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09 de janeiro de 2026 - 08h57
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INTERNACIONAL

Petro e Trump conversam por telefone após série de ameaças e tensões diplomáticas

Líder colombiano disse ter defendido investimento em energia limpa na América Latina; Trump afirmou que tratou de drogas e divergências bilaterais

8 janeiro 2026 - 13h45
Gustavo Petro conversa por telefone com Donald Trump após ameaças do presidente americano; líderes discutiram energia limpa e relação entre EUA e América Latina.
Gustavo Petro conversa por telefone com Donald Trump após ameaças do presidente americano; líderes discutiram energia limpa e relação entre EUA e América Latina. - (Foto: Imagem ilustrativa/A Crítica)

Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone na noite de quarta-feira (8), no primeiro contato direto desde o início da escalada de tensões entre os dois governos. A conversa ocorre após uma série de ameaças e acusações feitas por Trump contra o mandatário colombiano, que vinham aumentando a tensão diplomática entre Bogotá e Washington.

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Petro publicou nas redes sociais uma foto em que aparece ao telefone com o presidente americano e comentou brevemente o teor da conversa. “Entre outras coisas, falamos de nossas visões divergentes sobre a relação dos EUA com a América Latina”, escreveu o colombiano.

Segundo o relato do presidente, o diálogo incluiu discussões sobre a política energética e o papel da América Latina no contexto global. Petro disse ter exposto a Trump sua visão de que a região tem potencial para se tornar um polo de energia limpa, o que, segundo ele, poderia ser aproveitado em cooperação com os Estados Unidos.

“Explorar a América Latina em busca de petróleo só levaria à destruição do direito internacional e, portanto, à barbárie e a uma terceira guerra mundial”, afirmou Petro, em referência à dependência dos combustíveis fósseis e às intervenções americanas em países latino-americanos.

O líder colombiano propôs um investimento de US$ 500 bilhões — que, segundo ele, está disponível em reservas norte-americanas — para financiar uma transição energética sustentável na região. “Essa é a minha proposta. Fundamentada na paz, na vida e na democracia global”, declarou.

Trump, por sua vez, classificou a ligação como “uma grande honra” e afirmou que a conversa tratou de questões relacionadas às drogas e de “outros desentendimentos” recentes entre os dois países. Segundo o presidente americano, o objetivo seria “restabelecer o diálogo” com a Colômbia, após semanas de atritos públicos.

Logo após o telefonema, Petro participou de uma manifestação em Bogotá, convocada por ele mesmo para reafirmar a soberania nacional diante das declarações de Trump. No palanque, o presidente colombiano mencionou o contato e leu trechos do comunicado divulgado pela Casa Branca. Ele disse ter agradecido a ligação e manifestado o desejo de que os dois líderes se encontrem pessoalmente em breve. Segundo Petro, já existem negociações em andamento para que a reunião aconteça nas próximas semanas.

A conversa telefônica encerra, ao menos momentaneamente, um dos episódios mais tensos da recente relação entre Colômbia e Estados Unidos. No domingo (4), após a operação militar que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro, Trump fez declarações duras contra Petro e insinuou uma possível ação militar contra a Colômbia.

Em entrevista à imprensa americana, o presidente dos EUA afirmou que “a Colômbia está muito doente e é governada por um homem doente, que produz cocaína para vender aos Estados Unidos”. Trump completou dizendo que uma invasão ao território colombiano “parecia uma boa ideia”, frase que foi amplamente repercutida pela imprensa latino-americana e por políticos da região.

As declarações provocaram reação imediata de Gustavo Petro, que classificou as falas de Trump como “senis e irresponsáveis”. “Trump tem um cérebro senil e vê os verdadeiros libertários como narcoterroristas por não entregar a ele carvão ou petróleo”, respondeu o presidente colombiano nas redes sociais, elevando ainda mais o tom do confronto.

A crise ganhou dimensão internacional e levou países da América do Sul a manifestarem solidariedade à Colômbia, enquanto analistas alertavam para os riscos de um conflito diplomático. Internamente, Petro buscou transformar o episódio em símbolo de resistência à interferência estrangeira, convocando manifestações populares em defesa da soberania nacional.

O telefonema entre Petro e Trump, segundo observadores, representa um primeiro movimento para tentar conter a deterioração da relação entre os dois países. Mesmo assim, as diferenças permanecem profundas. Petro é um dos líderes latino-americanos mais críticos à política externa tradicional dos Estados Unidos e defende uma integração regional baseada na cooperação energética e ambiental, enquanto Trump mantém um discurso focado em segurança e controle do narcotráfico.

Em seus pronunciamentos recentes, Trump também tem mencionado a Venezuela, afirmando que os EUA pretendem manter uma “supervisão de longo prazo” sobre o país após a captura de Maduro. Declarações de assessores da Casa Branca, como o senador Marco Rubio, reforçaram que há um “plano de três fases para a Venezuela”, incluindo sanções, controle político e “cooperação de segurança regional” — medidas que geraram preocupação em países vizinhos.

Petro, por outro lado, tenta se posicionar como mediador regional e defensor de uma América Latina “livre de intervenções externas”. Ao propor um plano de investimento em energia limpa e ao criticar a exploração de petróleo na região, ele tenta mostrar que há caminhos alternativos à dependência econômica e política dos Estados Unidos.

Ainda assim, o presidente colombiano evitou aprofundar o embate após a conversa telefônica. Ao encerrar o discurso na manifestação, ele destacou que o diálogo é “um caminho necessário”, mesmo com as divergências ideológicas. “Podemos discordar, mas devemos conversar. Só assim construiremos paz, vida e democracia global”, afirmou.

Embora não haja confirmação oficial sobre um encontro presencial, fontes próximas à chancelaria colombiana indicam que diplomatas dos dois países trabalham para organizar uma reunião bilateral ainda neste semestre. A expectativa é de que o encontro ocorra em território neutro, possivelmente em Nova York, durante algum evento internacional.

Enquanto isso, o governo colombiano busca apoio em fóruns regionais para consolidar sua proposta de integração energética e apresentar um plano continental de transição ecológica, que Petro vem chamando de “Nova Agenda Verde Latino-Americana”.

O diálogo com Trump, embora cercado de desconfiança, foi interpretado em Bogotá como um sinal de que, mesmo em meio à tensão, Washington não pretende romper completamente os canais diplomáticos com o governo colombiano.

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