
O deputado federal e presidente nacional do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), anunciou neste domingo (25) que será candidato ao Senado nas eleições deste ano. A confirmação foi feita durante um evento em São Paulo, no mesmo dia em que o parlamentar completou 70 anos, e contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O encontro reuniu lideranças de diferentes partidos, entre elas o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). O anúncio foi divulgado nas redes sociais, em um vídeo publicado no perfil de Paulinho, no qual Hugo Motta comenta a decisão do aliado.
“Você deixará muitas saudades na Câmara dos Deputados, mas estaremos vizinhos, trabalhando juntos. Se Deus quiser, você terá a oportunidade de chegar ao Senado Federal para representar o povo de São Paulo”, afirmou Motta durante a gravação.
Paulinho da Força tem uma longa trajetória no Congresso Nacional. Ele já exerceu cinco mandatos como deputado federal. Nas eleições de 2022, obteve cerca de 64 mil votos e ficou como suplente, mas acabou assumindo a vaga após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretar a perda do mandato de Marcelo Lima, que deixou o Solidariedade depois da incorporação do PROS. O partido entrou com ação por infidelidade partidária, o que resultou na mudança da cadeira.
Nos últimos meses, o deputado voltou ao centro do debate político ao ser indicado por Hugo Motta para relatar o Projeto de Lei da Dosimetria, que propunha a redução das penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. A proposta chegou a ser aprovada pelo Congresso Nacional, mas acabou vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O histórico judicial de Paulinho também voltou a ser lembrado após o anúncio da pré-candidatura. Em 2020, ele foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos e dois meses de prisão, por suposta participação em desvios de recursos do BNDES. No entanto, em 2024, o próprio colegiado reverteu a condenação ao julgar embargos de declaração, entendendo que não havia provas suficientes para sustentar a sentença. Na decisão, os ministros afirmaram que a condenação exigiria um grau de certeza que não foi alcançado durante a instrução processual.
Apesar do clima de celebração e da presença de dirigentes de diferentes siglas no evento de aniversário, o cenário para a disputa ao Senado em São Paulo tende a ser competitivo. Parte das lideranças presentes já está alinhada politicamente ao governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos bastidores, o grupo do governador trabalha para viabilizar o nome do ex-secretário estadual de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), atualmente deputado federal, como candidato ao Senado.
A expectativa é de que a composição da chapa em São Paulo envolva negociações complexas entre partidos da base aliada de Tarcísio, o que deve influenciar diretamente o espaço político disponível para a candidatura de Paulinho da Força.
