
A posse dos novos secretários de Fazenda, Governo e Saúde de Campo Grande, realizada nesta quinta-feira (8), virou também um ato político de apoio à gestão da prefeita Adriane Lopes (PP). A senadora Tereza Cristina (PP) fez um balanço do primeiro ano da administração, defendeu as medidas impopulares adotadas pela prefeitura e afirmou que 2026 precisa ser o ano das entregas concretas à população.
Em um dos trechos mais fortes de sua fala, ela resumiu o momento vivido pela Capital. “Cresce, só evolui quando a gente é desafiado. E hoje Campo Grande está sendo desafiada. [...] Às vezes eu tenho que tomar uma medida amarga para poder melhorar, para poder crescer, para poder entregar", explica.
Para a senadora, o primeiro ano da gestão Adriane foi dedicado a “arrumar a casa” e reorganizar as finanças, enquanto 2026 deve ser marcado por uma atuação mais leve, mas firme, com foco em resultados visíveis nas ruas, nos postos de saúde e no dia a dia do cidadão.
Logo no início de sua fala, Tereza Cristina desejou um feliz 2026 ao público presente e fez questão de lembrar que a administração municipal vem atravessando uma fase de ajustes duros. “O primeiro ano foi de arrumação da casa. O primeiro ano foi de medidas que não são simpáticas, mas que às vezes precisam ser tomadas”, afirmou.
Para explicar esse processo, a senadora recorreu a uma metáfora doméstica, aproximando a realidade da prefeitura da realidade das famílias: “Você é igual na casa, quando você tem um problema, você tem que chegar em casa e dizer para o seu filho: ‘Ó, eu tenho que tirar você da escola privada e você tem que ir para a escola pública, porque nós estamos com um problema. Mas vai resolver. Em breve eu vou te colocar lá de novo’. Então, a prefeitura é assim", detalha.
Um dos eixos centrais da fala de Tereza Cristina foi a defesa de que governar nem sempre é fazer apenas o que agrada. Ela insistiu na ideia de que a prefeita tem assumido decisões impopulares justamente para poder colher resultados mais à frente.
Tereza Cristina defende medidas “amargas”, apoia Adriane Lopes e cobra entregas em saúde e serviços em Campo Grande - (Foto: Douglas Vieira)“Se a prefeita não toma medidas que às vezes são amargas, é muito fácil ficar dentro do gabinete. Eu vou fazer isso porque isso aqui é ruim. Não é ruim. Às vezes eu tenho que tomar uma medida amarga para poder melhorar, para poder crescer, para poder entregar", diz.
Ao mesmo tempo, ela reforçou que a população tem o direito, e até o dever, de cobrar resultados concretos: “A população tem que cobrar, sim, as entregas. E isso os vereadores têm que fazer, cobrar as entregas", afirma.
A senadora afirmou conhecer “muita coisa boa” que vem acontecendo na cidade, mas reconheceu que o que mais chama a atenção do cidadão é aquilo que afeta diretamente a rotina: “Tem muita coisa que já entregou, mas que não apareceu. Mas as que foram entregues e aquelas que vão ser entregues, que é o que aparece mais, é o buraco, é o remédio no posto. É o médico que tem que ir lá para o plantão, que às vezes não vai", salienta.
Em tom de desabafo, Tereza Cristina criticou o que chamou de “onda” de reclamações concentradas apenas em problemas como buracos nas ruas, agravados pelo período de chuvas, sem considerar o conjunto de ações em andamento.
“Nós precisamos parar com essa onda, com os buracos, a chuva. A chuva vai passar, está na época de chover. É ruim o buraco, é”, admitiu, ao mesmo tempo em que pediu calma e compreensão. A senadora reconheceu o incômodo da população, mas reforçou que parte das dificuldades decorre de circunstâncias sazonais e do momento de reorganização da cidade.

