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13 de fevereiro de 2026 - 17h15
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INVESTIGAÇÃO NO STF

Relatório da PF cita Toffoli em diálogos sobre aporte de R$ 20 milhões em resort

Mensagens no celular de Daniel Vorcaro mencionam ex-esposa do ministro e empreendimento no Paraná

13 fevereiro 2026 - 15h50 Aguirre Talento
Relatório da PF menciona Toffoli em diálogos sobre aporte milionário em resort no Paraná.
Relatório da PF menciona Toffoli em diálogos sobre aporte milionário em resort no Paraná. - (Foto: STF/Divulgação)

Um relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal menciona o nome do ministro Dias Toffoli em conversas encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As mensagens fazem referência a uma ordem de pagamento de R$ 20 milhões para um resort no Paraná no qual Toffoli tinha participação societária e citam, nominalmente, a ex-esposa do magistrado, Roberta Rangel.

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O documento foi enviado à Presidência do STF, compartilhado com os demais ministros da Corte e encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Até o momento, não há decisão sobre eventuais providências a serem adotadas.

Conversas e menções ao resort - De acordo com o relatório, Vorcaro trocou mensagens com o cunhado, Fabiano Zettel, nas quais comenta sobre o resort Tayayá, no Paraná. Segundo os investigadores, os diálogos indicam que ambos tinham conhecimento de que Toffoli era um dos sócios do empreendimento.

Em um dos trechos, Vorcaro orienta Zettel a realizar um aporte de R$ 20 milhões no Tayayá. O valor é mencionado nas conversas, mas a Polícia Federal ainda não confirmou se a quantia foi efetivamente paga nem se eventual recurso teria sido destinado ao ministro.

Após a divulgação do relatório, Toffoli reconheceu publicamente que é sócio da empresa Maridt, que possuía participação no resort, e afirmou ter recebido dividendos da companhia. Ele não detalhou valores.

A Maridt é oficialmente administrada por dois irmãos do ministro e tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. Parte dessa fatia foi vendida a um fundo ligado a Zettel, cunhado de Vorcaro.

Citações à ex-esposa - O relatório também menciona diálogos nos quais Vorcaro cita o nome de Roberta Rangel. Segundo a PF, há indícios de que ela tenha atuado juridicamente para o Banco Master no período em que ainda era casada com Toffoli. O casal se separou no ano passado.

Nesta fase da apuração, porém, não houve aprofundamento para confirmar se existiu contrato formal entre ela e o banco.

Procurado, Toffoli não comentou especificamente esse ponto. Em manifestação anterior, classificou as informações do relatório como “ilações”, negou relação de amizade com Vorcaro e afirmou que não recebeu pagamentos do banqueiro. A defesa de Vorcaro ainda não se pronunciou.

Troca de mensagens e mudança na relatoria - A Polícia Federal também identificou trocas de mensagens de WhatsApp entre Toffoli e Vorcaro para marcar encontros sociais, além de registros de ligações telefônicas entre os dois. O conteúdo das chamadas não foi detalhado no relatório.

Após reunião realizada na noite de quinta-feira, 12, Toffoli decidiu deixar a relatoria do caso envolvendo o Banco Master no STF. O processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça. Com a mudança, os ministros optaram por extinguir o procedimento aberto a partir do relatório que analisava eventual suspeição do magistrado.

Investigadores ressaltam que o documento tem caráter descritivo e reúne diálogos acompanhados de informações contextuais obtidas em fontes abertas. Segundo a PF, o relatório não configura, neste momento, um ato formal de investigação contra o ministro, mas um resumo das menções encontradas e do contexto em que apareceram.

O material segue sob análise da Procuradoria-Geral da República, que ainda não definiu quais medidas poderão ser adotadas a partir das informações reunidas.

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