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05 de fevereiro de 2026 - 16h12
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CPI NO SENADO

Senador pede convocação da mulher de Moraes e de familiares de Toffoli à CPI do Crime Organizado

Requerimentos citam suspeitas envolvendo contratos milionários, transações societárias e possível lavagem de dinheiro

5 fevereiro 2026 - 15h00Vanessa Araujo
CPI do Crime Organizado deve analisar pedidos de convocação envolvendo familiares de ministros do STF.
CPI do Crime Organizado deve analisar pedidos de convocação envolvendo familiares de ministros do STF. - (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou requerimentos para convocar a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e os irmãos do ministro Dias Toffoli para prestar depoimento à CPI do Crime Organizado, no Senado Federal. Os pedidos foram apresentados na última segunda-feira (2), na abertura do ano legislativo.

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No requerimento que trata da convocação de Viviane Barci, o senador afirma que o depoimento é necessário para esclarecer indícios de uso de serviços jurídicos como possível mecanismo de lavagem de dinheiro e blindagem patrimonial de recursos oriundos de organizações criminosas.

O parlamentar cita um contrato no valor de R$ 129 milhões firmado entre o Banco Master e a sociedade Barci de Moraes Sociedade de Advogados, revelado pelo jornal O Globo. Segundo Vieira, o valor chama atenção por apresentar “desconexão manifesta” em relação aos preços praticados no mercado para serviços da mesma natureza, o que levanta a hipótese de um negócio jurídico simulado.

O senador também menciona investigações da Operação Carbono Oculto, que apontam que o Banco Master teria sido capitalizado com recursos oriundos de fraudes e do tráfico de drogas, operacionalizados por meio da emissão de certificados de depósito bancário (CDBs) pela gestora CBSF DTVM, antiga Reag Trust. Nesse contexto, Vieira sustenta que os pagamentos feitos à sociedade de advogados poderiam, em tese, se enquadrar no crime de lavagem de dinheiro, previsto na Lei nº 9.613/1998.

Outro ponto destacado no requerimento é a abertura de uma nova unidade do escritório Barci de Moraes em Brasília, em setembro de 2025, dois meses antes da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, ocorrida em novembro do mesmo ano. Para o senador, a coincidência temporal reforça suspeitas de manobras de reorganização patrimonial. Ele também questiona o tratamento prioritário dado a esses pagamentos em relação a outros credores, apontando a necessidade de esclarecimentos sobre possível tráfico de influência e exploração de prestígio junto ao Judiciário e à administração pública.

Paralelamente, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram requerimento solicitando a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci. O pedido abrange o período de 1º de janeiro de 2024 a 1º de janeiro de 2026 e inclui acesso a movimentações financeiras, dados fiscais, investimentos e registros em órgãos como Receita Federal, Banco Central e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Viviane Barci foi procurada por meio do escritório Barci de Moraes, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Em relação ao ministro Dias Toffoli, o senador Alessandro Vieira apresentou requerimentos para convocar seus irmãos, José Carlos Dias Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, além de um primo do ministro, Mario Umberto Degani. Segundo o documento, há indícios que conectam transações imobiliárias e societárias a elementos sob investigação nas áreas de segurança pública e do sistema financeiro.

De acordo com o requerimento, os familiares mantiveram relações societárias com as empresas Maridt Participações S.A. e DGEP Empreendimentos e Participações Ltda., que possuíam participação no Tayayá Aqua Resort, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. Posteriormente, essas empresas transferiram suas cotas do empreendimento para o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia e para a PHD Holding.

Vieira afirma que a intermediação desses negócios pelo Arleen, administrado pela CBSF DTVM, traz o caso para o escopo da CPI, já que a antiga Reag Trust foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apurou ligações com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

O senador cita ainda reportagem do Estadão que mostrou que o endereço de José Eugênio Dias Toffoli aparece como sede da empresa que vendeu parte do resort no Paraná por R$ 3 milhões a um fundo ligado a um cunhado de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. No local, a esposa do irmão do ministro afirmou que ele nunca foi dono de resort.

“O destaque também se dá pela existência de notícias demonstrando que o estilo de vida dos familiares do ministro é incompatível com a negociação milionária envolvendo o resort”, afirma Vieira no documento.

Os requerimentos devem ser analisados na próxima sessão da CPI do Crime Organizado, prevista para o dia 10 de fevereiro.

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