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23 de fevereiro de 2026 - 13h17
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CASO MARIELLE

STF inicia julgamento de acusados pelos assassinatos de Marielle e Anderson

Primeira Turma analisa denúncia por duplo homicídio e tentativa de assassinato; sessões seguem até quarta

23 fevereiro 2026 - 11h45Rayanderson Guerra
Primeira Turma do STF começa a julgar acusados pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Primeira Turma do STF começa a julgar acusados pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar nesta terça-feira (24) os acusados de mandar e participar do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, crime que completa oito anos em 2026 e ainda repercute no cenário político nacional.

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A Primeira Turma da Corte analisa a ação penal contra um conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, um ex-chefe da Polícia Civil do estado e um ex-policial militar. Eles respondem por duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da ex-assessora parlamentar que sobreviveu ao ataque. Um ex-assessor também é réu, acusado de integrar organização criminosa.

Foram marcadas duas sessões nesta terça, às 9h e às 14h, e outra na quarta-feira (25), pela manhã.

Como será o julgamento - A sessão será aberta pelo presidente da Primeira Turma, ministro Flávio Dino. Em seguida, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, fará a leitura do relatório com o resumo da investigação, os argumentos da acusação e das defesas.

Depois começam as sustentações orais. A Procuradoria-Geral da República terá até uma hora — podendo chegar a uma hora e meia — para apresentar a acusação. O assistente de acusação, indicado pela sobrevivente do atentado, também poderá se manifestar por até uma hora. Cada defesa terá o mesmo tempo.

Em seguida, os ministros votam. A ordem começa pelo relator e segue por antiguidade: Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e, por último, Flávio Dino. A decisão será por maioria. Em caso de condenação, os ministros também definirão as penas.

Embora crimes dolosos contra a vida sejam julgados pelo Tribunal do Júri, o caso está no STF porque um dos acusados exercia mandato de deputado federal quando a investigação avançou, o que garante foro na Corte.

O que diz a acusação - Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República e aceita pelo STF em junho de 2024, os irmãos apontados como mandantes teriam planejado o crime por causa da atuação política de Marielle, que se posicionava contra interesses ligados à ocupação de áreas dominadas por milícias no Rio de Janeiro.

De acordo com a acusação, o então chefe da Polícia Civil teria atuado para dificultar as investigações, enquanto o ex-policial militar acusado teria monitorado a rotina da vereadora e repassado informações aos executores. O ex-assessor é apontado como integrante do grupo.

A ação penal foi aberta após a colaboração premiada do ex-policial apontado como autor dos disparos, que forneceu detalhes considerados suficientes para sustentar a denúncia.

Relembre o crime - Marielle Franco foi morta na noite de 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro, após sair de um evento com mulheres negras na Lapa. O carro em que ela estava foi emparelhado por outro veículo, de onde partiram os disparos. A vereadora foi atingida na cabeça e no pescoço. O motorista Anderson Gomes também morreu. A assessora que estava no banco de trás ficou ferida por estilhaços.

A arma utilizada foi uma pistola 9 milímetros, segundo a perícia. Em 2019, dois ex-policiais foram presos, apontados como executores.

O julgamento que começa agora no STF é mais um capítulo de um dos casos criminais mais emblemáticos da história recente do país.

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