
O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, Kléber Cabral, foi intimado pela Polícia Federal nesta quinta-feira, 19, para prestar esclarecimentos em um procedimento que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. O depoimento, segundo apurado, está marcado para esta sexta-feira, 20.
A intimação ocorre após declarações do dirigente à imprensa sobre as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes contra quatro auditores da Receita suspeitos de acessar e vazar dados fiscais de familiares de ministros da Corte.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Cabral criticou as medidas cautelares e a operação de busca e apreensão realizadas contra os servidores. Ele afirmou que as decisões foram amplas e desproporcionais, classificando o pedido como uma espécie de apuração excessiva. Também declarou que, na avaliação da entidade, as medidas adotadas foram gravosas e implicaram restrições severas aos investigados, como o uso de tornozeleira eletrônica e limitações de deslocamento.
O comunicado assinado por Moraes informa que os alvos da operação foram quatro servidores da Receita cedidos a outros órgãos: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes. A reportagem não localizou a defesa dos investigados.
Após a deflagração da operação, a Receita Federal informou ter identificado violação de dados de autoridades protegidas por sigilo, mas não detalhou quais informações teriam sido acessadas. O Estadão apurou que familiares de ministros estariam entre os possíveis atingidos.
Em nota, o STF afirmou que a investigação identificou múltiplos acessos ilícitos aos sistemas da Receita, seguidos de vazamento de informações sigilosas. Já a Unafisco declarou que as apurações ainda são preliminares e defendeu o respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência dos servidores.

