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23 de fevereiro de 2026 - 20h10
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REGRAS ELEITORAIS

TSE começa a julgar regras das eleições de 2026 com foco em inteligência artificial

Corte precisa aprovar resoluções até 5 de março; uso de IA nas campanhas é principal ponto de debate

23 fevereiro 2026 - 18h15João Pedro Bitencourt
TSE inicia julgamento das regras que vão regulamentar as eleições de 2026, com foco no uso de inteligência artificial.
TSE inicia julgamento das regras que vão regulamentar as eleições de 2026, com foco no uso de inteligência artificial. - (Foto: Luiz Roberto/Secom/TSE)

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inicia nesta quinta-feira (26) o julgamento das minutas de resoluções que vão regulamentar as eleições de 2026. Uma sessão extraordinária também foi convocada para a próxima segunda-feira (2), já que as normas precisam ser aprovadas até 5 de março, conforme o calendário eleitoral.

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O relator das propostas é o vice-presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. Em janeiro, ele apresentou versões preliminares dos textos e abriu prazo para sugestões da sociedade civil e de plataformas digitais. Ao todo, o tribunal recebeu 1.423 propostas de alteração, parte delas discutidas em audiência pública realizada nos dias 3, 4 e 5 deste mês.

Segundo o TSE, não há atraso no processo e todos os prazos estão sendo cumpridos dentro do cronograma legal.

Inteligência artificial no centro do debate

A principal expectativa gira em torno da regulamentação do uso de inteligência artificial (IA) nas campanhas eleitorais. Nunes Marques afirmou que o impacto da tecnologia nas eleições de 2026 exige “escuta ativa dos atores do processo eleitoral, bem como das empresas de tecnologia, de modo a construir dispositivos que verdadeiramente contribuam” para a proteção de direitos.

Conteúdos adulterados e imagens manipuladas por IA já circulam nas redes sociais envolvendo, principalmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve disputar a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato ao Palácio do Planalto.

Em 2024, diante do avanço da tecnologia, o TSE passou a exigir a rotulagem de conteúdos produzidos com auxílio de IA e proibiu o uso de deepfakes no contexto eleitoral. Essas regras seguem em vigor. Para 2026, a tendência apontada por especialistas é de ajustes pontuais, com possível refinamento dos mecanismos de combate à desinformação.

Proposta de multa

O Ministério Público Eleitoral sugeriu ao TSE a criação de multa de até R$ 30 mil para quem divulgar conteúdo manipulado por inteligência artificial durante a campanha.

Pela proposta, a penalidade começaria em R$ 5 mil e poderia alcançar também o candidato beneficiado pela divulgação, caso fique comprovado que ele tinha conhecimento da irregularidade.

Ao todo, o MP Eleitoral apresentou 81 sugestões de mudança nas resoluções, incluindo temas como registro de candidaturas, financiamento de campanha e pesquisas eleitorais.

Mudança no comando do tribunal

O ano também marcará a troca na presidência do TSE. A ministra Cármen Lúcia deixará o comando da Corte, que passará a ser presidida por Kassio Nunes Marques. O vice será o ministro André Mendonça. Ambos já divergiram de posições adotadas em gestões anteriores.

Antes de cada eleição, o TSE edita resoluções para atualizar regras sobre propaganda, fiscalização, auditoria, ilícitos eleitorais e prestação de contas. As normas aprovadas agora vão balizar a disputa de outubro de 2026.

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