
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou oficialmente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o chamado “Conselho de Paz”, organismo internacional proposto por Washington com o objetivo de discutir uma saída política para o conflito na Faixa de Gaza. A informação foi confirmada pela reportagem após a chegada da carta ao Palácio do Planalto na sexta-feira (16), por meio da Embaixada do Brasil em Washington.
Até o momento, o governo brasileiro não informou se aceitará ou não o convite. A iniciativa faz parte da chamada “fase dois” de um plano apoiado pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no território palestino, anunciado por Trump nesta quinta-feira (15).
Em publicação na rede Truth Social, o presidente americano afirmou que a criação do conselho representa um passo central da estratégia. “É para mim uma grande honra anunciar que o Conselho de Paz foi formado”, escreveu Trump, acrescentando que os demais membros do órgão seriam divulgados “em breve”.
Na sexta-feira, a Casa Branca anunciou a composição do conselho executivo do organismo, que será presidido por Trump. O grupo contará com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio; o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff; o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair; o genro de Trump, Jared Kushner; o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga; o diretor-executivo da Apollo Global Management, Marc Rowan; e o vice-conselheiro de segurança nacional dos Estados Unidos, Robert Gabriel.
Segundo o governo americano, o diplomata búlgaro Nickolay Mladenov, ex-alto funcionário das Nações Unidas, atuará como Alto Representante para Gaza. A Casa Branca informou ainda que os detalhes operacionais e o alcance efetivo da atuação do conselho serão definidos posteriormente.
Além do Brasil, Trump também convidou a Argentina para integrar o Conselho de Paz como membro fundador. O convite foi confirmado neste sábado (17) pelo presidente argentino Javier Milei, que divulgou em suas redes sociais a carta enviada pela Casa Branca. Na mensagem, Trump afirma que a iniciativa se baseia em um plano de 20 pontos para a região e prevê a criação de um novo organismo internacional com funções ampliadas, incluindo uma administração de transição para Gaza.
Milei agradeceu o convite e manifestou alinhamento com a proposta americana. “É uma honra para nós fazer parte de uma organização criada para promover uma paz duradoura em regiões afetadas por conflitos, começando pela Faixa de Gaza”, escreveu. O presidente argentino afirmou ainda que o país “sempre estará ao lado das nações que combatem o terrorismo e promovem a paz e a liberdade”.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também confirmou publicamente a aceitação do convite. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o país assume “com orgulho” a responsabilidade de trabalhar ao lado dos Estados Unidos por uma solução duradoura para o conflito.
A eventual participação do Brasil no Conselho de Paz ocorre em um contexto sensível da política externa brasileira, que tradicionalmente defende soluções multilaterais e o fortalecimento do papel de organismos internacionais, como a ONU, na mediação de conflitos no Oriente Médio.

