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17 de janeiro de 2026 - 18h22
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POLÍTICA INTERNACIONAL

Trump impõe tarifas a países europeus para pressionar compra da Groenlândia

Presidente dos EUA anuncia sanções comerciais progressivas e provoca reação popular e diplomática na Europa

17 janeiro 2026 - 16h30Gabriel Azevedo
Protesto em Nuuk reúne moradores contra proposta de compra da Groenlândia pelos Estados Unidos após anúncio de tarifas por Trump.
Protesto em Nuuk reúne moradores contra proposta de compra da Groenlândia pelos Estados Unidos após anúncio de tarifas por Trump. - (Foto: Imagem Ilustrativa/A Critica)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (17) a imposição de tarifas progressivas sobre mercadorias de oito países europeus como forma de pressionar um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. As tarifas terão início em 10% a partir de 1º de fevereiro de 2026 e poderão chegar a 25% em 1º de junho do mesmo ano, caso não haja avanço nas negociações.

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A medida foi divulgada em uma longa declaração publicada nas redes sociais. Segundo Trump, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia teriam sido beneficiados por décadas de isenções tarifárias e outras formas de apoio econômico concedidas pelos Estados Unidos. “Agora, após séculos, é hora de a Dinamarca retribuir. A paz mundial está em jogo”, escreveu o presidente americano.

Trump justificou a decisão com argumentos ligados à segurança internacional. Ele afirmou que China e Rússia teriam interesse estratégico na Groenlândia e que a Dinamarca não teria capacidade de proteger o território. Em tom irônico, declarou que a defesa atual da ilha se resumiria a “dois trenós puxados por cães”, com a recente adição de um terceiro. Segundo ele, apenas os Estados Unidos, sob sua presidência, teriam condições de garantir a segurança da região.

O presidente americano também criticou a presença recente de países europeus na Groenlândia. Em sua declaração, afirmou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia teriam enviado representantes ao território “com propósitos desconhecidos”, classificando o cenário como “muito perigoso para a segurança e a sobrevivência do planeta”.

Trump disse ainda que as tarifas permanecerão em vigor até que seja firmado um acordo para a aquisição da Groenlândia. Ele lembrou que os Estados Unidos tentam comprar o território “há mais de 150 anos” e que iniciativas anteriores fracassaram por resistência dinamarquesa.

O presidente associou a urgência da compra a um projeto estratégico de defesa denominado por ele de “Cúpula Dourada”, que envolveria investimentos de centenas de bilhões de dólares em sistemas ofensivos e defensivos avançados. Segundo Trump, o pleno funcionamento desse sistema dependeria da inclusão da Groenlândia, citando inclusive impactos na proteção do Canadá.

Ao final da declaração, Trump afirmou que os Estados Unidos estão “imediatamente abertos a negociações” com a Dinamarca e os demais países citados, mas defendeu a adoção de “medidas enérgicas” para encerrar o que classificou como uma situação potencialmente perigosa.

As declarações provocaram reação imediata na Europa. Neste sábado, milhares de pessoas se reuniram em cidades como Copenhague, na Dinamarca, e Nuuk, capital da Groenlândia, em protestos organizados sob o lema “Mãos Fora da Groenlândia”. Na capital dinamarquesa, manifestantes marcharam até a embaixada dos Estados Unidos aos gritos de “a Groenlândia não está à venda”.

Pesquisa recente indica que 85% dos groenlandeses são contrários ao controle americano da ilha, enquanto apenas 6% se mostram favoráveis. Na semana passada, a Dinamarca anunciou o reforço de sua presença militar no território. Aliados da Otan, como França e Alemanha, também sinalizaram o envio de tropas à região.

O ex-secretário-geral da Otan Anders Fogh Rasmussen afirmou ao Financial Times que Trump estaria usando a Groenlândia como “uma arma de distração em massa”, enquanto a principal ameaça à segurança europeia seguiria sendo a guerra da Rússia na Ucrânia. Paralelamente, uma delegação bipartidária do Congresso dos Estados Unidos esteve em Copenhague para demonstrar apoio à Dinamarca e à Groenlândia, em movimento que contrastou com a posição da Casa Branca.

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