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POLÍTICA

Presidente do INSS nega reunião com dono do Banco Master e aponta falhas em consignados

Gilberto Waller Júnior diz à CPMI que contratos apresentavam irregularidades e não permitiam fiscalização

5 fevereiro 2026 - 16h00Levy Teles
Presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, durante depoimento à CPMI que investiga fraudes em descontos de benefícios.
Presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, durante depoimento à CPMI que investiga fraudes em descontos de benefícios. - Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, afirmou nesta quinta-feira (5) que nunca se reuniu com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e disse que identificou indícios de irregularidades nos contratos de crédito consignado firmados pela instituição financeira. Waller Júnior prestou depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura descontos não autorizados em benefícios previdenciários.

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“Já para avisar, o Vorcaro nunca foi ao INSS, porque eu sei que essa pergunta vão fazer. Eu nunca fiz uma reunião com o Vorcaro”, declarou o presidente do instituto aos parlamentares.

Waller Júnior relatou, no entanto, que o INSS realizou duas reuniões com dirigentes e advogados do Banco Master, nos dias 31 de outubro e 10 de novembro do ano passado. Segundo ele, os encontros tinham como objetivo discutir a possibilidade de um termo de compromisso para corrigir irregularidades identificadas nos consignados oferecidos pelo banco a aposentados e pensionistas.

“Eles participam de uma reunião, tentando fazer um termo de compromisso para sanar as irregularidades. Na reunião, a gente pediu para ver o contrato, porque achava que algo estava cheirando mal, algo estava ruim”, afirmou.

De acordo com o depoente, a análise dos documentos apresentados revelou falhas consideradas graves. Segundo ele, os contratos não continham informações essenciais para o controle por parte do INSS, como valor emprestado, taxa de juros e custo efetivo total da operação.

Além disso, Waller Júnior afirmou que as assinaturas eletrônicas dos beneficiários não permitiam verificação adequada. “A assinatura, que era uma assinatura eletrônica do nosso segurado, não era acompanhada com QR Code ou qualquer outro mecanismo que permitisse certificar que aquela assinatura era realmente da pessoa”, disse.

Diante desse cenário, o INSS decidiu não avançar na assinatura do termo de compromisso. “A gente saiu da reunião falando: ‘não tem como assinar o termo de compromisso’”, relatou.

Um processo administrativo do INSS, instaurado em novembro de 2025, analisou a regularidade do acordo de cooperação técnica (ACT) firmado com o Banco Master e apontou que a instituição deixou de apresentar mais de 250 mil documentos que comprovariam contratos de crédito consignado.

Dados obtidos pelo Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que, até novembro de 2022, o Banco Master possuía apenas um contrato de consignado ativo com beneficiários do INSS, embora o acordo de cooperação técnica estivesse em vigor desde 2020.

Segundo Waller Júnior, a orientação do governo federal foi adotar uma postura mais rigorosa na fiscalização. “A nossa preocupação com aposentado e pensionista, por determinação do presidente da República, foi: ‘passe o pente-fino’. E a gente verificou que tinha algo errado com o Master”, afirmou.

O presidente do INSS disse que, diante do volume de reclamações, a autarquia entendeu que não havia condições de o banco continuar operando com beneficiários do instituto. “A gente entendeu que não tem como eles continuarem prestando serviço aos nossos aposentados e pensionistas com esse nível de reclamação”, completou.

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a oitiva de Waller Júnior teve como objetivo esclarecer as medidas adotadas desde o início de sua gestão, avaliar os controles internos e identificar responsabilidades administrativas.

“A presença do presidente do INSS é fundamental para garantir a transparência, fornecer informações oficiais à comissão e colaborar com as investigações sobre práticas que lesam os beneficiários e o erário público”, disse o senador.

Ainda nesta quinta-feira, parlamentares governistas e de oposição chegaram a um acordo para barrar a votação de requerimentos que tinham como alvo o Banco Master e aliados tanto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o depoimento, Waller Júnior também confirmou que solicitou o afastamento da diretora de Tecnologia da Informação do INSS, Léa Bressy, que chegou a substituí-lo interinamente na presidência. Segundo ele, a decisão se deu por entender que havia necessidade de mudanças na área.

“Entendi que precisava mudar. Não houve a entrega do resultado devido”, afirmou.

O pedido, feito em documento sigiloso enviado ao ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em novembro, não foi acatado. Wolney optou por manter a diretora no cargo.

Reportagem do Estadão apontou que, nos bastidores, Léa Bressy é associada ao ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, preso pela Polícia Federal em novembro, sob suspeita de envolvimento em fraudes relacionadas a descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

Questionado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre essa ligação, Waller Júnior disse não ter provas. “Não tenho provas disso, mas o que falam é que ela foi nomeada por ele, por proximidade”, afirmou.

Em dezembro, o Estadão revelou que o plano do ministro Wolney Queiroz é manter Léa Bressy Amorim na presidência do INSS. Durante a oitiva, Alfredo Gaspar afirmou que Waller Júnior teria perdido autonomia para exonerar a diretora.

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