
Cada vez mais mulheres estão mudando a forma de olhar para o parto normal. A dor, que por muito tempo foi vista como algo inevitável, já não precisa ser o centro da experiência. Hoje, muitas gestantes buscam um parto com menos sofrimento, mais consciência e mais participação no momento do nascimento.
É nesse contexto que a analgesia no parto normal tem ganhado espaço. O recurso ajuda a aliviar a dor sem impedir que a mulher se movimente, participe do trabalho de parto e acompanhe cada etapa do nascimento do bebê.
No Brasil, o parto normal representa cerca de 43% a 45% dos nascimentos. Mesmo assim, a maioria ainda acontece por cesariana, que responde por mais de 56% dos partos, número acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Muitas mulheres querem o parto normal, mas não desejam viver essa experiência como um limite físico e emocional.
Um dos principais medos em relação à analgesia é a ideia de que a anestesia poderia “atrapalhar” o parto. Segundo a anestesiologista Agne Chiquin Bochi Brittes, do Servan Anestesiologia, esse receio vem de práticas antigas.
Doutora Agne Chiquin Bochi Brittes. - (Foto: Reprodução)“Hoje a anestesia evoluiu muito. É possível aliviar a dor sem tirar a mobilidade da mulher e com total segurança para a mãe e o bebê”, explica.
Para a médica, o alívio da dor não tira a força do momento. Pelo contrário. “Quando a dor diminui, a mulher consegue viver o parto com mais presença. Ela conversa, se emociona, entende o que está acontecendo e guarda boas lembranças desse dia”, afirma.
Além do aspecto emocional, a analgesia também pode ajudar fisicamente. Com menos dor, a gestante consegue se movimentar melhor, mudar de posição e colocar em prática exercícios aprendidos durante a gravidez, o que pode facilitar a descida do bebê.
Outro ponto importante é a preparação antes do parto. A consulta pré-anestésica, feita ainda durante a gestação, ajuda a reduzir o medo e a ansiedade. Nesse momento, a mulher tira dúvidas, entende como funciona a analgesia e cria um vínculo com o profissional que estará presente no parto.
“Quando a gestante sabe que terá apoio e que a dor pode ser controlada, ela chega mais tranquila. Isso faz muita diferença”, explica Agne.
Técnica moderna alivia a dor sem tirar mobilidade ou consciência da gestante. - (Foto: Aditya Romansaa)A proposta do serviço Humanizar, do Servan Anestesiologia, segue essa lógica. O atendimento começa ainda na gestação, com avaliação prévia e atuação integrada com o obstetra e a equipe de saúde. A ideia é oferecer um cuidado mais próximo, seguro e alinhado às escolhas da mulher.
Segundo a especialista, o parto é um processo que envolve vários profissionais trabalhando juntos. “Quando a mulher está confortável, ela consegue participar mais. Isso ajuda o trabalho de parto a evoluir melhor”, diz.
