
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, exigiu neste sábado (3) a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, capturado durante a operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano. Em pronunciamento à imprensa, ela afirmou que convocou o Conselho de Defesa da Nação, instância que reúne os principais poderes públicos do país, para responder à crise.
Segundo Rodríguez, o governo venezuelano já havia alertado para uma agressão em preparação, baseada, segundo ela, em “falsos pretextos”. Para a vice-presidente, o ataque teve como objetivo central a mudança forçada de poder e o controle dos recursos estratégicos do país.
“O objetivo desta agressão é trocar o poder na Venezuela e capturar os nossos recursos energéticos, minerais e naturais”, afirmou. Ela reforçou que, para o governo venezuelano, não há qualquer dúvida quanto à legitimidade do comando do país. “Só existe um presidente da Venezuela, Nicolás Maduro”, declarou.
Durante o discurso, Delcy Rodríguez fez um apelo direto à população para que mantenha a calma e a unidade nacional diante da ofensiva estrangeira. Segundo ela, o momento exige reorganização interna e defesa do território.
“Pedimos calma e unidade para reorganizar e defender a Venezuela”, disse. Em outro trecho, a vice-presidente afirmou confiar na reação popular. “O povo venezuelano, que é sábio, paciente e tem paciência estratégica, encontrará o caminho para a defesa da paz, da tranquilidade e da pátria”, completou.
As declarações ocorrem no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, teria mantido contato direto com Delcy Rodríguez após a operação. Segundo Trump, a vice-presidente estaria disposta a colaborar com as exigências norte-americanas.
“Marco Rubio acabou de conversar com ela, e ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”, afirmou Trump em entrevista coletiva. De acordo com o presidente americano, Rodríguez teria dito que “faria o que fosse preciso”.
Trump acrescentou ainda que, apesar de ter sido cordial durante a conversa, a vice-presidente venezuelana não teria alternativas. “Ela foi bastante gentil, mas, na verdade, não tem escolha”, disse.
As declarações de ambos os lados reforçam o clima de tensão e a disputa de narrativas em torno da crise venezuelana. Enquanto o governo de Caracas sustenta a legitimidade de Maduro e denuncia uma agressão externa, Washington afirma ter respaldo político interno para conduzir o futuro do país, ampliando a incerteza sobre os próximos passos da Venezuela.
