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DEMOCRACIA

Três anos após 8 de janeiro, governo e STF fazem atos em Brasília

Cerimônias marcam data dos ataques golpistas de 2023, têm foco na defesa da democracia e podem incluir veto de Lula a projeto que reduz penas

8 janeiro 2026 - 15h05Rayanderson Guerra
Três anos após os ataques de 8 de janeiro, governo Lula e STF fazem atos em Brasília e reforçam discurso em defesa da democracia.
Três anos após os ataques de 8 de janeiro, governo Lula e STF fazem atos em Brasília e reforçam discurso em defesa da democracia. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Três anos depois dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, Brasília volta a ser palco de uma agenda simbólica em defesa das instituições. Nesta quinta-feira, 8, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o Supremo Tribunal Federal (STF) organizam atos e cerimônias para relembrar o impacto das invasões aos prédios dos Três Poderes e as consequências políticas e jurídicas daquele dia.

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No Palácio do Planalto, Lula participa de uma cerimônia que resgata a memória dos atos, realizados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inconformados com o resultado da eleição presidencial. Na ocasião, grupos pediam intervenção militar e ocuparam as sedes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, deixando um rastro de destruição em Brasília.

Há expectativa de que o presidente aproveite o evento para anunciar o veto ao projeto de lei aprovado pelo Congresso que reduz as penas dos condenados pela depredação dos prédios dos Três Poderes, incluindo Bolsonaro. O texto é alvo de disputa entre o governo e setores do Legislativo e se tornou um dos pontos mais sensíveis da agenda política ligada ao 8 de janeiro.

Apesar da relevância simbólica do ato, os presidentes da Câmara e do Senado não estarão presentes. Convidados pelo Planalto, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) informaram que não participarão da cerimônia, que ocorre no Salão Nobre e também na área externa do Palácio. A ausência das duas principais lideranças do Congresso dá o tom das divergências em torno da resposta aos ataques de 2023.

O 8 de janeiro é considerado um marco do início do atual governo. No dia das invasões, Lula estava em Araraquara, a cerca de 270 quilômetros da capital paulista, quando recebeu as primeiras informações sobre a ocupação dos prédios públicos em Brasília. Diante da gravidade da situação, o presidente decretou intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal, retirando o comando das forças locais.

As imagens de prédios depredados, vidraças quebradas, obras destruídas e mobiliário revirado correram o mundo e se tornaram símbolo da tentativa de ruptura institucional. Os processos judiciais abertos a partir daquele dia levaram à condenação de centenas de envolvidos, e o debate sobre punições, anistia e dosimetria das penas passou a mobilizar governo, oposição e o Supremo.

Além do ato no Palácio do Planalto, o STF preparou uma programação própria, aberta ao público, para marcar a data. As atividades começam às 14h30, com a exposição “8 de janeiro: mãos da reconstrução”, montada no átrio do Espaço do Servidor. A mostra remete ao trabalho de recuperação do prédio do tribunal depois dos ataques e destaca a participação de servidores e equipes técnicas na reconstrução do espaço.

Na sequência, às 15h, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: mãos da reconstrução”. O filme recupera imagens e depoimentos sobre o dia dos ataques e o processo de restauração do Supremo, reforçando a ideia de continuidade institucional apesar da tentativa de golpe.

Como parte da programação, o STF também promove uma roda de conversa com jornalistas que fizeram a cobertura do 8 de janeiro. A proposta é discutir como a imprensa acompanhou os ataques, a reação das autoridades e os desdobramentos jurídicos e políticos ao longo dos três anos seguintes.

Fora das sedes oficiais, movimentos sociais e partidos de esquerda convocaram manifestações em defesa da democracia. Em Brasília, a concentração foi marcada para as 8h, em frente ao Palácio do Planalto, com a participação de militantes, representantes de entidades e parlamentares aliados ao governo. Os atos buscam reforçar a leitura de que o 8 de janeiro deve ser lembrado como um alerta permanente contra novas investidas golpistas.

A combinação de cerimônias oficiais, atividades no Supremo e manifestações de rua mostra que a data segue viva na disputa de narrativas. De um lado, o governo Lula e o STF tentam consolidar a ideia de que as instituições resistiram e reagiram de forma firme. De outro, o debate sobre as penas e o projeto que reduz condenações, inclusive a de Bolsonaro, mantém o tema no centro das tensões entre o Executivo e o Congresso.

Ao marcar três anos do 8 de janeiro com agendas públicas, o Planalto e o STF buscam evitar que o episódio seja tratado como um evento isolado do passado. A mensagem é de que a memória dos ataques e das respostas institucionais precisa ser preservada para que a democracia siga sendo protegida e para que novas investidas contra o resultado das urnas não encontrem terreno fértil.

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