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SAÚDE

Anvisa manda apreender lote falsificado de Mounjaro e suspende mais quatro remédios

Agência proíbe uso de medicamentos falsificados e com embalagens trocadas, inclui remédios para câncer, tumores cerebrais, hipertensão e diabetes

8 janeiro 2026 - 13h15Andreza de Oliveira
Anvisa determina apreensão de lote falsificado de Mounjaro e suspende outros medicamentos por falsificação e troca de embalagens.
Anvisa determina apreensão de lote falsificado de Mounjaro e suspende outros medicamentos por falsificação e troca de embalagens. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e a proibição de uso de um lote falsificado do medicamento Mounjaro, usado no tratamento da obesidade e do diabetes, e suspendeu a comercialização de outros quatro remédios por falsificação e troca de embalagens. As decisões foram tomadas em ação fiscal realizada na quarta-feira, 7.

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O alvo principal foi o lote D838878 do Mounjaro, medicamento cujo princípio ativo é a tirzepatida. Em comunicado enviado à Anvisa, a fabricante Eli Lilly informou que não reconhece esse lote como produto legítimo. Com isso, a agência proibiu a comercialização, distribuição e uso do lote, que também está sujeito à apreensão pelas autoridades sanitárias.

O Mounjaro é um dos remédios mais visados por falsificadores. A própria farmacêutica desenvolveu uma ferramenta virtual para auxiliar profissionais de saúde e pacientes na identificação de possíveis produtos falsos, justamente pela frequência com que o medicamento é alvo de irregularidades.

Outro medicamento falsificado identificado na ação foi o Imbruvica, indicado para o tratamento de cânceres do sangue, como leucemia, linfoma e mieloma. Os lotes NIS7G01, NJS7J00 e PJS0B00 foram considerados irregulares após a Janssen-Cilag, fabricante do produto, informar à Anvisa que não produziu essas unidades e que o registro do fármaco na forma de cápsulas já foi cancelado.

Com isso, a agência determinou que esses lotes do Imbruvica também sejam apreendidos e proibidos de serem comercializados, distribuídos ou utilizados em todo o país. A medida busca impedir que pacientes em tratamento oncológico recebam medicamentos de origem desconhecida, sem garantia de eficácia e segurança.

Na mesma ação, a Anvisa apontou irregularidades em um lote do Voranigo, remédio indicado para o tratamento de tumores cerebrais. O lote FM13L62 foi alvo de apreensão e teve o uso proibido depois que a empresa Laboratórios Servier do Brasil declarou desconhecer a origem do produto.

No caso do Voranigo, a proibição é ainda mais ampla: o lote não pode ser armazenado, comercializado, distribuído, fabricado, importado, divulgado ou utilizado. A determinação reflete a preocupação com a circulação de medicamentos que não têm procedência comprovada, especialmente em tratamentos sensíveis, como os de tumores no sistema nervoso central.

Além dos casos de falsificação, a Anvisa também identificou problemas graves de troca de embalagens envolvendo dois medicamentos de uso comum, o que pode levar pacientes a ingerirem substâncias diferentes daquelas prescritas pelo médico.

Um dos casos envolve o Pantoprazol Sódico Sesqui-Hidratado 40 mg, indicado para o tratamento de problemas gastrointestinais, como refluxo e úlceras. O lote OA3169 foi encontrado com o conteúdo trocado por comprimidos de hidroclorotiazida 25 mg, medicamento utilizado no controle da pressão alta.

A situação foi comunicada à Anvisa pela MedQuímica, fabricante dos dois produtos, que iniciou o recolhimento voluntário do lote com erro. A agência determinou a suspensão da comercialização, distribuição e uso desse lote de Pantoprazol, justamente para evitar que pacientes com problemas gástricos acabem recebendo um diurético voltado ao tratamento de hipertensão.

Outro caso de troca de embalagem envolve o antialérgico Alektos 20 mg, produzido pela Cosmed. O lote 569889 foi identificado com embalagem do medicamento Nesina, um antidiabético. A própria empresa informou a irregularidade à Anvisa e deu início ao recolhimento voluntário das unidades envolvidas.

Assim como nas demais situações, a agência determinou o recolhimento e a suspensão da comercialização, distribuição e uso do lote afetado. A troca de embalagens pode confundir tanto pacientes quanto profissionais de saúde, resultando no uso de um medicamento inadequado para a condição tratada.

As decisões da Anvisa reforçam a necessidade de atenção redobrada com a origem e a aparência dos medicamentos, especialmente em tratamentos de longa duração ou doenças crônicas, como obesidade, diabetes, câncer, tumores cerebrais, hipertensão e alergias. No dia a dia, a orientação das autoridades sanitárias é que pacientes sempre confiram nome do medicamento, dosagem, lote e fabricante na embalagem e busquem orientação médica ou farmacêutica em caso de qualquer dúvida.

Enquanto os recolhimentos e apreensões são colocados em prática, a recomendação é que unidades de saúde, farmácias e distribuidores verifiquem seus estoques para identificar possíveis lotes irregulares e sigam as determinações da Anvisa para devolução ou descarte. Pacientes que tiverem em casa algum dos lotes citados devem procurar orientação profissional antes de seguir utilizando o produto.

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