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SAÚDE

Canetas emagrecedoras exigem cautela em idosos e podem acelerar perda de função

Especialistas alertam que uso sem acompanhamento médico aumenta risco de desnutrição e perda muscular

7 janeiro 2026 - 07h25Agência Brasil
Especialistas alertam que o uso de canetas emagrecedoras em idosos exige avaliação médica e acompanhamento contínuo
Especialistas alertam que o uso de canetas emagrecedoras em idosos exige avaliação médica e acompanhamento contínuo - Foto: Mohammed Al Ali/Shutterstock

O uso de canetas emagrecedoras por pessoas com 60 anos ou mais exige acompanhamento rigoroso e avaliação individualizada, pois pode acelerar o declínio funcional e provocar efeitos adversos relevantes, alertou nesta terça-feira (6) o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Leonardo Oliva, em entrevista à Agência Brasil, ao comentar a crescente procura por esse tipo de medicação fora de contextos clínicos bem definidos

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Segundo o especialista, sem orientação adequada, os idosos ficam mais suscetíveis a efeitos colaterais imediatos, como náuseas, vômitos e dificuldade para se alimentar e ingerir líquidos, situações que podem levar à desidratação e a distúrbios eletrolíticos, considerados potencialmente graves, além do risco de desnutrição em médio prazo

Um dos principais pontos de atenção, de acordo com Oliva, é a perda de massa muscular associada ao emagrecimento induzido por medicamentos, já que cerca de um terço do peso eliminado corresponde à massa magra, uma vez que o organismo não perde apenas gordura, mas também músculo

Na população idosa, essa redução muscular pode resultar em perda de funcionalidade, afetando a capacidade de realizar atividades básicas do dia a dia, como caminhar, levantar-se e manter o equilíbrio, sendo um impacto que, em alguns casos, pode não ser totalmente reversível

O diretor-científico da SBGG, Ivan Aprahamian, acrescenta que a combinação entre diminuição do apetite, náuseas e emagrecimento rápido pode precipitar síndromes geriátricas, como sarcopenia e fragilidade física, aumentando o risco de quedas, hospitalizações e perda de autonomia

Tratamento médico e não estético

Leonardo Oliva destacou que as canetas emagrecedoras são indicadas para o tratamento de doenças como obesidade, diabetes e apneia do sono, e não para a perda de poucos quilos por razões estéticas, prática que tem se tornado cada vez mais comum sem respaldo médico

Segundo ele, trata-se de uma inovação importante da medicina, eficaz no enfrentamento de doenças crônicas graves, desde que utilizada de forma apropriada, com indicação correta e acompanhamento contínuo, especialmente entre idosos

Dentro do tratamento da obesidade, Oliva defende que o idoso deve contar com acompanhamento médico, nutricional e suporte de profissionais de educação física ou fisioterapia, garantindo a prática regular de exercícios, sobretudo de força, para reduzir a perda muscular durante o emagrecimento

Ele também orienta que não se busque emagrecimento rápido, pois quanto maior a velocidade da perda de peso, maior tende a ser a perda associada de massa muscular, sendo fundamental garantir ingestão adequada de nutrientes, vitaminas e minerais, além de atividade física regular

Mercado ilegal

Outro alerta importante diz respeito à compra de canetas emagrecedoras fora de farmácias legalizadas, já que há produtos falsificados e de procedência desconhecida no mercado ilegal, o que eleva consideravelmente os riscos à saúde

Oliva explica que a exigência de receita médica não é burocracia, mas uma medida de proteção, pois o uso dessas medicações deve ocorrer somente após avaliação médica criteriosa, com monitoramento dos possíveis efeitos adversos, evitando que o tratamento, em vez de trazer benefícios, cause danos à saúde

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