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POLÍTICA

Tarcísio reduz agenda nacional e prioriza São Paulo após avanço de Flávio Bolsonaro em 2026

Governador evita embates no campo presidencial, mira pautas estaduais e busca afastar ruídos com a família Bolsonaro

5 janeiro 2026 - 13h25Geovani Bucci
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem priorizado pautas estaduais em meio ao cenário político nacional.
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tem priorizado pautas estaduais em meio ao cenário político nacional. - (Foto: Reprodução via X)

Com o avanço do plano da família do ex-presidente Jair Bolsonaro em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passou a recalibrar sua atuação política. A decisão tem se traduzido em menor exposição em debates nacionais e maior concentração em temas ligados diretamente à gestão paulista.

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De acordo com interlocutores próximos ao governador ouvidos pelo Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o movimento busca evitar interpretações de disputa interna no campo da direita e reduzir o risco de ataques vindos de integrantes do clã Bolsonaro. A preocupação com críticas públicas, especialmente dos filhos do ex-presidente, sempre esteve entre os fatores que levaram Tarcísio a tratar com cautela qualquer especulação sobre uma candidatura presidencial.

A relação nunca foi totalmente harmônica. O governador paulista, por exemplo, jamais contou com respaldo unânime da família Bolsonaro, em especial do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Esse desconforto voltou à tona recentemente após declarações do pastor Silas Malafaia, que afirmou preferir Tarcísio como nome da direita para a Presidência, tendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) como vice.

A fala provocou reação imediata de Eduardo Bolsonaro. Nas redes sociais, ele publicou imagens do governador cumprimentando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em um gesto interpretado como tentativa de expor a postura institucional de Tarcísio e alimentar críticas sobre sua posição política. Em ocasiões anteriores, Eduardo já havia afirmado que o governador “não é de direita”.

O desgaste entre os dois antecede o debate eleitoral de 2026, mas ganhou novos contornos após a atuação de Eduardo nos Estados Unidos, onde defendeu sanções do então presidente Donald Trump contra o Brasil. À época, Tarcísio teria dito a aliados que o ex-deputado estava “fazendo gol contra” e se transformando no “maior cabo eleitoral de Lula”.

Relação distinta com Flávio Bolsonaro - O clima é diferente na relação com Flávio Bolsonaro, apontado por aliados como o filho mais moderado do ex-presidente. O vínculo é descrito como cordial, ainda que marcado por cautela. Nos bastidores, Flávio tem adotado um discurso voltado à preservação da relação com o governador paulista.

O senador tem afirmado que Tarcísio é uma peça fundamental para a estratégia da direita em 2026, sobretudo pelo peso político e econômico de São Paulo, maior colégio eleitoral e principal PIB do País. Mesmo reconhecendo divergências, Flávio defende que elas sejam deixadas em segundo plano para evitar conflitos internos e preservar um palanque relevante no Estado.

A avaliação de aliados é que essa postura busca manter a força política de Tarcísio em nível estadual, ainda que não haja alinhamento pleno em todos os temas. A ideia é evitar rupturas que possam fragilizar o projeto nacional da direita no próximo ciclo eleitoral.

Leitura eleitoral e recuo estratégico - Entre aliados do governador, há o entendimento de que o atual cenário eleitoral também influencia a decisão de reduzir o protagonismo nacional. A mais recente pesquisa Quaest sobre a sucessão presidencial mostra Flávio Bolsonaro liderando entre os nomes da direita no primeiro turno de 2026, ainda que atrás do presidente Lula. O petista aparece com 41% das intenções de voto, Flávio soma 23% e Tarcísio registra 10%.

O diagnóstico interno é de que o eleitorado conservador segue majoritariamente identificado com o bolsonarismo. Diante desse quadro, Tarcísio tem optado por evitar confrontos e concentrar esforços na administração paulista. Flávio, por sua vez, tenta se apresentar como herdeiro desse campo político, defendendo uma agenda liberal, com redução de impostos e foco em segurança pública, além de um discurso mais moderado para reduzir resistências no mercado financeiro.

Argumentos contra uma candidatura presidencial - Publicamente, Tarcísio tem listado razões para afastar a hipótese de disputar a Presidência. Embora reconheça que governadores de São Paulo costumam ser lembrados em cenários nacionais, ele costuma citar a própria história política do País, que registra poucos casos de sucesso nessa trajetória. O governador também afirma estar satisfeito com a função que exerce e confortável em manter o foco no Estado.

Mesmo mantendo críticas ao PT como pano de fundo, a estratégia atual é aprofundar a agenda local. Entre as prioridades estão projetos de revitalização do centro da capital paulista, a reurbanização da Favela do Moinho, a implantação do novo Centro Administrativo, ações para o fim da Cracolândia, além da privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Outro ponto central tem sido o embate com a Enel Distribuição São Paulo. Tarcísio tem elevado o tom contra a concessionária, defendendo a retirada da empresa do Estado. O governador acusa a Enel de incapacidade operacional e critica a expectativa de renovação automática do contrato, o que classificou como um desrespeito à população paulista.

Conflitos com o governo federal - Em balanço feito em dezembro, Tarcísio voltou a abordar a remoção de famílias da Favela do Moinho, classificando a medida como necessária para a urbanização da área. Segundo ele, a resistência ao projeto ignora as condições precárias em que vivem os moradores, sob influência do crime organizado. O tema tem gerado atritos diretos com o governo Lula.

No saneamento, o governador respondeu a críticas sobre reajustes tarifários, atribuindo os aumentos à reposição inflacionária. Ele também destacou a ampliação da tarifa social, afirmando que a medida foi viabilizada sem prejuízo ao parceiro privado.

No caso da Enel, além de questionar a atuação da empresa, Tarcísio responsabilizou o Ministério de Minas e Energia por falhas no acompanhamento da concessão. Em declarações recentes, chegou a classificar o monitoramento do governo federal como ineficaz, ampliando o tom de confronto institucional.

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