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08 de fevereiro de 2026 - 12h24
SAÚDE

Câncer de pênis causa quase 3 mil amputações no Brasil em quatro anos

Doença tem alta chance de cura com diagnóstico precoce, mas preconceito atrasa a busca por atendimento

8 fevereiro 2026 - 10h50Da Redação
Diagnóstico precoce do câncer de pênis pode evitar amputações e aumentar as chances de cura.
Diagnóstico precoce do câncer de pênis pode evitar amputações e aumentar as chances de cura. - (Foto: Wasan/Adobe Stock)

Apesar de ser uma doença evitável, o câncer de pênis resultou em 2,9 mil amputações no Brasil entre 2021 e 2025, além de 2,3 mil mortes no mesmo período, segundo dados do Ministério da Saúde, analisados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

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De acordo com a entidade, a falta de informação, o preconceito e o diagnóstico tardio seguem como os principais entraves à prevenção da doença, que pode ser evitada com medidas simples, como higienização adequada da região íntima, vacinação contra o HPV e, em alguns casos, cirurgia para correção da fimose, chamada de postectomia.

Os registros atingem diferentes faixas etárias, mas a incidência é maior entre homens acima dos 50 anos. Segundo o urologista Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU, os sinais iniciais costumam ser locais e, muitas vezes, não provocam dor, o que contribui para que muitos pacientes demorem a procurar atendimento médico.

Entre os principais sintomas estão feridas ou úlceras que não cicatrizam, alterações na coloração da pele do pênis, que pode ficar avermelhada, esbranquiçada ou mais escura, especialmente no prepúcio ou na glande, além de espessamento da pele, surgimento de nódulos, secreções com odor forte e episódios de sangramento. Em fases mais avançadas, podem surgir dor e aumento dos gânglios da virilha.

A doença está relacionada, principalmente, a infecções crônicas do prepúcio, geralmente associadas à higiene inadequada, ambiente propício para proliferação de fungos e bactérias. A limpeza diária deve ser feita com água e sabão, retraindo o prepúcio para exposição da glande. Homens com fimose apresentam maior risco, já que a condição dificulta a higienização correta.

Outro fator importante é a infecção pelo HPV, vírus sexualmente transmissível também associado ao câncer de colo do útero. A prevenção inclui o uso de preservativos e a vacinação, disponível pelo SUS para pessoas de 9 a 14 anos e imunossuprimidos até os 45 anos.

Quando identificado precocemente, o câncer de pênis tem alta chance de cura e pode ser tratado de forma menos agressiva, com retirada apenas da área afetada, evitando a amputação do órgão. A remoção parcial ou total do pênis é indicada apenas em casos mais graves, quando a lesão já está avançada, o que pode trazer impactos funcionais e emocionais ao paciente.

Não existe rastreamento populacional padronizado para a doença. O diagnóstico é feito, principalmente, por exame físico realizado por urologista, avaliação clínica e histórico do paciente, sendo a biópsia utilizada para confirmar a suspeita.

Os maiores números absolutos de amputações foram registrados em São Paulo, com 542 procedimentos, seguido por Minas Gerais, com 476, e Rio de Janeiro, com 442. No entanto, a SBU alerta que, proporcionalmente, as regiões Norte e Nordeste são as mais impactadas, em razão de fatores sociais, econômicos e de acesso aos serviços de saúde, que favorecem o diagnóstico tardio.

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