
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciou o ano promovendo uma ampla reestruturação no alto escalão da Secretaria de Segurança Pública (SSP). As mudanças, publicadas no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (5), atingem diretamente a cúpula da Polícia Militar e ocorrem após a saída de Guilherme Derrite (PP) do comando da pasta.
Entre as principais alterações estão as substituições do corregedor-geral da Polícia Militar, coronel Fabio Sérgio do Amaral, e do chefe do setor de Inteligência da PM, coronel Pedro Luís de Souza Lopes. Além deles, outros três oficiais do alto escalão da corporação também foram removidos de suas funções.
A movimentação acontece dias depois da nomeação de Henguel Ricardo Pereira como secretário-executivo da Segurança Pública, confirmada na terça-feira (3). Como número dois da pasta, Henguel passa a auxiliar diretamente o secretário Osvaldo Nico Gonçalves na administração da SSP.
Nos bastidores, Henguel já era considerado um nome forte dentro da estrutura da segurança, mas enfrentava resistências internas, especialmente durante a gestão de Guilherme Derrite. Com a mudança de comando, o governador optou por reorganizar cargos estratégicos, em um movimento interpretado por aliados como natural diante da nova configuração da secretaria.
Mudanças estratégicas na PM - Uma das principais nomeações foi a do coronel Rinaldo de Araújo Monteiro para o cargo de chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil do Estado. Ele substitui o próprio Henguel Ricardo Pereira na função. Monteiro atua na Defesa Civil estadual desde 2023 e ocupava o posto de coordenador adjunto de Proteção e Defesa Civil.
Para a Corregedoria da Polícia Militar, função sensível dentro da corporação, foi designado o coronel Alex dos Reis Asaka, que anteriormente comandava o Comando de Policiamento de Área Metropolitana Onze (CPA/M-11), responsável pela segurança da Zona Leste da capital.
Já o setor de Inteligência da PM passará a ser chefiado pelo coronel Caio Marcos Oliveira, ex-chefe do Centro de Policiamento Metropolitano. A escolha é vista internamente como uma tentativa de fortalecer o braço preventivo da corporação e aprimorar o uso de informações estratégicas.
O governador Tarcísio de Freitas não comentou publicamente as alterações. A aliados, segundo relatos, classificou as mudanças como “naturais” em razão da troca no comando da secretaria.
Autoridades da SSP ouvidas pelo Estadão, sob condição de anonimato, apontam três fatores principais para a reestruturação. O primeiro seria a tentativa de consolidar uma nova imagem da área de Segurança Pública após a saída de Derrite, já que os nomes substituídos eram ligados ao ex-secretário.
Outro fator citado é a preocupação com os índices de letalidade policial. Dados do Ministério Público indicam que, em 2025, o número de mortes causadas por policiais militares em serviço voltou a crescer pelo terceiro ano consecutivo. Foram registradas 672 mortes, contra 653 em 2024.
A corrida eleitoral também aparece como elemento de peso nas mudanças, uma vez que as nomeações reforçam o papel político da pasta e reposicionam quadros estratégicos para o próximo ciclo.
Desde que assumiu a secretaria, Osvaldo Nico Gonçalves também vem promovendo alterações na Polícia Civil. Entre elas, a nomeação da delegada Fernanda Herbella, que atuava na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deatur), para a diretoria da Academia de Polícia.
Outras indicações recentes incluem o delegado Fábio Pinheiro Lopes para o comando do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) e o delegado Oswaldo Diez Junior para a diretoria do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 2 (Deinter-2), com sede em Campinas.
Lista de transferências determinadas
Entre as transferências determinadas pelo governador estão:
Caio Marcos de Oliveira, do Centro de Policiamento Metropolitano para a Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM);
Paulo Sérgio de Melo, da Academia de Polícia Militar da SSP para a Escola Superior de Sargentos;
Fabio Sérgio do Amaral, da Corregedoria da PM para o Comando de Policiamento do Interior 7;
Pedro Luís de Souza Lopes, da CIPM para o Centro de Policiamento Metropolitano;
Alex dos Reis Asaka, do CPA/M-11 para a Corregedoria da PM;
Rogério Nery Machado, do CPI-6 para o Presídio Militar Romão Gomes;
Glauce Anselmo Cavalli, do Centro de Comunicação Social para a Diretoria de Logística;
Beatriz de Assis Bastos Morassi, do CPA/M-12 para a Diretoria de Tecnologia da Informação e Comunicação;
Alessandro Gregorim Silva, do CPA/M-1 para a Academia de Polícia Militar da SSP.
As mudanças reforçam o redesenho da política de segurança do governo estadual e indicam um novo momento na condução da área em São Paulo.

