciais e virtuais, alinhamento de protocolos e apoio técnico aos municípios, visando garantir rapidez no atendimento e na notificação de casos suspeitos.
O sarampo provoca febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e erupções avermelhadas na pele, que geralmente começam no rosto e se espalham pelo corpo. Antes das manchas, podem surgir pequenas lesões brancas na boca, conhecidas como manchas de Koplik. Em casos mais graves, a doença pode causar complicações como pneumonia, infecções no ouvido, diarreia e até levar à morte, especialmente em crianças pequenas e pessoas com imunidade comprometida.
As autoridades de saúde reforçam que a principal forma de prevenção é a vacinação, realizada em duas doses, e orientam que pessoas que pretendem viajar, especialmente para o exterior, verifiquem a situação vacinal antes do embarque.
