
A Polícia Militar do Distrito Federal encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de ajustes operacionais e de segurança na custódia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso no 19º Batalhão da PMDF, conhecido como Papudinha.
O ofício, enviado nesta terça-feira (28), solicita autorização para mudanças no dia de visitas, a realização de caminhadas em áreas controladas da unidade e a ampliação do acesso à assistência religiosa. Segundo a corporação, as medidas são motivadas por critérios técnicos e de segurança, diante da condição de Bolsonaro como “custodiado sensível”.
A PMDF argumenta que o ex-presidente exige atenção diferenciada por conta do cargo que exerceu, da repercussão do caso e do risco potencial de hostilidades, o que, segundo o documento, não configura privilégio, mas prevenção de incidentes que possam comprometer a integridade física do preso, de visitantes e dos próprios policiais.
Um dos principais pedidos é a alteração do dia de visitas, excepcionalmente, da quinta-feira para o sábado. A justificativa é que, nos dias úteis, há intenso fluxo de servidores, custodiados e atividades administrativas no batalhão, além da coincidência com o dia de visitação dos demais presos.
De acordo com a corporação, aos sábados o fluxo interno é significativamente menor, não há expediente administrativo regular nem visitas de outros detentos, o que facilitaria o controle de acesso, a segregação de ambientes e a previsibilidade operacional.
A PMDF também solicita autorização para que Bolsonaro realize caminhadas de forma restrita e controlada, sempre sob escolta e supervisão permanente. As atividades ocorreriam em locais previamente definidos, como o campo de futebol ou a pista asfaltada nos fundos da unidade.
Segundo o ofício, o pedido se baseia em recomendações médicas e tem como finalidade preservar a saúde física do ex-presidente. A corporação ressalta que as caminhadas não envolveriam contato com outros presos nem uso de equipamentos, representando baixo impacto para a rotina do batalhão.
Outro ponto tratado é a ampliação da assistência religiosa. A PM informou que o atendimento é realizado pela Capelania da corporação, nas vertentes evangélica e católica, sempre com acompanhamento do efetivo responsável e dentro das normas de segurança da unidade.
Bolsonaro foi transferido para a Papudinha no dia 16 deste mês, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Antes, ele estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, condenado pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.
