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09 de janeiro de 2026 - 10h39
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SAÚDE

Atenção primária será porta de entrada do SUS na gestão de novo titular da Sesau

Marcelo Luiz Brandão Vilela assume a Secretaria de Saúde de Campo Grande prometendo reorganizar o acesso ao SUS, reduzir filas, normalizar medicamentos e dividir melhor a pressão entre UPAs, unidades básicas e hospitais

8 janeiro 2026 - 16h50Carlos Guilherme, Iury de Oliveira e Douglas Vieira
Novo secretário de Saúde de Campo Grande promete reorganizar o acesso ao SUS e reduzir filas com foco na atenção primária.
Novo secretário de Saúde de Campo Grande promete reorganizar o acesso ao SUS e reduzir filas com foco na atenção primária. - (Foto: Douglas Vieira)

O médico Marcelo Luiz Brandão Vilela foi oficialmente empossado, nesta quinta-feira (8), como novo secretário de Saúde de Campo Grande (Sesau) e afirmou que o eixo central de sua gestão será reorganizar o fluxo de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), fortalecendo a atenção básica para aliviar as UPAs e os hospitais da Capital.

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Em uma fala que sintetiza sua visão, Vilela reforçou que a solução para as filas e a superlotação passa necessariamente pela porta de entrada do sistema. “O acesso do SUS é na atenção primária de saúde, onde resolve 70% desses casos nos UPAs.”

Segundo ele, o desafio é grande e envolve não só melhorar a oferta de médicos e insumos, mas também mudar a forma como a população procura atendimento e como a rede se organiza para responder à demanda crescente.

O secretário reconheceu que um dos maiores problemas percebidos pela população nos últimos meses foi a falta de medicamentos e de insumos nas unidades de saúde. “O que está pegando e o que o pessoal sente na ponta é o atendimento e, ao mesmo tempo, os insumos, medicamentos e insumos”, apontou.

Vilela afirmou, porém, que assumiu a pasta em um momento de recomposição importante do estoque. “Graças a Deus, hoje a gente já pegou a prefeitura comprando os remédios. Já estamos com 80% da medicação já no nosso almoxerifado. Os insumos estão chegando, é uma questão de pouco tempo aí, se Deus quiser, está regularizado essas coisas nas unidades de saúde.”

Além dos remédios, o secretário lembrou que a rede também enfrenta problemas de estrutura física, com unidades que precisam de manutenção, reforma e maior apoio da vigilância em saúde.

“Você tem patrimônio, por exemplo, as unidades precisam pintar, precisamos reformar, a vigilância tem que fazer o trabalho dela dentro dessas unidades. Na verdade é muito grande, mas o que estava pegando mais é assistência e medicamento”, resumiu.

Prefeita anunciou algumas mudanças durante essa nova fase da gestão - (Foto: Douglas Vieira)

Filas nas UPAs e o mito do atendimento “mais fácil” - Questionado sobre os relatos recorrentes de demora no atendimento em postos de saúde e UPAs, Vilela classificou o problema como “multifatorial”, mas destacou que parte significativa da sobrecarga vem da busca equivocada da população por portas de entrada que não são as mais adequadas para casos de menor gravidade.

“É multifatorial. Mas, na verdade, o mais importante é a gente divulgar que a maioria dos pacientes vão atrás de um acesso mais fácil. O acesso mais fácil é nos UPAs. Nós temos 10 em Campo Grande. Nossa cidade é uma das cidades que tem maior cobertura de urgência e emergência no país, de densidade. Então nós somos 10 portas. Nessas 10 portas, a população acha que aquele é mais fácil", diz.

Vilela fez ainda uma comparação com o setor privado para mostrar que o problema não é exclusivo da rede pública. “Se você for nos prontos-socorros privados, é um desafio para eles também. Acontece a mesma coisa, tem reclamação nos convênios, nos hospitais privados, é o mesmo problema.”

Para o novo secretário, a chave está em fortalecer a atenção primária, ou seja, as unidades básicas de saúde e equipes de saúde da família, que, segundo ele, têm capacidade de resolver a maior parte dos casos que hoje congestionam as UPAs. “O paciente precisa de acesso, o acesso do SUS é na atenção primária de saúde, onde resolve 70% desses casos nos UPAs. Então, essa organização precisa ser implementada.”

Vilela afirmou que essa estratégia não é nova, mas acabou se perdendo ao longo do tempo e agora precisa ser retomada com força. “Já existem atitudes, desde quando eu fui secretário, de implementação disso. O problema é que se perdeu e agora nós vamos retomar”, disse.

Ele citou a parceria com a Fiocruz como um dos pilares dessa reorganização: “Em reunião com a Fiucruz, que desenvolve um bom trabalho na rede em relação à residência de saúde da família. Então as estratégias estão feitas. Foi uma semana para estrategiar e pensar. É um jogo de xadrez, se Deus quiser, durante o ano a gente vai melhorar isso.”

Ele lembrou que a rede já conta com prontuário eletrônico implantado na urgência, o que ajudou a dar mais organização ao cuidado, mas reconheceu que ainda há ajustes importantes a fazer. “Nós já temos um prontuário eletrônico de urgência funcionando. Na minha época pra cá, ajudou a organizar o pensamento médico, a organização, mas existem outras estratégias, propostas, entendeu?”

Segundo o secretário, essas estratégias serão colocadas em prática ao longo do ano, de forma planejada. “Durante o ano a gente vai colocar as estratégias, porque não é fácil, não é do dia para a noite que a gente coloca. Agora a gente estrategiou para ir durante o ano implementando, para ver se pelo menos no final do ano a gente tenha aí dirimido bastante esse problema.”

Ele também relembrou que a pressão sobre o sistema de saúde é constante e se intensifica em momentos de epidemias, como ficou claro na pandemia de Covid-19.

“Sempre houve esse problema. Pessoa que está com sofrimento, às vezes muitas epidemias, isso ficou bem claro no Covid. Mas sempre uma população vai ter uma população que vai procurar o atendimento, vai procurar o acesso, às vezes não vai encontrar, vai ficar duas horas esperando. Isso aí causa aflição, causa sofrimento e aí acontece esse tipo de problema que está acontecendo.”

Santa Casa, saúde em casa e o subfinanciamento crônico do SUS - Sobre a crise recente envolvendo o programa de saúde em casa e dificuldades de pagamento à Santa Casa, o secretário explicou que entrou na gestão já com acordos encaminhados, mas reforçou que o problema é antigo e está diretamente ligado ao subfinanciamento do SUS.

“A Santa Casa é uma parceira, sempre foi. A gente tem que reconhecer isso, mas ao mesmo tempo a gente tem que, nós, como gestores de saúde, eu preciso entender como que está sendo o recurso. Às vezes existe essa dificuldade da gente entender.”

Ele citou ainda o projeto de construção de um novo hospital em Campo Grande como uma das alternativas para ampliar a oferta de leitos, mas disse que ainda vai se aprofundar nos detalhes da proposta.

“Tem o projeto do hospital aqui ser construído na cidade. Ainda vou me inteirar desse projeto. Mas são os desafios. Então, a gente vai se unir com o governo para o que tem que acontecer. Isso aí vai acontecer. O governador está nos apoiando. Eu conversei com o governador. E graças a Deus a gente vai ter uma resposta boa, se Deus quiser, durante esses últimos três anos dela", e complementou:“É um jogo de xadrez, se Deus quiser, durante o ano a gente vai melhorar isso", finaliza.

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