
Após críticas de lideranças evangélicas ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Partido dos Trabalhadores publicou nesta segunda-feira (23) um vídeo nas redes sociais com a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) defendendo o governo e falando sobre “defesa da família”.
A reação ocorre depois da repercussão negativa em torno da ala intitulada “Neoconservadores em conserva”, que levou para a avenida representações de famílias dentro de latas com adereços religiosos. O trecho foi interpretado por setores evangélicos como ofensivo.
Questionado sobre a representação, Lula afirmou que não teve participação na criação do desfile. “Eu não penso. Porque primeiro eu não sou o carnavalesco, eu não fiz o samba-enredo, eu não cuidei dos carros alegóricos. Eu apenas sou homenageado em uma música maravilhosa”, declarou o presidente, em conversa com jornalistas em Nova Delhi, na Índia.
Ele disse ainda ser “muito grato” pela homenagem e afirmou que visitará a escola de samba para agradecer quando retornar ao Brasil.
Em meio ao desgaste, o PT divulgou o vídeo em que Benedita da Silva, evangélica, rebate críticas e associa o governo a políticas públicas voltadas às famílias.
“Sou uma mulher de fé. Tenho orgulho de ser evangélica há mais de 60 anos”, afirma a deputada. “Usam a Bíblia como se fosse um crachá, como se Deus tivesse um partido. Nas redes o bolsonarismo diz que defende a família, mas na prática, plantam o medo, divisão e mentiras.”
Benedita também declara que Lula “trabalha para cuidar das famílias”, citando medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, os programas Luz do Povo e Gás do Povo e mudanças nas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Ela menciona ainda o Bolsa Família, o Pé-de-Meia, o Minha Casa, Minha Vida e o Sistema Único de Saúde (SUS).
Na legenda da publicação, a deputada escreveu: “Porque cuidar da família brasileira não é discurso, é atitude. É mais renda dentro de casa, conta de luz mais barata, gás garantido, oportunidades, moradia digna e mais cuidado com a educação, a saúde e a geração de empregos. Fé de verdade não se usa. Fé de verdade se vive”.
A declaração de Lula também foi criticada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que reagiu nas redes sociais. “Não pensa, não é o carnavalesco, não fez o samba-enredo, não cuidou dos carros alegóricos. Teve anuência da chacota e do escárnio e, mesmo assim, não se opôs. Ainda diz que foi extraordinário”, escreveu.
“Não adianta. As máscaras caem, a podridão é exposta e a verdade sempre prevalece”, completou.
O episódio provocou preocupação no Palácio do Planalto. De acordo com o Estadão, o governo avalia que o mal-estar entre evangélicos pode respingar na indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Messias, que é evangélico, passou o carnaval em um retiro espiritual em Brasília. Mesmo assim, senadores da oposição contrários ao seu nome tentam associá-lo à polêmica. A AGU informou ter orientado juridicamente ministros a não participarem do desfile.
O governo agora busca conter o desgaste junto ao eleitorado evangélico, grupo considerado estratégico nas disputas eleitorais.

