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12 de fevereiro de 2026 - 15h35
JUSTIÇA ELEITORAL

TSE rejeita pedido do Novo para barrar desfile que homenageia Lula no Rio

Ministros consideram que não há como reconhecer abuso de poder antes da realização do evento

12 fevereiro 2026 - 13h50João Pedro Bitencourt
TSE decidiu por unanimidade rejeitar pedido para impedir desfile que homenageia Lula no Rio
TSE decidiu por unanimidade rejeitar pedido para impedir desfile que homenageia Lula no Rio - (Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral decidiu, por unanimidade, rejeitar o pedido do Partido Novo que tentava impedir o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro, cujo enredo homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 12.

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A legenda acusa Lula, o PT e a agremiação de promover propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder político e econômico. No entanto, os ministros entenderam que não é possível reconhecer irregularidade antes da realização do evento e da formalização de eventual candidatura.

Relatora do caso, a ministra Estela Aranha votou pela rejeição do pedido. Ela foi acompanhada pelos ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia, Antonio Carlos Ferreira, Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques.

Ministros afastam análise preventiva - Ao apresentar seu voto, Estela Aranha afirmou que a gravidade de eventual abuso deve ser analisada com base em fatos concretos e no contexto eleitoral.

“A gravidade não é abstrata. É aferida à luz do conjunto probatório, após a ocorrência dos fatos e considerando o contexto da disputa. Não há de se falar em abuso de poder em tese nem discuti-lo preventivamente. Portanto, não caberia declarar abuso antes da realização do evento nem realizar juízo liminar preventivo, sem que a candidatura seja oficializada e sem que o contexto eleitoral seja consolidado”, declarou.

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, também afastou a possibilidade de intervenção antes do desfile. Segundo ela, a Constituição veda qualquer forma de censura.

“É vedada toda e qualquer censura. Barrar o desfile sem se saber o que vai acontecer, pois não há dado objetivo sobre o que a escola vai fazer, isto sim seria, para mim, censura”, afirmou.

Partido Novo mantém ação - O presidente do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que apenas o pedido de liminar foi rejeitado e que a ação principal continua em tramitação na Justiça Eleitoral.

“Os ministros rejeitaram a liminar, mas todos, de forma unânime, reconheceram a gravidade dos fatos descritos na nossa representação. Também admitiram que, caso alguns dos elementos apontados venham a se concretizar, isso poderá ser analisado no julgamento de mérito. Estamos falando de possível propaganda eleitoral antecipada que, se confirmada, pode configurar abuso de poder político e econômico”, disse.

Outra tentativa de barrar a homenagem já havia sido rejeitada. Na quarta-feira, a 21ª Vara Federal Cível do Distrito Federal extinguiu, sem analisar o mérito, uma ação popular que buscava impedir a Acadêmicos de Niterói de levar o enredo para a avenida.

Recursos públicos também são questionados - O Partido Novo também questiona o repasse de R$ 1 milhão feito pela Embratur à escola, com interveniência do Ministério da Cultura. O valor integra um termo de colaboração firmado entre a empresa pública e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Liesa.

O acordo prevê investimento total de R$ 12 milhões, sendo R$ 1 milhão destinado a cada escola do Grupo Especial. Segundo o termo, os recursos são voltados à promoção internacional do carnaval do Rio de Janeiro como produto turístico.

Procurados, o Ministério da Cultura, a Embratur e a Liesa não se manifestaram. A Acadêmicos de Niterói também foi procurada. O espaço segue aberto para manifestações.

A legenda ainda cita que o presidente de honra da escola, Anderson Pipico, é vereador do PT em Niterói, o que, segundo o partido, fragilizaria a tese de neutralidade artística. Pipico declarou que nunca ocupou cargo de direção na agremiação.

Composição do TSE e contexto político - Estela Aranha integra o TSE na vaga destinada à classe dos juristas, indicados pelo presidente da República a partir de listas tríplices elaboradas pelo Supremo Tribunal Federal. O tribunal é composto por sete ministros titulares com mandatos de dois anos, renováveis por mais dois, sendo três oriundos do STF, dois do Superior Tribunal de Justiça e dois da classe dos juristas.

O enredo da escola é intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” e presta homenagem à trajetória do presidente.

Lula confirmou a aliados que pretende acompanhar o desfile no próximo domingo, 15, na Marquês de Sapucaí. O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ofereceu dois camarotes da prefeitura para o presidente, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e convidados.

A decisão do TSE mantém o desfile previsto e transfere para eventual análise futura qualquer questionamento sobre possível impacto eleitoral do evento.

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