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TENSÃO GLOBAL

Trump exalta poder militar dos EUA e chama operação na Venezuela de brilhante

Presidente afirma que nenhuma nação é páreo para os Estados Unidos e nega que país esteja em guerra com a Venezuela

6 janeiro 2026 - 14h35Redação O Estado de S. Paulo
Donald Trump durante discurso a republicanos, ao exaltar a operação militar dos EUA na Venezuela.
Donald Trump durante discurso a republicanos, ao exaltar a operação militar dos EUA na Venezuela. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (6) que a operação militar realizada na Venezuela foi “brilhante” e serviu para demonstrar, mais uma vez, a força das Forças Armadas americanas. Em discurso direcionado a deputados do Partido Republicano, ele declarou que nenhuma outra nação é “páreo” para os Estados Unidos e celebrou a captura do líder venezuelano Nicolás Maduro.

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“Ninguém é páreo para nós. Ninguém é capaz de fazer o que fizemos”, disse Trump ao comentar a ação que resultou na prisão de Maduro. Segundo o presidente, a ofensiva evidenciou a superioridade bélica dos EUA. “Os Estados Unidos provaram, mais uma vez, que são os mais poderosos, os mais sofisticados e sem medo em todo o planeta Terra. Ninguém poderia ter feito isso, nós somos muito rápidos, ninguém tem essas armas”, afirmou.

O discurso foi feito no Kennedy Center, em Washington, onde parlamentares republicanos se reuniram. Durante a fala, Trump deu detalhes da operação do último sábado (3), ironizou as danças de Maduro e voltou a atacar o ex-presidente venezuelano, a quem chamou de “violento” e acusou de torturar pessoas.

Apesar do tom duro, Trump negou que os Estados Unidos estejam em guerra com a Venezuela. Em entrevista à NBC News, na noite de segunda-feira (5), o presidente afirmou que o conflito não é contra o país, mas contra o crime organizado. “Não, não estamos (em guerra). Estamos em guerra com quem vende drogas. Estamos em guerra com quem esvazia suas prisões em nosso país, com seus viciados em drogas e com seus hospitais psiquiátricos”, declarou.

Questionado sobre os próximos passos políticos após a captura de Maduro, Trump descartou a realização de eleições no curto prazo na Venezuela. Segundo ele, não há condições para uma votação em 30 dias. “Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem”, afirmou.

O presidente também citou as autoridades que irão supervisionar o envolvimento dos Estados Unidos na Venezuela. Ele mencionou o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente JD Vance. Ao ser perguntado sobre quem teria a palavra final nas decisões, Trump respondeu de forma direta: “Eu”.

Enquanto isso, o governo venezuelano tenta demonstrar normalidade institucional após a prisão de Maduro. Parlamentares alinhados ao regime chavista, incluindo o filho do ex-presidente, reuniram-se em Caracas para dar continuidade à cerimônia de posse da Assembleia Nacional, cujo mandato se estende até 2031.

Durante a sessão, foi reeleito o presidente da Assembleia, irmão da atual vice-presidente Delcy Rodríguez. Os discursos se concentraram na condenação da captura de Maduro pelas forças americanas. Nicolás Maduro Guerra, filho do líder deposto, fez sua primeira aparição pública desde sábado e classificou a ação dos Estados Unidos como uma ameaça global.

“Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro. Hoje é a Venezuela. Amanhã, pode ser qualquer nação que se recuse a se submeter”, afirmou Maduro Guerra no Palácio Legislativo. Ele também exigiu que seu pai e sua madrasta, Cilia Flores, sejam devolvidos à Venezuela e pediu apoio internacional.

Maduro Guerra, conhecido como “Nicolasito”, disse ainda ter sido citado como co-conspirador na acusação federal apresentada pelos Estados Unidos contra seu pai e Cilia Flores, o que, segundo ele, amplia a gravidade da ofensiva americana.

Na segunda-feira (5), Nicolás Maduro fez sua primeira aparição em um tribunal dos Estados Unidos, em Nova York. Ele respondeu às acusações de narcoterrorismo utilizadas pela administração Trump para justificar a operação militar e sua transferência ao país. Durante a audiência, declarou-se inocente e afirmou ser “um homem decente”, negando as acusações federais de tráfico de drogas.

A escalada retórica de Trump e as reações do governo venezuelano reforçam o clima de instabilidade internacional e ampliam as incertezas sobre os desdobramentos políticos e diplomáticos da ação americana na América do Sul.

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