
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) enviou um ofício ao gabinete do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) sobre a caminhada iniciada pelo parlamentar pela BR-040, em direção a Brasília, em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O documento foi assinado pela superintendente da PRF no Distrito Federal, Adriana Mancilha Pivato.
No texto, a corporação informa que tomou conhecimento da manifestação somente após o início do percurso, o que impossibilitou a realização de análise prévia de risco e o planejamento operacional adequado para a rodovia federal. A PRF afirma que, a partir do momento em que foi informada, passou a adotar providências para preservar a segurança tanto dos manifestantes quanto dos demais usuários da via.
“Recebida a informação por esta Superintendência, estão sendo tomadas as providências cabíveis para preservar a segurança dos manifestantes e usuários da rodovia”, diz o ofício, que menciona o risco de acidentes em razão do deslocamento a pé em trecho rodoviário.
A PRF também declarou que se colocou à disposição para fornecer orientações técnicas ao grupo, destacando a necessidade de observância das normas legais durante todo o trajeto.
Paralelamente, os deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram um pedido de providências junto à PRF solicitando medidas administrativas para impedir a continuidade da caminhada pela BR-040. No documento, os parlamentares alegam que o ato foi iniciado sem comunicação prévia às autoridades, o que teria inviabilizado o planejamento de segurança e colocado motoristas em risco.
Os deputados afirmam ainda que há registros de uso do acostamento e da pista de rolamento pelos manifestantes, além de indícios de pouso de helicóptero nas imediações da rodovia. Segundo eles, essas situações agravam o risco à segurança viária e podem configurar infrações administrativas e penais. O pedido solicita que a PRF avalie a restrição, suspensão ou redirecionamento do ato, com base no Código de Trânsito Brasileiro.
Em resposta, a assessoria de Nikolas Ferreira afirmou que não houve notificação formal, mas apenas o envio de um e-mail com caráter preventivo e colaborativo por parte da PRF. Segundo o gabinete, o contato não trouxe recomendações, determinações ou medidas administrativas.
“Recebemos um e-mail da Polícia Rodoviária Federal, no qual o órgão se colocou à disposição para atuar, caso necessário, com foco na segurança dos participantes da Caminhada Pela Justiça e Liberdade”, informou a assessoria.
A equipe do deputado disse ainda que mantém comunicação constante com a Superintendência da PRF no Distrito Federal e com outros órgãos de segurança, e que representantes participaram de reuniões para tratar do tema. De acordo com o gabinete, até o momento não houve registro de intercorrências durante o percurso.
Nesta quinta-feira (23), Nikolas Ferreira respondeu a críticas de adversários políticos. Em entrevista ao portal Metrópoles, afirmou que a iniciativa ocorre de forma “orgânica e pacífica” e que não utiliza recursos públicos. “Estou de férias, faço o que quiser”, declarou.
Também nesta sexta-feira, entidades empresariais de Minas Gerais divulgaram nota conjunta em defesa do direito à livre manifestação e ao Estado Democrático de Direito. O texto ressalta que liberdade de expressão, reunião e manifestação são direitos constitucionais essenciais. O documento é assinado por entidades como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), entre outras.
A caminhada teve início em Paracatu (MG) e deve ser concluída no domingo, em Brasília. O trajeto total é de aproximadamente 250 quilômetros. Lideranças políticas como Carlos Bolsonaro, diversos deputados federais e os senadores Magno Malta e Marcos do Val aderiram ao ato. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também manifestou apoio à mobilização.

