
O Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu acionar a Justiça contra o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD), após ele classificar a sigla como “narcoafetiva” durante um evento realizado na capital paulista. A informação foi apurada pelo Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
A declaração ocorreu quando Ramuth foi questionado por jornalistas sobre o possível impacto do fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil, após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças dos Estados Unidos. Ao comentar o cenário, o vice-governador criticou o PT ao falar sobre políticas públicas e segurança.
“Eu acredito que esse êxodo vai acabar levando aquelas pessoas, principalmente na fronteira, a retornar ao seu país, onde ele vai poder desfrutar de liberdade e vai deixar de ter aquele Estado ‘narcoafetivo’, como nosso PT, que temos aqui no nosso País”, afirmou Ramuth.
Após a repercussão, o vice-governador foi procurado pela reportagem e manteve o teor da declaração. Segundo ele, o termo foi utilizado como uma crítica política. “O termo foi usado em sentido político e retórico, para criticar uma postura pública de tolerância e relativização diante do crime organizado”, disse.
A ação judicial faz parte de uma estratégia do PT para se distanciar da imagem de condescendência com drogas ilícitas. Internamente, dirigentes avaliam que esse tipo de associação tem sido explorada por adversários políticos. No ano passado, uma fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gerou desconforto ao afirmar que traficantes seriam, em certa medida, “vítimas” do consumo de drogas, declaração que passou a ser usada por críticos do governo.
O episódio envolvendo Ramuth ocorreu durante um evento em que o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), também foi questionado sobre imigração. Na ocasião, o vice-governador afirmou que o Estado precisa estar preparado para receber imigrantes quando há crises em países vizinhos, mas avaliou que, com a mudança de cenário na Venezuela, a tendência seria de retorno dos venezuelanos ao país de origem.
Ricardo Nunes, por sua vez, disse esperar que a saída de Maduro do poder reduza a necessidade de fuga da população venezuelana. Ainda assim, ressaltou que São Paulo continuará acolhendo refugiados que cheguem à capital.
No sábado (3), os Estados Unidos bombardearam Caracas e capturaram Nicolás Maduro e sua esposa. Desde março de 2020, o líder venezuelano responde a acusações criminais no Tribunal do Distrito Sul de Nova York.
Com a prisão, a presidência interina da Venezuela passou a ser exercida por Delcy Rodríguez, vice de Maduro. Considerada uma figura central do chavismo, ela mantém diálogo com setores da elite econômica, mas também é alvo de críticas da oposição.
Nesta segunda-feira (5), a líder opositora María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, afirmou que pretende retornar à Venezuela e fez duras críticas à nova gestão interina. Segundo ela, Delcy Rodríguez esteve envolvida em práticas de repressão, corrupção e narcotráfico no país.

