
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na terça-feira, 10, a ampliação da indicação da vacina nonavalente contra o HPV, conhecida como Gardasil 9. A partir de agora, o imunizante também poderá ser utilizado na prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço — doenças que vêm sendo associadas à infecção persistente pelo papilomavírus humano.
Até então, a vacina já era indicada para a prevenção de cânceres do colo do útero, vulva, vagina, pênis e ânus, além de lesões pré-cancerosas, verrugas genitais e infecções persistentes causadas pelo HPV. Com a nova autorização, o alcance da proteção é ampliado, reforçando a estratégia de combate aos cânceres relacionados ao vírus.
Em nota, a Anvisa explicou os fundamentos da decisão. “A nova indicação é fundamentada na prevenção da infecção persistente pelos tipos de HPV oncogênicos, reconhecidos como principais causadores desses cânceres, bem como na demonstração de resposta imunológica robusta contra esses tipos virais”, informou a agência reguladora.
Quem pode se vacinar - A Gardasil 9 é indicada para pessoas de 9 a 45 anos. O esquema de vacinação varia conforme a idade e a condição de saúde do paciente.
Para meninas e meninos de 9 a 14 anos, são recomendadas duas doses, com intervalo de seis meses entre elas. Já a partir dos 15 anos, o esquema passa a ser de três doses: a segunda deve ser aplicada dois meses após a primeira e a terceira seis meses depois do início do ciclo, no modelo conhecido como 0-2-6 meses.
No caso de pessoas imunodeprimidas, com idade entre 9 e 45 anos, a recomendação é de três doses independentemente da faixa etária, também seguindo o esquema 0-2-6 meses.
A orientação é que a imunização ocorra, preferencialmente, antes do início da vida sexual, já que o HPV é transmitido por relações sexuais. A vacinação precoce aumenta a eficácia da proteção, pois evita o contato prévio com o vírus.
Atualmente, a Gardasil 9 está disponível apenas na rede particular, com custo médio de R$ 800 por dose. Considerando o esquema completo, o valor total pode ultrapassar R$ 2 mil, dependendo da faixa etária e do número de aplicações necessárias.
No entanto, há expectativa de mudança nesse cenário. O Ministério da Saúde sinalizou a intenção de incorporar a versão nonavalente ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Em evento realizado no último dia 9, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a nova fábrica de vacina contra o HPV no Instituto Butantan abre caminho para a modernização do imunizante oferecido na rede pública.
Segundo ele, além de ampliar a capacidade de produção da vacina quadrivalente já distribuída pelo SUS, a nova estrutura permitirá avançar tecnologicamente.
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, detalhou o objetivo da nova planta industrial. De acordo com ele, a estrutura será utilizada para “realizar um salto tecnológico da vacina quadrivalente para a nonavalente, seguindo o exemplo da Austrália, que praticamente erradicou o câncer de colo de útero com essa versão”.
A declaração reforça a perspectiva de atualização do programa nacional de imunização contra o HPV, ampliando a proteção oferecida à população brasileira.
Hoje, o SUS disponibiliza a vacina quadrivalente, que protege contra quatro tipos de HPV: 6, 11, 16 e 18. Ela é aplicada em crianças e adolescentes de 9 a 19 anos e em adultos de até 45 anos que integram grupos prioritários.
Com a possível incorporação da versão nonavalente, o Brasil poderá ampliar a cobertura contra outros subtipos do vírus associados ao desenvolvimento de diferentes tipos de câncer.
Ampliação da prevenção - A decisão da Anvisa representa um avanço regulatório importante, especialmente diante do aumento de diagnósticos de cânceres de orofaringe e de cabeça e pescoço associados ao HPV.
Ao ampliar a indicação da Gardasil 9, a agência reforça a estratégia de prevenção por meio da imunização, considerada uma das formas mais eficazes de reduzir a incidência de doenças relacionadas ao vírus.
A expectativa agora gira em torno dos próximos passos do Ministério da Saúde quanto à oferta da versão nonavalente no SUS e à ampliação do acesso à vacina no país.
