
Sul-mato-grossense, ex-prefeita de Três Lagoas e ex-vice-governadora de Mato Grosso do Sul, Simone Tebet (MDB) virou um dos nomes centrais nas articulações para a eleição ao governo de São Paulo. Ministra do Planejamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ela é apontada como possível cabeça de chapa no maior colégio eleitoral do País.
Nesta quarta-feira (21), o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), reforçou publicamente o convite do PSB para que Simone dispute o governo paulista. Mesmo assim, disse que mantém a própria pré-candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.
França lançou seu nome em março de 2025, na Assembleia Legislativa de São Paulo, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do presidente nacional do partido, o prefeito do Recife, João Campos. Desde então, intensificou agendas e passou a criticar com frequência o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas ainda não conseguiu empolgar o campo progressista nem reunir apoio majoritário.
Dentro do PT e do PSB, a leitura é que Lula precisa de um palanque forte em São Paulo para repetir, ao menos, o desempenho de 2022 no Estado. Naquele ano, Fernando Haddad (PT) perdeu para Tarcísio, mas alcançou a maior votação da história do partido em São Paulo: 10.909.371 votos (44,73%). Lula também foi derrotado por Jair Bolsonaro, mas teve votação semelhante, com 11.519.882 votos (44,76%). O resultado é considerado decisivo em um cenário nacional apertado, e a expectativa é de que o peso paulista se repita na eleição deste ano.
A ministra deverá subir ao palanque do presidente Lula neste ano - (Foto: Ricardo Stuckert)Nos bastidores petistas, ainda há quem veja Geraldo Alckmin como o nome “ideal” ao governo paulista, pela imagem de centro, pelo histórico de quatro mandatos como governador e pela capacidade de diálogo com diferentes campos. Alckmin, porém, não demonstra interesse em concorrer e pretende seguir como vice-presidente. A direção do PSB também resiste a abrir mão do posto, considerado estratégico no governo Lula.
Outro nome ventilado é o de Haddad, que deve deixar o Ministério da Fazenda em breve. Ele, no entanto, tem repetido que não pretende disputar as próximas eleições e prefere se dedicar ao projeto de reeleição de Lula.
Nesse cenário, Simone Tebet ganha espaço. Terceira colocada na última eleição presidencial, ela é vista como alguém com perfil semelhante ao de Alckmin: mais ao centro, com potencial para dialogar com eleitorado do interior e romper rejeições que nomes mais identificados com a esquerda enfrentam em São Paulo.
Ainda não há definição sobre o caminho eleitoral da ministra. Ela é cogitada tanto para a disputa ao governo paulista quanto para uma das duas vagas ao Senado em jogo neste ano.
Márcio França, por sua vez, disse que “seria ótimo” contar com Simone no PSB e afirmou que o convite já foi feito. Ao mesmo tempo, reforçou o desejo de voltar a disputar o governo de São Paulo e pontuou que a palavra final será de Lula.
Para Mato Grosso do Sul, a possível candidatura de Simone Tebet ao governo paulista coloca uma sul-mato-grossense — com trajetória em Três Lagoas e no comando do Estado — no centro da eleição mais disputada do país, com impacto direto no projeto de reeleição de Lula - (Foto: Arte A Crítica)“Fui governador e na eleição que disputei, perdi por apenas 1% (em 2018, para João Doria), então é claro que eu gostaria de disputar novamente”, declarou, por meio de sua assessoria. “É legítimo se ela estiver disposta a mudar de estado. Naturalmente, a condução desse processo todo tem de ser feita pelo presidente Lula. Estamos em um governo só”.
No radar do campo governista também está Marina Silva (Rede), ministra do Meio Ambiente, que deve trocar de partido e é cotada para concorrer ao Senado. Com a ida do ex-deputado Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos, a avaliação é que uma das vagas em 2026 está aberta, já que o principal nome da direita hoje é o deputado Guilherme Derrite (PP).
Enquanto isso, permanece a dúvida sobre o movimento de Tarcísio de Freitas: disputar a reeleição em São Paulo ou se colocar como candidato à Presidência da República. Governadores e ministros que quiserem concorrer a outros cargos terão de se desincompatibilizar até abril, caso confirmem a intenção de entrar na disputa.

