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07 de fevereiro de 2026 - 14h36
ESTADOS UNIDOS

Trump admite não ter visto trecho racista de vídeo, mas descarta pedido de desculpas

Publicação que retrata Barack e Michelle Obama como macacos gerou críticas até de aliados republicanos

7 fevereiro 2026 - 13h15
Trump afirmou que não viu o trecho racista do vídeo publicado em suas redes sociais, mas descartou pedir desculpas.
Trump afirmou que não viu o trecho racista do vídeo publicado em suas redes sociais, mas descartou pedir desculpas. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que não assistiu ao trecho racista do vídeo que publicou em seu perfil em uma rede social e que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. Apesar de condenar o conteúdo, o republicano disse que não pretende pedir desculpas pela postagem, que acabou sendo apagada após forte repercussão negativa.

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Trump falou com jornalistas enquanto embarcava no avião presidencial. Segundo ele, a publicação ocorreu sem que tivesse conhecimento do conteúdo completo do vídeo. “Eu não cometi nenhum erro. Quer dizer, eu analiso milhares de coisas. E eu vi o começo [do vídeo]. Estava tudo bem”, declarou.

A gravação teve ampla circulação e provocou reação imediata de parlamentares democratas e também de líderes do Partido Republicano, que pressionaram o presidente a se retratar publicamente. Mesmo assim, Trump reafirmou que não considera necessário um pedido formal de desculpas.

O trecho considerado racista aparece nos segundos finais de um vídeo de aproximadamente um minuto. Nele, Barack Obama, primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, e Michelle Obama são mostrados em corpos de macacos. A imagem, com cerca de dois segundos de duração, foi incluída ao final de um conteúdo que reúne teorias da conspiração sobre as eleições presidenciais de 2020.

Naquele pleito, Trump foi derrotado pelo democrata Joe Biden e não reconheceu o resultado das urnas. As alegações de fraude eleitoral já foram investigadas e desmentidas por autoridades eleitorais, tribunais e órgãos independentes.

Diante da repercussão, o presidente tentou se eximir de responsabilidade direta. Pressionado, afirmou que “provavelmente” ninguém de sua equipe teria visto o final do vídeo antes da publicação. “Alguém deixou passar um detalhe muito pequeno. Aliás, repito, não fui eu que fiz isso, foi outra pessoa. Foi uma republicação, não fomos nós que fizemos [o vídeo]”, acrescentou.

Críticas dentro do Partido Republicano - As críticas ao conteúdo não se limitaram à oposição democrata. Integrantes do próprio Partido Republicano classificaram o vídeo como ofensivo e incompatível com a posição institucional do presidente.

O senador Tim Scott, único republicano negro em exercício no Congresso dos Estados Unidos, afirmou que ficou chocado com a postagem. “Rezei para que o vídeo fosse falso, porque é a coisa mais racista que já vi vinda desta Casa Branca”, disse.

Já o deputado republicano Mike Lawler classificou a publicação como “extremamente ofensiva”, independentemente de ter sido intencional ou fruto de um erro. Para ele, além de apagar o vídeo, Trump deveria se desculpar publicamente pelo episódio.

A publicação ocorreu em meio a uma série de postagens de Trump que retomam acusações falsas de fraude nas eleições de 2020. No vídeo em que os Obama aparecem de forma racista, também são citadas denúncias já desmentidas envolvendo a empresa Dominion Voting Systems, responsável por sistemas de contagem de votos.

A Dominion foi alvo de teorias conspiratórias difundidas por aliados de Trump após a derrota eleitoral. Em razão dessas acusações, a emissora Fox News, alinhada ao ex-presidente, firmou um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões com a empresa para encerrar um processo por difamação.

Impacto político e cenário eleitoral - Analistas avaliam que a insistência de Trump em reforçar narrativas de fraude e episódios como o vídeo racista podem ampliar desgastes políticos em um momento sensível. Há projeções de que o republicano corre o risco de perder a estreita maioria que mantém na Câmara e no Senado nas eleições legislativas de novembro.

No último sábado, o democrata Taylor Rehmet venceu uma disputa por uma cadeira no Senado estadual do Texas que estava sob controle republicano desde a década de 1990. A informação foi divulgada pela historiadora Heather Cox Richardson, da Universidade de Boston.

Segundo ela, o democrata venceu “com uma margem de 14,4 pontos percentuais em um distrito que Trump venceu em 2024 por 17 pontos”. Para a especialista, a virada de 32 pontos percentuais deixou os republicanos “em pânico total”, sinalizando um ambiente político mais instável para o partido.

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